<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385</id><updated>2012-01-25T08:55:14.512-02:00</updated><title type='text'>Rumores da Crise</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>73</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4492411119594921085</id><published>2011-12-18T22:29:00.000-02:00</published><updated>2011-12-19T22:52:08.111-02:00</updated><title type='text'>Um enfadonho réquiem</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois de grande resistência os analistas oficiais dobram-seaos fatos. Parece que são poucas as dúvidas em relação ao recrudescimento dacrise. Mesmos os mais otimistas jogaram a toalha com algumas ressalvas. O lequede opiniões em relação ao abismo que se alarga é grande apesar da escuridão doprecipício. Mas todas trazem a certeza da efemeridade do evento se utilizada àsfórmulas que prescrevem. Acreditam que o doente há de encontrar o seu chão e seerguerá cambaleante, é certo, se engolir o veneno prescrito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Essa visão pessimista/otimista oscila conforme a labilidadedo doente. Mas todos acham que o remédio certo faz o doente ressurgir mesmo queseja das próprias cinzas, como a Fénix. Na ilusão de um eterno retorno, não seadmite o capitalismo como um processo histórico que caminha rapidamente para oesgotamento. O que se descreve como crises conjunturais, nada mais é do quedoloridos espasmos da crise crônica em seu momento terminal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O capitalismo do final do Século XX em diante, como oNosferatu atormentado por não se alimentar de sangue virgem, ou melhor, por nãoalimentar na velocidade necessária o trabalho morto de trabalho vivo, perdeu osseus limites. Primeiro, ampliando o crédito ao infinito, comprometendo todarenda futura na presente produção. Segundo, na formação de bolhas financeiras,já que o crédito mostrava-se insuficiente para fazer rodar a máquina deacumulação emperrada por falta de combustível, o trabalho vivo. Terceiro, com oestouro da bolha os bancos centrais passaram a imprimir volumes imensos dedinheiro, sem nenhuma relação com a produção, para salvar bancos, empresas e asi mesmo da falência anunciada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por esses mecanismos ampliou-se enormemente o volume decapital fictício. A economia real, antes dominante, passa a ser um apêndicedessa ilusão chamada pomposamente de “efeito riqueza.” Na acumulação real, asede por trabalho vivo e a escassez deste para irrigar o trabalho morto, fazsurgir no horizonte miragens que se desfazem na mesma velocidade com que seformam. São créditos que não se pagam, bolhas que explodem, Estados e empresasque se tornam inviáveis, e desemprego que grassa aos céus. O dinheiroinflacionado, ainda não se manifesta como inflação enquanto funcionam osmecanismos de contenção, inclusive o baixo consumo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;À crise de acumulação junta-se a crise ambiental que ameaçao mundo com efeitos devastadores cada vez mais visíveis. As medidas anunciadasnas Convenções do Clima, além de insuficientes, mantem-se restritas à propagandados poluidores. Mesmo aquelas implementadas por interesse do mercado o impactona reversão efeito estufa é quase nulo. Com o aprofundamento da crise docapitalismo, os acordos devem ser rapidamente esquecidos e os desequilíbrios doambiente devem se intensificar. Não tardarão as respostas violentas da naturezacom repercussões na vida e na economia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A Europa que naquebradeira americana em 2008/2009 parecia relativamente protegida com o euro,agora é a bola da vez. É claro que a crise é do capitalismo global. Mas asondas destruidoras se propagam de forma assimétrica. O espectro dahiperinflação, que desembocou em violentos conflitos e nos monstruosos crimesda segunda guerra mundial, ainda atormenta memórias e freia o ímpeto dodinheiro fácil da forma como é impresso nos EUA. Há na Europa uma resistência auma expansão monetária sem limites, como praticada pelos americanos do norte.Difícil dizer até quando. Porém, a opção pelo rigor orçamentário exigido pelavia fiscal para driblar a inflação, tende aumentar o desemprego e a crisesocial que já é imensa. E a violência pode então aflorar com a mesmaintensidade de um passado recente de crimes ainda não prescritos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os crescentes massacres isolados, praticados porultranacionalistas em vários países europeus, são sinais perturbadores de umatendência à violência adormecida. Os discursos demagógicos e agressivos degrupos e partidos políticos, em tom cada vez mais racista, podem despertar demôniosem uma conjuntura de crise social profunda. A guerra nos Bálcãs mostrou queisso é possível. A criação dos Estados Unidos da Europa, vistos por muitos comouma oportunidade aberta pela crise e como forma de resistir às tendênciasdestrutivas, só pode ter chances de êxito se for acompanhada de uma crítica radical à sociedade burguesa, ao modo de produção capitalista, à forma-mercadoria e aopatriarcalismo a ela inerente.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas essa crítica não conseguiu romper as barreiras que aisola. À medida que a crise se aprofunda nas frentes econômica, social eecológica, o que se ver é um o enfadonho réquiem dos analistas oficiais, sempreacreditando na ressureição dos mortos, não trazendo nada de novo a não ser aconstatação atrasada do óbvio. O hegemônico, mesmo no pensamento de esquerda, é a busca de saída dentro do que estar dado. Porém, o ano que entra, pelo caminhar das coisas, pode serdigno de grandes emoções, daqueles anos que parecem séculos. Portanto, aproveitem asfestas com o melhor champanhe do mercado enquanto for possível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;18.12.2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4492411119594921085?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4492411119594921085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4492411119594921085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4492411119594921085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4492411119594921085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/12/um-enfadonho-requiem.html' title='Um enfadonho réquiem'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-601891292862910586</id><published>2011-10-10T11:25:00.002-03:00</published><updated>2011-10-10T21:56:52.076-03:00</updated><title type='text'>Ocupar Wall Street e outros espaços da máquina capitalista</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Rall&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Quando a Wall Street começou a ser ocupada por manifestantes, com palavras de ordem contra o desemprego e o salvamento dos bancos colapsados, aos gracejos dos financistas e de posições como as do direitista Mitt&amp;nbsp; Romney que se adiantou em condenar o que taxou de luta de classes, contrapuseram-se algumas falas. Obama chegou a ensaiar um “eu compreendo”. Mas, o que chamou atenção foi o apoio de intelectuais do establishmet como Paul Krugman, que mesmo fazendo restrições aos militantes, defendeu em artigo a ajuda de políticos e intelectuais no detalhamento de uma proposta que servisse de base para o movimento e a posição do historiador Rich Yeselson que sugeriu como plataforma central do movimento aliviar as dívidas dos trabalhadores. São sinais de posições permeáveis da sociedade norte-americana a movimentos como esse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É em Wall Street que o capitalismo em crise manifesta com força a tendência de gerar grande volume de capital fictício. Mas, a lógica prevalente de se criar dinheiro do nada, não importa se usando o esquema Ponzi&amp;nbsp;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/12/caixa-magica-de-bernard-madoff.html"&gt;(1)&lt;/a&gt; ou outras formas de se multiplicar ao infinito, não se restringe aos centros financeiros. Quando os governos, para “salvarem” a economia como um todo e não só os bancos, imprimem bilhões em moeda nacional sem “lastro”, as denominadas “expansões quantitativas”, estão seguindo a mesma lógica. O crédito alongado ao extremo para que não possa ser pago enquanto existir o capitalismo, é outra importante face dessa imensa máquina de produção de capital fictício que se transformou o capitalismo dos tempos atuais. As commodities, a especulação no setor imobiliário e com outros ativos ditos reais, os derivativos, as operações financeiras como “short selling” , “carry trade” e outras invenções em andamento, são produtos da loucura humana por dinheiro que se autonomizou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Essa autonomização que agora atinge o máximo de seu movimento aprisionando a economia real em bolhas financeiras, não permitirá que a alardeada regulação freie seu impulso destrutivo. O que assistimos é a lógica destruidora e excludente do capital levada ao extremo, sem nenhuma possibilidade de controle consciente dentro de fronteiras que não nos permite pensar de forma diferente do que nos impõe a socialização pelo valor. Quanto mais fica claro que toda produção do capital fictício, não importa se pelo mercado ou Estado, é a forma encontrada para “compensar” a crise na economia real da “valorização do valor” (Marx), e quanto mais essa crise se aprofunda, mais os desesperados sujeitos do dinheiro alimentam a máquina de formação do capital sem substância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os crescentes espasmos da crise, em número e intensidade, tendem ser mais destrutivos e sem compensações posteriores que possibilitem a retomada da economia num patamar superior com geração de empregos e melhoria da rentabilidade do capital global como muitos esperam. As empresas em dificuldades, para compensarem as perdas e enfrentarem o acirramento mortal da concorrência, intensificam o capital fixo com investimentos em automação e dispensa da força de trabalho, nutrindo todo processo de desvalorização do valor que é a causa básica da geração de capital fictício. Esse círculo vicioso, crise da economia real, geração de capital fictício simulando a acumulação, agravamento da crise pela queima do capital sem substância e nova rodada de geração de capital fictício, sem a ultrapassagem dos limites impostos pelo capitalismo para se manter respirando, tornará a crise mais perigosa e destrutiva, com risco de aventuras armadas de grandes proporções como último apelo para uma retomada agora em terras calcinadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para que o movimento se firme, a militância do Ocupar Wall Street além de apresentar uma plataforma viável, com poucas e objetivas palavras de ordem (e aí a redução das dívidas não só dos trabalhadores, mas também dos sem rendas, sem empregos e sem bens, os últimos sugados pela bolha imobiliária, pode ter um apelo muito forte a mobilização), deverá estender as ações a outros espaços, financeiros ou não, que representem a ordem vigente. Mesmo que num primeiro momento faltem militantes para tanto, esse movimento pode ganhar magnitude e surpreender.