sábado, setembro 18, 2010

Na corrida pela produtividade o capital seca a fonte que o alimenta

Rall


Em tempos de Terceira Revolução Industrial a efemeridade das tecnologias é a norma. Uma plataforma de produção assentada para aumentar a produtividade de uma determinada indústria, ao entrar em funcionamento já se torna obsoleta. Geralmente, quando requisitada por outra indústria concorrente, inovações são introduzidas de tal forma que quando o ciclo se completa num determinado ramo de produção, a indústria que adquiriu a primeira plataforma da série é obrigada a se renovar tecnologicamente para que possa ficar em pé de igualdade em relação à produtividade e não ser expulsa do mercado pelas concorrentes. Nesse processo, a destruição e a criação de empregos ocorrem em velocidades diferentes e o resultado da racionalização é sempre um saldo negativo para o número de empregos novos que surgem.

A desvalorização do capital tende a acentuar-se na medida em que menos trabalho abstrato é absorvido na produção de mercadorias. Nos momentos de agudização da crise da acumulação real como a que vivemos agora, além do agravamento do desemprego pela redução do ritmo da economia, observa-se alguns fenômenos incrementados pela concorrência, que em sua aparência pode levar a intepretações equivocadas. Vejamos o que vem sendo observado na oferta de vagas no mercado de trabalho americano: “O índice de criação de vagas, ou seja, uma medida do número de empregos disponíveis em relação ao total de vagas na economia – ocupadas ou vazias - subiu de 1,8% um ano atrás para 2,2% em 2010, em vez de cair ainda mais, como era esperado. Apesar disso o desemprego aumentou no mesmo período”.

As vagas disponibilizadas numa velocidade maior do que o esperado pode ser um indicador de que as indústrias buscam agora sair da crise aumentando a produtividade, acelerando a introdução de novas tecnologias. Como o mercado de trabalho leva algum tempo para se adaptar as mudanças tecnológicas introduzidas com grande agilidade, “sobram” empregos em alguns ramos de produção. O que não se enxerga quando se fala de vagas “sobrando”, é que o balanço entre empregos criados e destruídos é negativo para empregos criados com as inovações tecnológicas. Esse fenômeno, observado de forma mais evidente na economia americana e pouco entendido por alguns analistas, mostra que a crise, ao acirrar a concorrência, leva os capitais individuais a buscar na renovação tecnológica a saída para baixa rentabilidade. Agravam, porém, no médio prazo, as dificuldades de acumulação do capital total pela racionalização do trabalho abstrato na produção global.

A rápida retomada da indústria de automação, cujas encomendas não param de crescer contrasta com uma economia mundial cambaleante. As medidas de demissões em massa da força-de-trabalho como aconteceu no apogeu da crise, cede lugar a uma dispensa mais planejada, porém permanente ao se buscar outros níveis de produtividade pela intensificação do capital constante (1). O barateamento das mercadorias pelo excesso de produção e por uma nova onda de produtividade, não deverá ampliar suficientemente o mercado de tal forma que permita uma retomada autônoma da acumulação do capital pelo aumento do consumo, pois acompanha esse processo uma grande redução da utilização global do trabalho vivo criador de mais-valia.

O que pode acontecer nessa fuga solitária das empresas na direção de uma maior produtividade, empurradas pela acirrada concorrência, são as mais ágeis e eficientes destruírem suas rivais e, consequentemente, postos de trabalho, mantendo individualmente uma vantagem provisória em relação ao lucro, que logo desaparece quando a nova técnica de produção se generaliza e faz cair os preços das mercadorias. Portanto, com o agravamento da crise de valorização do valor na economia real, para manter o seu artificial movimento de acumulação simulada, a economia mundial exigirá do Estado e do mercado a geração constante de capital fictício em bolhas cada vez mais curtas e destrutivas.

(1) A bolha estatal na longa jornada da crise

18.09.2010

3 comentários:

Antonio Cerveira Pinto disse...

Duas ideias: Jeremy Rifkin reflectiu sobre o que ele chama The End of Work. Basicamente, ao substituir o trabalho humano tradicional por robots e sistemas de gestão computorizada em rede, nada nem ninguém conseguirá parar o destruição em massa do trabalho humano. Os casos do Japão e da China são aliás paradigmáticos. Por outro lado, como a economia industrial é um sistema de produção/distribuição de e para as massas, sem trabalho humano não há consumo de massas, e sem este a economia capitalista definha rapidamente. Uma contradição insanável, para além dos impactos evidentes da lei da queda tendencial da taxa de lucro, i.e. do grau de exploração do trabalho humano, previsto por Karl Marx.

Raymundo Araujo Filho disse...

visitei este seu blog e gostei muito do teor dos artigos. Vou te enviar um artigo meu Cris? What Crisis? que vai na mesma esteira, contrária a estan mistificação geral que vai por aí.

parabéns pelos artigos.

Raymundo Araujo Filho

Raymundo Araujo Filho disse...

visitei este seu blog e gostei muito do teor dos artigos. Vou te enviar um artigo meu Cris? What Crisis? que vai na mesma esteira, contrária a estan mistificação geral que vai por aí.

parabéns pelos artigos.

Raymundo Araujo Filho