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/12/caixa-magica-de-bernard-madoff.html"&gt;(1) A caixa mágica de Bernard Madoff&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;10.10.2011&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-601891292862910586?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/601891292862910586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=601891292862910586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/601891292862910586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/601891292862910586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/10/ocupar-wall-street-e-outros-espacos-da.html' title='Ocupar Wall Street e outros espaços da máquina capitalista'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-8854747135046383471</id><published>2011-09-12T21:07:00.012-03:00</published><updated>2011-09-18T15:32:13.389-03:00</updated><title type='text'>O pacote de Obama e o milagre da multiplicação do dinheiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Rall&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;“A redução do endividamento simultâneo do setor privado (financeiro, famílias e, em menor medida, de grandes corporações) continuará a ser o grande complicador para o crescimento econômico global nos próximos anos, avalia o Instituto Internacional de Finanças (IIF)” (1).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&amp;nbsp;“O que deve ser feito? Para uma resposta ouçamos os mercados. Eles estão dizendo: levantem empréstimos e gastem, por favor,” (2).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;As políticas fiscais e monetárias, ao serem aplicadas na busca de se debelar a crise, mostraram os seus limites que se estreitam no tempo. &amp;nbsp;O estímulo à economia via política fiscal tende não se viabilizar em função dos grandes déficits nas contas dos governos. A política monetária já não surte efeito num momento em que as empresas, apesar de endividadas e da queda da produção, em geral estão superavitárias (3), e as famílias esforçam-se poupando para reduzir suas dívidas. A mobilização dos governos para investir em infraestrutura e gerar empregos, tipo pacote-Obama, esbarra no endividamento dos Estados e também, nos EUA, na feroz luta política pelo poder às vésperas das eleições. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Como não se vislumbra nenhuma revolução tecnológica como foi a revolução industrial nos primórdio do capitalismo e em seguida o fordismo, cuja produção industrial absorveu enormes contingentes de trabalhadores deslocados do campo para cidade, ampliando com isso o mercado mundial, no presente momento do capitalismo, a movimentação da economia depende do crédito crescente para que seja possível o aumento do consumo das famílias, das empresas, dos governos e a tão esperada criação de novos empregos. As bolhas financeiras costumam pegar carona nesse crédito fácil. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Mas o que se observa são dois movimentos distintos: a revolução tecnológica que teve início nos anos 80, ao contrário das demais, apesar de fazer baixar o valor dos bens e amplificar o consumo de massa, destrói mais do que constrói postos de trabalho, intensificando o chamado desemprego estrutural&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/09/na-corrida-pela-produtividade-para-sair.html"&gt;(4)&lt;/a&gt;. Com a crise, o acirramento da concorrência tende aprofundar esse fenômeno ao exigir constantes aumentos da produtividade do trabalho, com repercussões negativas no emprego e na massa total de mais-valia real e, obviamente, no lucro médio das empresas e na arrecadação dos Estados na medida em que avança a crise de valorização do capital.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Todos os analistas econômicos e políticos, como também os agentes do mercado, reconhecem por motivos diversos, que o grande problema nesse momento é a fraca ou quase nenhuma geração de empregos nos países do centro do capitalismo e na vizinha periferia. Um anúncio do débil desempenho da economia na criação de novas vagas, incapazes de acomodar desempregados e os que ingressam no mercado de trabalho, é acompanhado por abalos nas bolsas, declarações pessimistas sobre o futuro e vexames políticos. Mas fica por aí mesmo, as análises se detém em lamentações e não ultrapassam a linha divisória que possa mostrar que o que está em crise é a forma de produção centrada no trabalho “abstrato” (Marx).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Por tudo isso, pacotes keynesianos de estímulo à economia, via investimentos governamentais em infraestrutura como o anunciado por Obama, pode não produzir o efeito esperado e não funcionar como motor de arranque para o setor privado retomar, de forma autônoma, o crescimento econômico e o emprego. As manifestações crescentes de que os Estados tem que continuar se endividando, que as famílias e as empresas levantem empréstimos para consumir; os apelos para que as medidas visando baixar mais ainda os juros e “jogar dinheiro de helicópteros” (afrouxamento quantitativo) sejam reeditadas, é o reconhecimento explícito de que a economia só consegue se manter em pé com o alargamento do crédito ao infinito e na companhia de bolhas financeiras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Restar saber, contudo, se o infinito realmente existe para acumulação capitalista ou se o capital já atingiu o “limite interno da valorização na terceira revolução industrial” (Kurz), estando à economia a girar em falso por não encontrar mais saída para suas agruras, apesar do milagre de se transformar incessantemente papel em dinheiro sem ser certificado pela produção de mercadorias. Para os apóstolos do capital, se em algum tempo foi possível multiplicar os pães, é possível do nada se fazer dinheiro. Veremos até quando.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="margin: 0cm 0cm 0pt 36pt; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;“Endividamento menor compromete recuperação”- Jornal Valor Econômico, Assis Moreira - 06.09.2011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin: 0cm 0cm 0pt 36pt; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;“Porque devemos ouvir os mercados”- Jornal Valor Econômico, Martin Wolf - 08.09.20011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;(3)&lt;/span&gt;&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/06/as-possibilidades-advindas-da-crise.html"&gt;“As possibilidades advindas da crise”- Blog Rumores da crise, Rall -18.06.2011.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="margin: 0cm 0cm 10pt 36pt; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;(4) &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/09/na-corrida-pela-produtividade-para-sair.html"&gt;&amp;nbsp;"Na corrida pela produtividade o capital seca a fonte que o alimenta" - 18.09.2010.&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;12.09.2011 &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span id="goog_1279469789"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span id="goog_1279469790"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-8854747135046383471?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/8854747135046383471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=8854747135046383471' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8854747135046383471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8854747135046383471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/09/o-pacote-de-obama-e-o-milagre-da.html' title='O pacote de Obama e o milagre da multiplicação do dinheiro'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-379552523094336294</id><published>2011-08-09T20:40:00.009-03:00</published><updated>2011-08-21T12:49:36.783-03:00</updated><title type='text'>O segundo grande espasmo da crise</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Rall&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Para assumir os prejuízos do setor financeiro e de grandes empresas e compensar a redução da arrecadação em função da queda do consumo e da produção, o Estado, elevado agora à instância salvadora do mercado, vem aumentando de forma descontrolada o déficit fiscal e a dívida pública em todo mundo, desde o último espasmo da crise, 2007/2009, para compensar a queda da arrecadação e o dinheiro liberado no resgate do setor financeiro e grandes empresas. A liquidez forçada pela pelo grande volume de dinheiro despejado pelos bancos centrais no mercado, quase não utilizado no consumo e na produção como se desejava, aportou nas bolsas e nas commodities, ensaiando novas bolhas. Induzidas pela grande bolha de crédito dos Estados, era de se esperar que durassem até os primeiros sinais de deterioração das dívidas “soberanas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Apesar dos Estados, tomadores/emprestadores de última instância, criarem dinheiro do nada, contabilizando em contas a pagar sem nenhuma garantia a serem liquidadas com arrecadações futuras, era previsível o surgimento de graves problemas.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Qualquer contador de boteco de esquina sabe que isso poderia resultar em inflação pelo excesso de dinheiro sem substância circulante e em incapacidade dos Estados arcarem com seus compromissos pelo tamanho do serviço da dívida, levando-os a falência e arrastando consigo a cambaleante economia. O que assistimos na Europa, com início na Grécia, alastra-se a grande velocidade para outros países e continentes, mesmo aqueles aparentemente sólidos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Como a economia real não deu nenhum sinal de recuperação de seu estado terminal com as medidas tomadas para reanimá-la, o financiamento do Estado ficou complicado, pois a arrecadação não reagia ao mesmo tempo em que se tinha de por dinheiro no setor privado. Buscou-se como saída, incialmente na Europa e logo em seguida nos EUA, conter a farra de se jogar dinheiro de avião, mesmo que fosse este papel de coloração especial. Fato que imediatamente repercutiu negativamente nos mercados. Se a economia real estagnada não consegue produzir suficientemente riqueza abstrata (dinheiro) para a alegria de todos, as transfusões de capital fictício dos Estados para o paciente agonizante não podem parar sob o risco de um final sem retorno à acumulação simulada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Portanto, desde o estouro da bolha imobiliária e outras geradas nos mercados, exigiu-se uma intervenção dos Estados&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/11/bolha-estatal-na-longa-jornada-da-crise.html"&gt;(1)&lt;/a&gt; jamais vista mesmo em tempos de guerra, para o que foi apelidado de Grande Recessão não se transformasse em Grande Depressão. Foram utilizados todos os artifícios na geração de capital fictício para essa operação: desde a compra de toneladas de ativos tóxicos pelos bancos centrais para recapitalizar o setor financeiro em bancarrota, até mesmo a desmensurada e irresponsável impressão de dinheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A ilusão de que um segundo mergulho da economia no precipício pela quebra dos Estados poderia ser amenizado com a força dos emergentes&amp;nbsp;BRICs não tem fundamento. Que força rogada, quando sabemos que esses países representam menos 25% da economia mundial e dependem do mercado dos ricos cujas economias se encontram em franco declínio? Este raciocínio esbarra ainda nas complicações da inflação ascendente, que tem se mostrado resistente às políticas monetárias aplicadas nos países emergentes, por ter como um dos seus determinantes o “afrouxamento quantitativo” (ou seja, a impressão de dinheiro sem lastro), levado a cabo pelos bancos centrais dos EUA e Europa. Por outro lado, já não existem condições para mais uma onda de megainvestimentos em infraestrutura na maioria desses países, principalmente na China, que possa reanimar as economias internas. É bom lembrar que muitos dos investimentos feitos nos últimos três anos são pouco rentáveis ou não rentáveis e jamais se pagarão. A repetição do neokeynesianismo na atual conjuntura pode ser mortal para disparada inflacionária, principalmente na periferia do capitalismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Depois do abandonar os discursos otimistas do que o pior já passou, governantes e analistas oficiais falam, ainda pelos cantos, na possibilidade de uma longa crise mundial, que seria cozinhada em banho-maria talvez por uma década. Há, no entanto, a resistência de se reconhecer que a crise é de uma forma de produção cujo objetivo final é a acumulação de “riqueza abstrata” (Marx), e que à dificuldade em acumulá-la nesse momento do capitalismo, responde-se com mais crédito fácil e superprodução de mercadorias, turbinada com a corrida à produtividade movida pela lógica cega da concorrência. O resultado é a destruição sem limites da natureza e dos sujeitos na irracional busca de transformar tudo em mercadoria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A crise nos remete aos anos 80, quando a revolução tecnológica ganha grande impulso e vem liberando forças que não cabem mais na forma de produção de mercadoria. À medida que o impasse prevalece e a situação se deteriora, a saída por meios violentos surge como uma possibilidade. O assassinato em massa de jovens na Noruega é um sintoma de que monstros&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/08/armadilha-do-pensar-limites-no-agir.html"&gt;(2)&lt;/a&gt; se agitam em seus casulos&amp;nbsp;ao pressentirem tempos difíceis onde gostam de navegar.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/11/bolha-estatal-na-longa-jornada-da-crise.html"&gt;(1) A bolha estatal na longa jornada da crise&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/08/armadilha-do-pensar-limites-no-agir.html"&gt;(2) Armadilha do pensar, limites do agir&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;09.08.2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-379552523094336294?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/379552523094336294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=379552523094336294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/379552523094336294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/379552523094336294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/08/o-segundo-grande-espasmo-da-crise.html' title='O segundo grande espasmo da crise'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-5137229893303081983</id><published>2011-07-17T21:09:00.008-03:00</published><updated>2011-07-21T22:15:56.941-03:00</updated><title type='text'>Nem a crise vos separa</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Rall&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;"As explosões dos déficits ficais são predominantemente resultado de colapso na atividade econômica e nas receitas do que de socorro a bancos.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Mas a fragilidade fiscal, por seu turno, debilita os bancos, em parte porque estes detêm grandes montantes de dívida pública interna e em parte porque dependem de apoio fiscal. Os setores públicos e privados estão imbricados. A visão dos falcões republicanos nos EUA e de falcões alemães e holandeses na Europa, segundo a qual a crise tem raiz apenas fiscal é errônea. Crédito fácil acaba em crise fiscal" (1).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Se olharmos algumas décadas para traz veremos que os déficits fiscais, apesar de algumas curtas paradas, vem aumentando ou&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;mantendo-se em percentuais em relação ao PIB que dificilmente permitem um equilíbrio nas dívidas da maioria dos países. A arrecadação já não cobre há muito as despesas dos Estados que são obrigados a se endividarem para se manterem funcionando. A onda de privatizações que seguiu o período neoliberal onde aparentemente o mercado era soberano estar relacionada, entre outras coisas, com a necessidade dos Estados fazerem caixa e a incapacidade de investirem por escassez de recursos. O estouro da bolha em 2007, que levou a economia mundial ao colapso, acentuou o quadro do déficit fiscal e da dívida pública com os compromissos assumidos pelos governos para socorrer o setor privado e, principalmente, pela queda da arrecadação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Essa mesma tendência ao endividamento foi observada nas famílias e nas empresas. Parte do endividamento do setor privado, que chega a ser superior a 100% do patrimônio das empresas e das famílias em muitos países, vem se deslocando para os Estados, sem nenhuma perspectiva de redução do total devido que não seja através do calote. O Estado, agora defendido por todos como última instância de salvação do capital, saiu a campo assumindo passivos podres do setor privado para conter a depressão. No entanto, não sabe o que fazer com esses papeis sem valor e com o peso dívida resultante dessa operação, que cresce rapidamente com o aumento do déficit fiscal em função da redução da atividade econômica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Devolver ao setor privado internacional, parte dos problemas e perdas resultantes do estouro da bolha através de um default das dívidas estatais significa deprimir mais ainda a atividade econômica e, conseqüentemente, a arrecadação de impostos com repercussões negativas no déficit fiscal e na dívida pública. O imbricamento do público e do privado (irmãos siameses em eterno conflito), citado por Martin Wolf, dificulta medidas unilaterais, mas devem acontecer quando os setores públicos das nações em pior situação começarem entrar em falência. Mal se iniciou a desalavancagem do setor privado à custa do Estado, já se desenha uma crise das finanças públicas de proporção gigantesca na Europa e nos EUA. Será o segundo grande espasmo da crise, depois do estouro da bolha de crédito que alimentava o mercado imobiliário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Está por traz do crédito ao infinito, do endividamento e insolvências, a necessidade de se manter a acumulação simulada para calar a crise da economia real. O estouro da bolha imobiliária descortinou, num primeiro momento, a crise da “valorização do valor” (Marx). A massa total de mais-valia real, que vem caindo com a redução do consumo da força de trabalho no processo de produção pela introdução das inovações tecnológicas que aumentam a produtividade (apesar de na concorrência entre agentes econômicos isolados beneficiar-se provisoriamente empresas mais produtivas), vem impactando nos lucros, juros, rendas e no financiamento do Estado. Para compensar essa queda geral de rentabilidade, a mais-valia futura é antecipada através do crédito farto a juros baixos ou negativos. Nos momentos de agudização da crise, esse movimento fica bem mais evidente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Como a mais-valia futura é sempre empurrada para um futuro cada vez mais longínquo a se perder de vista, a atividade econômica fictícia, para simular a acumulação, está a exigir bolhas sempre maiores prontas a explodirem acompanhadas de inevitáveis estragos. O Estado e o mercado, apesar dos freqüentes estranhamentos e da predominância do mercado mundial sobre a vontade dos Estados nacionais, sempre estarão juntos nesta inconseqüente aventura humana que é o capitalismo, mesmo que sejam afetados de forma diferente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;(1) Da Itália aos EUA: realidade X utopia / Martin Wolf – Jornal Valor Econômico, quarta-feira, 13 de julho de 2011.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;17.07.2011&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-5137229893303081983?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/5137229893303081983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=5137229893303081983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/5137229893303081983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/5137229893303081983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/07/nem-crise-vos-separa.html' title='Nem a crise vos separa'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-649920156995661154</id><published>2011-06-18T16:57:00.003-03:00</published><updated>2011-06-26T12:51:48.020-03:00</updated><title type='text'>As possibilidades advindas da crise</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Rall&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="color: #111111; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;“Apesar da crise, a produtividade do trabalho vem aumentando significativamente em todo mundo. Num primeiro momento, o rearranjo na organização da produção forçada pela dispensa de trabalhadores pode ser responsável por essa maior produtividade. Os não dispensados passam a produzir mais, exercendo funções dos demitidos, sem que haja ajustes salariais. ...Mas é a segunda onda de aumento da produtividade, movida pela feroz concorrência pelo que restou de mercados, que ao incorporar novas tecnologias de automação fechará mais ainda postos de trabalho”.&lt;/span&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/07/retracao-da-economia-e-destruicao-de.html"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #111111; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;No momento mais agudo da crise, as empresas dos países mais atingidos, principalmente as dos EUA, readequaram a produção a um número menor de trabalhadores do que o necessário aos processos de trabalho. A quantidade dos demitidos foi superior às reais necessidades da produção naquele momento. A prova disso foi que a produtividade medida nos EUA deu um salto sem que nenhuma nova tecnologia ceifadora da força de trabalho fosse introduzida. Infere-se que os trabalhadores não demitidos passaram a fazer o trabalho que antes era distribuído por mais de um, aumentando a produtividade através da aceleração de suas atividades nas linhas de produção e extensão da jornada de trabalho. Excetuando-se alguns países europeus, em particular a Alemanha que com o apoio dos sindicatos utilizou mais a redistribuição da carga horária e a redução dos salários, nos países em que as empresas optaram pelas demissões, reproduziu-se, em maior ou menor proporção, a mesma situação.&lt;span style="color: #111111; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;É esse um dos “segredos” da capitalização das empresas americanas e de outros países em plena crise. Claro que a isso vem se somar outros benefícios como os incentivos via redução de impostos, juros negativos, compra de papéis podres pelos bancos centrais e os espaços garantidos para especulação dentro e fora do país, através das máquinas geradoras de capital fictício. Com dinheiro sobrando, apesar da crise e da redução das transações no mercado internacional, as empresas do centro do capitalismo buscam se reposicionar para enfrentar a acirrada concorrência internacional, principalmente as pressões vindas dos chamados emergentes que conseguem preços competitivos para os seus produtos pelos baixos salários que ainda pagam aos trabalhadores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Como o aumento da produtividade&amp;nbsp;pela sobrecarga de trabalho chegou ao limite, qualquer aumento da produção ou vantagem competitiva, vai exigir das empresas contratação de mão-de-obra ou investimentos em&amp;nbsp;inovações tecnológicas. Vejamos o que diz Dan Mishek, diretor da Vista Technologies, em Minesota, Estados Unidos: “tudo deve ser tão automatizado quanto possível. Não podemos nos dar o luxo de competir com países como a China no quesito custo de trabalho, especialmente quando os trabalhadores se tornam cada vez mais caro” (do artigo: Empresa americana investe em máquina, não em gente. Folha de S. Paulo, 11.06.2011). De fato, os investimentos em softwares e equipamentos vêm crescendo significativamente nos EUA, e não pode ser diferente noutros países, inclusive nos emergentes, facilitado pelos incentivos fiscais, excesso de liquidez, juros baixos, prazo para crédito a se perder de vista e queda nos preços de equipamentos para automação e softwares. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Dois anos após o ápice da crise de 2008 o processo de contratação nos EUA continua lento. A taxa de desemprego em torno de 9,1% salta para casa dos 16% quando são considerados nas projeções os que desistiram de procurar emprego. Segundo o Departamento de Comércio americano, o total de gasto com empregados cresceu 2% e com equipamentos e softwares 26%, fenômeno observando só uma vez após a recessão de 1982, momento&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;de grande impulso da Terceira Revolução Industrial. Isso é um indicador de que a revolução da microeletrônica, dispensadora de força de trabalho, está longe de seu esgotamento. Não é á toa que o debate sobre o desemprego estrutural, antes adormecido pela ilusão do pleno emprego sustentado pelas bolhas, surge com muita força nos meios de comunicação. Existe quase um consenso entre os analistas, mesmo entre os que acreditam numa recuperação plena da economia mundial&lt;/span&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/06/o-pior-ja-passou-um-sim-ecoa-afoito-no.html"&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Calibri;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;, de que o mundo não voltará aos níveis de emprego observado antes do estouro da bolha imobiliária, quando considerado o balanço geral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;É possível que o salto tecnológico e de produtividade que começa a tomar forma, mude definitivamente os rumos da história. Diferentemente de 1982 quando ainda encontrávamos governos que exercitavam certa proteção sobre mercado interno (a China e o Brasil são claros exemplos desse período), e que a globalização sustentada no enorme aparato de comunicação e automação que vivenciamos ainda engatinhava, hoje, esse movimento rumo as tecnologias científicas&amp;nbsp;que aumentam a produtividade tende a se difundir com força em todos os sentidos da economia global. Nos países mais atrasados, que buscando tornarem-se viáveis não deverão ficar fora desse processo, o impacto no emprego com o fechamento de postos de trabalho será enorme quando seus parques industriais de baixa densidade tecnológica começarem a ser substituídos ou simplesmente desaparecerem. A produção que se sustenta no uso intensivo de força de trabalho e ainda consegue ser competitiva pelos baixíssimos salários pagos, deverá reestruturar-se com investimento em capital fixo e em&amp;nbsp;inovações tecnológicas ou ficará fora do mercado. Não haverá escapatória e nenhum país conseguirá sobreviver fechando-se em si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Vivemos num momento rico que merece uma atenção especial, onde observamos a conjunção de tremendas forças que empurrarão o mundo na direção de mudanças importantes: ondas de choque resultantes do estouro das bolhas percorrem o globo, represando-se aqui e acolá, ameaçam com novos tremores tectónicos romper o dique e produzir estragos significativos; nas economias nacionais, a procura de saídas para crise utilizando-se de tecnologias que possam aumentar a produtividade para fazer frente à concorrência global. As duas situações devem agravar mais ainda o desemprego e a queda da “valorização do valor”. O leque de opção para a saída da crise no campo do capitalismo deve estreitar-se enormemente. É possível que se crie condições de rompimento do círculo de ferro que nos aprisiona e paralisa, e nos dirijamos para construção de uma sociedade solidária, onde possamos ter mais controle sobre os produtos de nossas ações que no capitalismo transformam-se em monstros enlouquecidos prontos a nos devorar. Há o risco também de não encontrarmos saídas que ultrapassem os limites da lógica destrutiva da sociedade produtora de mercadorias e nos afundemos mais ainda na barbárie.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/07/retracao-da-economia-e-destruicao-de.html"&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Calibri;"&gt;(1) Do artigo: A retração da economia e a destruição de empregos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span class="MsoHyperlink"&gt; - Rall 27.07.2009&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/06/o-pior-ja-passou-um-sim-ecoa-afoito-no.html"&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Calibri;"&gt;(2) O pior já passou? Um "sim" ecoa afoito no mundo dos negócios&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;18.06.2011&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-649920156995661154?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/649920156995661154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=649920156995661154' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/649920156995661154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/649920156995661154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/06/as-possibilidades-advindas-da-crise.html' title='As possibilidades advindas da crise'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-876207454325864028</id><published>2011-06-01T23:18:00.008-03:00</published><updated>2011-06-05T13:17:34.064-03:00</updated><title type='text'>A morte melhorada de uma velha senhora</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Rall&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Nasci numa pequena Cidade do interior, cuja autoridade sanitária era o farmacêutico com seus conhecimentos práticos adquiridos na compra e venda de medicamentos. Nos feriados, visitava com certa regularidade a Cidade, um médico militar proprietário de alguns alqueires de terra nas imediações. Contavam os antigos, que tinham como referências para o tratamento dos encharques da família o farmacêutico, que o referido médico gostava, vestido em seu fardão, de&amp;nbsp;percorrer a pé as estreitas ruas distribuindo receitas como se estivesse dando ordens a um batalhão. Nos feriados seguintes, que não eram muito distantes um do outro, aparecia querendo saber como estava sendo cumprido o que foi determinado. Mesmo não havendo melhora, a tendência das famílias era dizer que o doente, muitas vezes até pior, tinha sarado para evitar a ladainha que viria em seguida acusando-as de não ter administrado adequadamente a medicação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Certa vez, uma família em desespero, resolveu confiar aos conhecimentos do médico militar a saúde de um de seus membros, apesar da insistência do arguto farmacêutico de que a medicação prescrita poderia não ser&amp;nbsp;adequada para aquele caso. Semanas seguintes, o médico grato pela confiança da família foi visitar o paciente, e aí encontrou os parentes na calçada onde ocorreu o seguinte diálogo: “e então, minha paciente já levantou”?&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;“Não doutor, não levantou!” “Já sei, não administraram o remédio...” “Compramos e foi dado como o senhor mandou, só que ela morreu”. “Mas morreu melhorada”, respondeu o médico que seguiu em marcha acreditando que seu ato tinha servido para alguma coisa apesar da morte da velha senhora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;As medidas tomadas pelas autoridades financeiras na tentativa de superar a crise lembra-me sempre essa história.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;À doente terminal, a economia capitalista, é injetado todo tipo de droga que se não recupera a moribunda, traz a sensação para os seus prescritores de uma “morte melhorada”. Bolhas são formadas nos mercados financeiros, imobiliários e de commoditeis, com tempo de vida que se encurta e com efeitos colaterais arrasadores. Os estados vergam sobre dívidas impensáveis e com a&amp;nbsp;impressão de moedas, buscam consertar os rastros de destruição deixado pelo estouro das bolhas. O capital fictício, gerado nos mercados e nos estados por esses mecanismos, como o remédio milagroso para sustentar a economia capitalista em crise, não funciona como esperado. Se alguma reação é observada, mesmo que aparente, logo em seguida os efeitos colaterais anulam qualquer possibilidade de recuperação. Vejamos. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Para não irmos muito longe, vamos nos ater a entrada do Século XXl quando estourou a bolha pontocom. O Fed (Federal Reserve) reage prontamente baixando os juros com a certeza de que a bolha imobiliária que se delineava ganharia a dimensão necessária&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e substituiria a da internet em declínio. As bolsas, antes de atingirem o fundo do poço, recuperaram-se e seguiram os passos do mercado imobiliário em ebulição. Sabemos o ar de surpresa dos que acreditavam em novos paradigmas de uma economia que cresceria sem limites e sem obstáculos, quando o impiedoso espasmo de 2008 desfez instantaneamente as ilusões acumuladas. O mercado atônito, não reagiu criando novas bolhas que pudessem substituir em dimensões a do mercado imobiliário. Os preços das commoditeis ensaiaram alçar voo, mas não se sustentaram. A saída foi o apelo desesperado ao Estado, mesmo por aqueles que acreditavam estar no mercado o &lt;i&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Lapis Philosophorum &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-style: italic;"&gt;que com um simples toque tudo podia ser tranformado em ouro.&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O Estado, que forma com o mercado um conjunto binário inseparável, reagiu prontamente, pois sabia que a morte do seu par era também a sua morte. Como o dinheiro disponível para ser emprestado era insuficiente, o Estado foi obrigado apelar para casa da moeda que pôs suas máquinas em ação, “imprimindo” um volume sem precedente de dinheiro sem substância. Os bancos que conseguiram sobreviver ao primeiro impacto passaram a trocar com o Fed, BCE (Banco Central Europeu) e os outros bancos centrais, os créditos podres por dinheiro vivo e a receberem empréstimos a juros negativos. Por sua vez, parte desse dinheiro volta novamente aos bancos centrais, quando os bancos, num movimento inverso, compram papéis das dívidas dos governos, agora remunerados a juros positivos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;São várias as consequências desse jogo esquizofrênico. Chama atenção, como já referido, a simulação de lucro quando os bancos tomam emprestado dinheiro dos bancos centrais a juros negativos, e reemprestam parte desse dinheiro a juros positivos aos mesmos bancos centrais. Aí, os juros não são parte da mais-valia como era de se esperar numa economia capitalista, mas dinheiro fictício, gerado nas entranhas do mercado e Estado e justificado com manobras contábeis. Isso mostra a fragilidade do sistema bancário mundial, mesmo considerando ser essa prática mais comum nos EUA, favorecida pela chamada “expansão quantitativa”, nome pomposo dado à impressão de moeda sem nenhuma relação com a produção. Independente dessa generosidade, os estados são grandes tomadores de empréstimos da rede bancária para cobrir os déficits fiscais, já que a parcela da massa total de mais-valia, transformada em impostos, há muito não é capaz de cobrir as despesas correntes. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;"&gt;O dinheiro farto vindo dos bancos centrais e impresso nos tesouros aumenta a liquidez e é direcionado para especulação nas bolsas, commodities, e tardiamente, ao setor imobiliário dos países emergentes. Uma parcela menor aparece como investimento, reciclando-se na produção. Por outro lado, juros altos e moeda valorizando-se como no Brasil, atrai capital de curto prazo num processo chamado carry trade, onde o dinheiro tomado fora a custo zero entra e sai muito bem remunerado pelos juros e diferença cambial. O excesso de liquidez distribui-se de forma desigual entre os países e está relacionada com a atração que os mercados e os juros locais exercem sobre as moedas estrangeiras, principalmente o dólar, e a política monetária interna. Esse dinheiro excedente, que não contém nenhum átimo de valor, mais tarde ou mais cedo será transformado em cinzas na fogueira da inflação ou deflação.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Além do risco de estagflação que ronda o centro do capitalismo, o agravamento da crise com a insolvência de países europeus ao não suportarem mais o peso da dívida, é real e palpável. A previsão é que a dívida na Grécia chegue a 160% do PIB em pouco tempo; não deve ser diferente nos outros países em situação semelhante que só conseguem dinheiro no mercado absurdamente caro para cobrir os déficits ficais. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Sendo esse o cenário, os bancos europeus serão atingidos em cheio. As ondas destruidoras deverão alcançar bancos da América do Norte. Esse segundo momento de colapso do sistema financeiro pode ser pior do que o primeiro, com o agravante de que as medidas tomadas pelos bancos centrais após a falência do Lehman Brothers encontram-se esgotadas. A outra ponta utilizada para que o mundo não afundasse em uma depressão, as medidas anticíclicas que garantiram aos países emergentes retomarem o crescimento, serão muito mais difíceis num momento em que estes desaceleram para controlar a inflação. Mesmo assim há sinais de que as medidas de arrocho não tem surtido o efeito esperado, apesar dos discursos oficiais otimistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Saindo da superestrutura financeira e penetrando na economia real, veremos que é aí que mora o problema. Depois da Segunda Guerra Mundial, a expansão fordista só foi possível com o endividamento do Estado, das empresas e das famílias, apesar da expansão do mercado de trabalho. Nos anos oitenta, com a revolução tecnológica, acelerou-se a automação das atividades industriais, do campo com a mecanização do plantio e da colheita, e, mais tardiamente dos serviços, tendo no setor financeiro o exemplo mais marcante. Portanto, forçada pela concorrência, a produtividade do trabalho dá um salto gigantesco com a “cientifização” da produção. Começa então a estagnação do mercado de trabalho&amp;nbsp;e o declínio do trabalho produtivo&amp;nbsp;com o desaparecimento de antigas atividades agora incorporadas as máquinas e com&amp;nbsp;novas formas de organização do processo de trabalho, repercutindo na formação da mais-valia total, e, consequentemente, na acumulação de capital e no financiamento do Estado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Vários foram os espasmos da crise antes de 2001, quando entrou em colapso a indústria do pontocom. Cada doloroso momento de destruição foi seguido da expansão do crédito em todos os segmentos do capitalismo global: às empresas, forçadas pela concorrência, para aquisição de novas máquinas que aumentassem a produtividade, aos estados para cobrir os déficits fiscais e às famílias para manter o consumo em alta. Como não existia dinheiro real para sustentar tudo isso, a saída foi expandir o crédito ao infinito, desencadeando uma pirâmide financeira coletiva de financiamento e refinanciamento de dívidas, e desatar os nós que dificultavam a geração de capital fictício. Vieram então as medidas de desregulação financeira. Ressalve-se, no entanto, que o papel dos legisladores nesse processo foi de avalizar o que o mercado já tinha feito, ou seja, limpar o “entulho” que não se aplicava a mais nada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Sob os efeitos das bolhas que nesse ambiente pululavam, a economia real iniciou um falso movimento em direção ao desconhecido. Acoplou-se definitivamente ao capital fictício que alimentava o crédito fácil e seguiu sua rota. O capital fictício não era mais uma anomalia do desenvolvimento capitalista que precisava ser purgado nas crises cíclicas, para que a acumulação seguisse seu caminho livre de eventos perturbadores. Ao contrario, a economia real transformara-se gradativamente em apêndice do capital fictício, e passara depender deste como o cristão do batismo. Isso impossibilita qualquer regulação que ponha em risco a formação do capital sem substância.&amp;nbsp;Só os&amp;nbsp;estoques&amp;nbsp;de derivativos&amp;nbsp;supera em dez vezes o PIB mundial e continuam crescendo.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Mas, como vimos, depois do “efeito riqueza”, as bolhas explodem deixando um rastro de destruição que o mercado acredita reparar com novas formações. Os estados, ao tornarem-se insolventes, podem desabar sobre o peso da dívida. Vivemos um momento singular: no mercado, as bolhas explodindo quase na mesma velocidade que se formam deixam uma terra arrasada sem grandes chances de nela se cultivar alguma coisa. Os estados, no limite do endividamento, apelam para máquina de imprimir moedas, cujo efeito colateral pode ser a hiperinflação com mais destruição. Os pulmões de aço que injetam oxigênio, capital fictício, na economia real moribunda começam a falhar sem que outros mecanismos surjam para substituí-los. A sociedade capitalista, ao contrário da velha senhora, pode não “morrer melhorada” como desejava o médico militar. Pode ser precedida de um interminável sofrimento se não soubermos agir para&amp;nbsp;um desaparecimento sereno que no futuro seja um evento lembrado com alegria e não com saudade do passado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;01.06.2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-876207454325864028?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/876207454325864028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=876207454325864028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/876207454325864028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/876207454325864028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/06/morte-melhorada-de-uma-velha-senhora.html' title='A morte melhorada de uma velha senhora'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4225488093182049658</id><published>2011-04-17T17:38:00.008-03:00</published><updated>2011-07-09T06:11:37.071-03:00</updated><title type='text'>Regulanção e desregulação, a serviço de quem?</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aplicação da lei Dodd-Frank aprovada pelo Congresso Americano, que propõe regulamentar o mercado financeiro nos EUA, acirra o debate entre defensores e contra a dita lei. No entanto, regulamentar o mercado financeiro globalizado, cuja complexidade é incapaz de ser compreendida em sua totalidade&amp;nbsp;pelos operadores desse mercado, pelos funcionários das agências regulatórias e também pelos legisladores, como tem mostrado a crise em processo, será difícil mesmo se a lei fosse aplicada a todos os mercados. Torna-se menos provável seu sucesso quando sabemos que a legislação está restrita a um único País, embora seja este o maior detentor mercado financeiro do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regulação pode funcionar em determinadas situações, mesmo que não plenamente, quando aplicada de forma restrita em defesa do capital e sua lógica, contra as intervenções governamentais consideradas indevidas e abusos de grupos privados que possam afetar a rentabilidade do capital do setor regulamentado como um todo. As empresas, de um modo geral, aceitam investir quando através de legislação tem a garantia de que as regras dos mercados serão respeitadas pelos governos. Essa é a regulação possível. No entanto, como mercado financeiro e o Estado no momento atual do capitalismo funcionam como motores da geração de capital fictício necessário à manutenção simulada da economia real, a aplicação de normas que se contraponham a essa tendência, ou não pega, pois logo vai se encontrar meios capazes de facilitar a fuga das restrições impostas, ou jogará o mundo em depressão pelo corte do suprimento do capital sem substância que mantem a economia respirando nas três últimas décadas. O mais provável é a&amp;nbsp;legislação não firmar-se ou ser mutilada de tal forma na regulamentação para sua aplicação que nenhum impacto será sentido pelo mercado financeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo os legisladores que aprovaram a lei Dodd-Frank, não entendem que a desregulação financeira impelida pelas leis cegas do mercado, pois fim a uma legislação que já não dava conta de uma nova realidade. O “entulho”, como assim gostavam de chamar os neoliberais às leis que aparentavam dificultar que o novo aflorasse com toda força, já tinha sido superado pela dinâmica da realidade que se impunham ao mercado. Que realidade era essa? O chamado capital fictício, ou seja, todo capital que não é gerado pela real “valorização do valor” (Marx), sempre esteve presente desde os primórdios do capitalismo. Com a crise do trabalho produtivo, gerador de mais-valia, o capital fictício, antes tido como um evento efêmero que era purgado nas crises cíclicas do capitalismo, a partir dos anos 80, com a revolução tecnológica passa a ser determinante na manutenção do movimento, mesmo que falseado, da engrenagem de acumulação de capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os neoliberais foram os primeiros, ajudados pela crença fanática em relação ao poder da “mão invisível do mercado”, a levantarem a bandeira da desregulação. A direita moderna compreendeu “institivamente” a incapacidade de a regulação dar conta da realidade que emergia, e utilizou a favor de seus objetivos conceitos e valores que lhe convinham. Equivocara-se ao querer varrer qualquer coisa que cheirasse interferência do Estado na economia, como se este fosse um ente estranho que se contrapunha ao bom funcionamento das leis do mercado. Descobrira tardiamente numa experiência dolorosa com os espasmos da crise em 2008/2009, que o Estado era a outra face da sociedade capitalista, não existia só o festejado mercado. Sem nenhum escrúpulo, e rapidamente se desfazendo de todo o arsenal teórico quando se vira com dólar furado no bolso, estendeu ansiosamente o pires para as gordas esmolas daquele que tanto combatia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entusiasmo pelo mercado, no&amp;nbsp;ápice do&amp;nbsp;período neoliberal, alastrara-se aos sociais democratas, socialistas e aparentados. A esquerda desorientada inventava moda como a “Terceira Via” e até cunhara um termo “socialismo de mercado”, uma forma acanhada de dizer ao que tinha renunciado. Com a queda do muro de Berlim decretara-se o “fim da história” e o mercado já absoluto passou a ser eterno. A arrogância neoliberal, que arrasta consigo uma social-democracia resmungona e sem norte, triunfou até ser abalada no segundo ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hegemonia neoliberal, agora reconhecendo a importância do Estado que antes tanto combatia e desprezava, refez alguns conceitos para se adaptar aos novos tempos, mas continua em frente acreditando ter a solução para crise. E a esquerda “tradicional”? Essa ainda atarantada segue acreditando em fórmulas do passado como meios de superação da crise. Com o dedo em riste, fica a apontar para o suposto inimigo e a dizer-lhe que estava com a razão em sua defesa do Estado, como se este estivesse acima de qualquer suspeita e distante da contaminação&amp;nbsp;pelo vírus mercantil. Exige medidas regulatórias que possam encabrestar o sistema financeiro. Não consegue entender que são essas amarras rompidas pelo mercado e pelo&amp;nbsp;Estado com novas regulamentações,&amp;nbsp;que garantem há muito a formação do capital fictício que alimenta a economia real em crise. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não se buscar saída além dos limites de funcionamento da sociedade capitalista, a crise persistirá ou na forma de estouro de bolhas no mercado ou de endividamento insustentável&amp;nbsp;dos Estados. Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e outros Estados já assinalados como os próximos da lista de socorro financeiro são a ponta do iceberg de uma crise bem maior das dívidas “soberanas”. A tendência é o encurtamento do tempo entre um espasmo e outro da crise, jogando um número cada vez maior de indivíduos na miséria, até o rompimento total do tecido social já dilacerado. Aí a guerra civil ou entre nações pode surgir como uma enorme possibilidade se não se encontrar caminhos para uma sociedade emancipada do fetiche do valor, capaz de romper a “gaiola de ferro” (Weber) em que nos metemos. Rebeliões como as do Oriente Médio e do Norte da África, que ainda buscam saída nos limites da sociedade capitalista, podem cair na armadilha onde todos mudam para continuar como estar. Quando descobrirem o engodo, há risco de confrontos violentos como vazão às frustações misturadas&amp;nbsp;a um tipo de&amp;nbsp;motivação religiosa que explora o desespero com fins políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17.04.2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4225488093182049658?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4225488093182049658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4225488093182049658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4225488093182049658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4225488093182049658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/04/regulando-as-relacoes-comerciais.html' title='Regulanção e desregulação, a serviço de quem?'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7526641115020052959</id><published>2011-02-13T14:58:00.008-02:00</published><updated>2011-02-13T22:02:45.885-02:00</updated><title type='text'>A rebelião dos jovens desempregados do Norte da África</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A única cura infalível para o desemprego entre jovens, porém, é um crescimento econômico forte e sustentado, que gere tanta demanda por mão de obra que os empregadores não tenham escolha a não ser contratar os jovens.” Do artigo: “Desemprego de jovens se torna epidemia mundial.” Do articulista Peter Coy, Bloomberg Businessweek. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comovente assistir em tempo real os desenrolar dos fatos no Egito, que culminou com a derrubada de Mubarak do poder após 30 anos de regime autoritário de partido único, para quem vivenciou situação semelhante. Mas, as emoções que afloram dessa explosão espontânea, não podem embotar a consciência crítica nem criar ilusões sob o desfecho dessa rebeldia juvenil. Como fenômeno mundial, qual a relação entre os jovens rebeldes dos subúrbios da França que incendeiam carros e os que derrubam governos como os da Tunísia e do Egito? A primeira é que se trata, em grande maioria, de jovens desempregados, frustrados por serem excluídos do mercado e do consumo. Aspirações consideradas legítimas para quem vive em uma sociedade, que se não consegue trocar sua força de trabalho por outras mercadorias, mesmo que seja só para garantir o necessário para repor as energias gastas, põe em risco à sobrevivência social e física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses jovens, porém, tem seu horizonte limitado ao estabelecido, e suas reivindicações se deparam com um caudaloso rio, cujas correntezas aumentam à medida que se tenta vencê-las, e empurra todos para traz. Nesses países, o crescimento do PIB não é suficiente para tirar os jovens do desemprego como alguns acreditam, mesmo que num primeiro momento isso aparente real. A tendência é o rio caudaloso, com a competição internacional e a intensificação da produtividade com novas tecnologias de produção chegando às fábricas, jogar jovens e não jovens em idade produtiva para o capital longe de seu leito. Essa segunda questão está relacionada com o desemprego chamado estrutural que atinge de forma diferente, indivíduos de todas as idades, com tendência a se agravar globalmente. Esse é um dos grandes impasses do capitalismo que emergiu com a revolução tecnológica: quanto mais produz mais dispensa força de trabalho, substância do valor&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/09/na-corrida-pela-produtividade-para-sair.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira, a insatisfação que explode em rebeliões localizadas ou nacionais, são sintomas de reação ao rastro destruidor e resistência à administração autoritária da crise. Países como o Egito e a Tunísia, pelo tamanho do desemprego, mesmo pequenas variações negativas no crescimento econômico, repercutem fortemente no mercado de trabalho e no consumo das famílias. A solidariedade intrafamiliar é maior que no Ocidente, e como as redes de proteção social do Estado são precárias ou inexistentes, o salário de um membro da família empregado pode ser o único rendimento regular do agregado familiar. A rebelião nesses países, como também se assistiu no Irã, geralmente são reprimidas com muita violência e mortes. Apesar disso foi possível resistir e derrubar dois governos extremamente repressivos e autocráticos, enquanto os serviços de segurança interno e&amp;nbsp;dos aliados americanos e europeus, como os analistas econômicos antes do espasmo da crise, acreditavam que tudo era céu de brigadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na França&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/furedi-e-rebelio-dos-jovens-na-frana.html"&gt;(2)&lt;/a&gt; e em outros países da Europa, a repressão tem direcionado sua força contra os imigrantes, geralmente desempregados, muitos vindos do Continente Africano e do Oriente Médio, que reagem de forma caótica, destruído o que encontram pela frente em suas manifestações. O discurso no mínimo discriminatório de muitos governantes tem aumentado o clima de desconfiança entre o homem branco europeu e os imigrantes e descendentes. Medidas claramente racistas, antes só defendidas por partidos de extrema direita e agora aplicadas por partidos ditos de centro e de esquerda, tem tido o apoio das populações locais, apoio que se amplia à medida que o espectro de aprofundamento da crise se mantém como ameaça. Culpar os imigrantes pelos empregos perdidos é fórmula demagógica encontrada pelos políticos de vários credos, que acreditam assim convencer a população com explicações simplificadas para complexos problemas, e desvia o olhar de questões fundamentais relacionadas com a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscar saída para o desemprego entre os jovens num “crescimento econômico forte e sustentado” como propõe Peter Coy, é uma ilusão no momento atual do capitalismo. Mesmo no transcorrer de seu artigo, onde constata que o desemprego é um fenômeno mundial que atinge brutalmente os jovens, ao comentar várias experiências e estudos de especialistas mostra o quanto é difícil à solução, quando se pensa em opções dentro dos limites do capitalismo. É precisa ficar claro que a derrubada de Mubarak, mesmo que haja eleições livres e limpas, ainda uma dúvida, não significa nenhuma “ruptura com o contínuum da história” (Walter Benjamin). As formas de dominação e sofrimentos&amp;nbsp;poderão perpetuar-se e dificilmente haverá solução para o desemprego, cuja tendência é acentuar-se com a crescente automação da produção. A rebelião, porém,&amp;nbsp;consolidando-se como&amp;nbsp;movimento de resistência ao que estar aí, tem&amp;nbsp;importante papel&amp;nbsp;ao tirar debaixo do tapete, forçando uma pauta, questões que incomodam os gestores da crise&amp;nbsp;do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/09/na-corrida-pela-produtividade-para-sair.html"&gt;(1)Na corrida pela produtividade o capital seca o fonte que o alimenta&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/furedi-e-rebelio-dos-jovens-na-frana.html"&gt;(2)Furedi e a rebelião dos jovens na França&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.02.2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7526641115020052959?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7526641115020052959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7526641115020052959' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7526641115020052959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7526641115020052959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/02/rebeliao-dos-jovens-desempregados-do.html' title='A rebelião dos jovens desempregados do Norte da África'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-2559882107537488821</id><published>2011-01-25T16:05:00.006-02:00</published><updated>2011-03-12T09:52:31.645-03:00</updated><title type='text'>O retorno do emprego na indústria ou saudades de um passado que não volta mais</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa surgir na imprensa um forte debate sobre qual capitalismo deverá ressurgir após o tão esperado estancamento da crise. Dizem que Obama e sua corte de economistas preferem que nas cinzas ainda em brasa seja erguido um novo edifício aonde se priorize a indústria com vistas ao mercado externo. É voz corrente entre assíduos frequentadores dos salões palaciano da Casa Branca, que o Presidente americano assumiu a tese da necessidade da expansão do emprego industrial como forma de reduzir o desemprego e se contrapor ao surgimento de novas bolhas. A economia americana, centrada em serviços, com a indústria contribuindo com apenas 8% do total de empregos, teria que elevar esse número para aproximadamente 25%, segundo os defensores da tese de que só com esses níveis de emprego industrial seria possível barrar o surgimento de outras bolhas e melhorar a média salarial do trabalhador americano. Parece haver uma importante contribuição dos desenvolvimentistas tupiniquins ao que hoje é defendido na América do Norte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, os detratores dos industrialistas tradicionais, ao atacarem, dizem que poucos sabem sobre a tendência “natural” aos serviços das economias maduras. Para eles não é a indústria produtora da vulgar e palpável mercadoria que deve receber a atenção do Governo, estas podem ser fabricadas a preços módicos no sujo e ávido por lucro mundo em desenvolvimento e ainda culpa-los pelos desastres sociais e ecológicos que ceifam vidas. Acreditam que a atenção deve ser dirigida as indústrias de bens imateriais, como Facebook, Google etc., e aquelas que se propõe gerar energia limpa para ansiosos consumidores. Centrar o esforço nas indústrias de alta tecnologia, inclusive a militar, para suprir o mercado interno e exportar, é o que defendem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que a expansão da indústria fosse o caminho para diminuição do desemprego e a sustentada retomada como querem os primeiros. Mas será que os produtos americanos conseguiriam, no mercado mundial, competir com os similares chineses e de outros países que pagam baixos salários? Mantendo as condições atuais das indústrias, seria necessário que as empresas americanas aproximassem os salários de seus funcionários aos dos trabalhadores chineses, missão&amp;nbsp;difícil&amp;nbsp;apesar da&amp;nbsp;depressão&amp;nbsp;salarial que vem afetando os&amp;nbsp;trabalhadores não qualificados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra saída seria a intensificação ao extremo da produtividade através de novas tecnologias capazes de compensar os baixos salários dos países da periferia do capitalismo, que garante preços competitivos para suas mercadorias. Isso significaria altos investimentos em capital fixo, que só seria possível com mais endividamentos. Provavelmente não seria a solução para o desemprego na indústria local e, ainda, poderia fazê-lo aumentar em outros países. Mesmo assim, a tendência dos países em desenvolvimento em investir em máquinas e equipamentos para aumentar a produtividade, mantendo dentro do possível baixos os salários dos que ficam, dificultaria tais intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opção de aumentar a fatia do emprego industrial no mercado interno, considerando a alta “lucratividade” no momento do setor empresarial, fruto da política expansionista e generosa do Federal Reserve, das demissões e da desvalorização do dólar que facilita as exportações, exigiria um afastamento das indústrias americanas da zona de conforto fora de suas fronteiras, onde uma certa rentabilidade ainda é possível com investimentos menores. O movimento que se observa é uma fuga das empresas globais para áreas mais carentes do terceiro mundo em busca de baixos salários e de Estados autoritários que mantêm todos sob controle. Na Ásia, a&amp;nbsp;corrida já se desloca do mercado de trabalho chinês com custos salariais em ascensão, para Bengladesh, Laos, Camboja&amp;nbsp;e Vietnam, onde os salários são mais baixos e os trabalhadores habituados à férrea disciplina militar da caserna, adaptam-se as fábricas sem resistências. Mesmo os ramos industriais de ponta, que não apresentam essa mobilidade e se mantem nos países-sede, acossados pelo fogo cerrado da concorrência, são obrigados, sempre recorrendo ao crédito, fazerem enormes investimentos em automação para aumentar a produtividade, expulsando trabalho, substância do valor, da engrenagem de valorização do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a contração do mercado interno, tem sido possível o aumento das exportações americanas para os países que tem suas moedas apreciadas em relação ao dólar e vem expandindo o PIB. Se os rumos mudam, não há nenhuma garantia do prosseguimento desse movimento que nem sequer tem&amp;nbsp;parado as demissões, apesar de todo estímulo do Governo visando à criação de novos postos de trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A percepção dos analistas burgueses, que associam a queda do emprego na indústria com o surgimento das bolhas é parcial, como dizem: veem as árvores, mas não enxergam a floresta. Sabem que a rentabilidade vem caindo, mas só percebem no crescimento do trabalho improdutivo, ou seja, no trabalho que não gera mais valia, o problema. A acelerada expansão das terceirizações nas últimas décadas foi a aparente saída, encontrada pelo neoliberalismo, para este impasse. No entanto, isso não impediu o aprofundamento da crise e os apelos às bolhas, todas, direta ou indiretamente, ligadas a necessidade de crédito sem limites como forma de manter em andamento a acumulação simulada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusões baseadas em observações que desconsideram a análise da lógica interna do funcionamento do capitalismo e a história dessa forma específica de produção, que irreversivelmente, forçada pela concorrência, aumenta a produtividade liberando força de trabalho, são insuficientes por não revelar as tendências imanentes à dinâmica do capital verificadas a longo prazo. Portanto, para decepção dos saudosistas de direita e esquerda, é pouco provável essa volta ao passado do emprego industrial com os rearranjos da economia mundial, aos níveis desejados nos EUA e em outros países desenvolvidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25.01.2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-2559882107537488821?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/2559882107537488821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=2559882107537488821' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2559882107537488821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2559882107537488821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2011/01/o-retorno-do-emprego-na-industria-ou.html' title='O retorno do emprego na indústria ou saudades de um passado que não volta mais'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-2315563816073720467</id><published>2010-12-14T21:54:00.003-02:00</published><updated>2010-12-24T19:21:21.415-02:00</updated><title type='text'>A caixa mágica de Bernard Madoff</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aumento da produtividade pela incorporação de novas tecnologias impulsionada pela concorrência global, tornando supérfluo o “trabalho abstrato” na produção de mercadorias, manifesta-se nos negócios como aumento do capital fixo em detrimento da força de trabalho, desemprego estrutural e queda da rentabilidade na economia real. Como não há capitalismo sem lucro empresarial, ou seja, sem produção de mais-valia, busca-se na criação de capital fictício um simulacro da acumulação em crise. A partir daí, qualquer absurdo que aparentemente possa contribuir para o não desmoronamento do sistema é aceito como lógico, mesmo que no dia seguinte seja descartado como lixo. É nesse contexto que certas criações do mercado só aparecem como “loucura” a posteriori, quando devoram seus criadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dessas invenções, o caso Madoff, um fundo com mais de 50 bilhões de dólares, por envolver grupos financeiros e gente considerada importante no mercado, sendo ele mesmo uma dessas personagens referenciadas na Wall Street, é o que mais repercutiu no show midiático dos últimos anos. Antes de se desfazer no ar, aparecia aos olhos de ambiciosos investidores como uma caixa mágica onde seu dinheiro entrava e saia duplicado. Como lá dentro não existiam máquinas da casa da moeda capazes de transformar papel em branco em notas verdes, todos sabiam que algum tipo de fraude era praticado. Inclusive grandes bancos como o HSBC, onde 33% de todos os recursos encaminhados para o fundo Madoff passaram por suas subsidiárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somam-se ao HSBC uma longa lista de outros bancos americanos e europeus: Santander, JPMorgan, UBS, Citigroup, UniCredit e o Sonja Kohn, só para citar alguns, que com seus fundos alimentavam a trama sabendo que o esquema era insustentável, segundo denuncia de Irving Picard, administrador encarregado de recuperar o dinheiro perdido. Como fora possível a aceitação de tamanha fraude por investidores e instituições que conheciam as regras do mercado e pareciam fora de qualquer suspeita aos olhos da sociedade? Perguntam-se atônitos alguns analistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esquema Ponzi como o aplicado por Madoff, onde um fundo de investimento paga gordos rendimentos aos primeiros investidores com o dinheiro investido pelos últimos a entrarem, é mais comum no aparente sério mundo dos negócios do que imaginam alguns mortais. É a forma extrema de se “multiplicar” o dinheiro sem nenhuma mediação, movido pela lógica da geração de capital fictício. Nesse mercado de ilusões, o real só aparenta ser real nos momentos de crise. Mesmo assim de forma passageira, fugaz, mas com suficiente força para causar estragos significativos. Passado este momento tudo continua movendo-se como dantes até um novo terremoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática do esquema Ponzi são formas não mais encobertas pelo véu da dissimulação, que esconde a fraude do capital em processo de interrupção da acumulação na economia real. Quando revelado, geralmente ultrapassa os limites aceitos na simulada acumulação das bolhas de todo espécie e na impressão de dinheiro sem substância pelos Estados nacionais. Impelido pela mesma lógica especulativa que faz a máquina do capital fictício mover-se, deixa os investidores seguros, mesmo aqueles com mais consciência do risco, pois é parte do jogo do mercado. Só se manifesta como “escândalo”, quando esgotado, desmorona transformando em cinzas o dinheiro investido, sacudindo da letargia os sistemas regulatórios que tudo sabiam, mas se recusavam investigar, achando que deveria ficar por conta do mercado corrigir o que poderia ser considerado aberrações, das quais provavelmente se beneficiavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão entre os que defendem que sejam utilizados os mecanismos do mercado para coibir os excessos e os que defendem a intervenção regulatória do Estado para corrigir as imperfeições, é vazia de conteúdo. Pois o Estado quando regula, ou é chamado para tanto geralmente nas crises, busca intervir não contra o capital, mas para garantir sua reprodução. Não podendo ser impeditiva da acumulação, a regulação torna-se, entretanto, um problema para capitalismo em crise que já não mais consegue sobreviver sem crédito ao infinito, bolhas e endividamento estatal, fábricas de capital fictício. O excesso que deveria ser reprimido, a profusão de capital fictício, funciona hoje como pulmão artificial que produz o oxigênio necessário à economia real moribunda. Cortando-se este suprimento o paciente pode morrer, e os agentes do Estado e do mercado sabem muito bem disso, daí o insucesso das tentativas recentes de aplicar regras mais rigorosas na regulação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, a crise da economia real, que ao gerar a necessidade de circulação de dinheiro sem substância para manter as aparências de que o valor não sofreu descontinuidade e continua em seu movimento de valorização, quem alimenta a formação de capital fictício e o surgimento das pirâmides financeiras. Quando olhamos acuradamente as engrenagens do capital financeiro que sustenta precariamente o funcionamento do capitalismo mundial, veremos que a caixa mágica de Bernard Madoff, não é nem mais, nem menos absurda do que o sistema que a gerou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.12.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-2315563816073720467?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/2315563816073720467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=2315563816073720467' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2315563816073720467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2315563816073720467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/12/caixa-magica-de-bernard-madoff.html' title='A caixa mágica de Bernard Madoff'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-1301489252785479922</id><published>2010-11-22T00:00:00.006-02:00</published><updated>2010-11-24T16:16:42.495-02:00</updated><title type='text'>A debacle do Panamericano, banco do grupo Sílvio Santos e o momento econômico</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguma relação entre a contida falência do banco Panamericano e a situação da economia mundial? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A surpresa foi total, dos contribuintes do baú da felicidade aos renomados analistas, todos perplexos perguntaram-se como pode um banco de um grupo aparentemente sólido ter que ser socorrido de um rombo de mais dois e meio bilhões de reais para não falir! Do espectador passivo, que recebe como verdadeiras as imagens escolhidas e repetidas pela mídia (para não esquecer Derbord), em que na tela, o principal proprietário desse grupo, distribui espetacularmente dinheiro e convence os seus seguidores que consumindo suas mercadorias estão comprando bilhetes premiados da felicidade, não se poderia esperar manifestação diferente. Para os analistas, habituados a palpitar com tanta segurança sobre os fundamentos da economia brasileira, a surpresa é um momento de estranhamento entre suas convicções e o comportamento dos fatos econômicos que fogem ao esperado, mesmo que tais fatos aparentem uma manifestação isolada da fraqueza de uma empresa. Isto os leva a ver apressadamente, na malversação dos recursos por interesses particulares à única causa da derrocada de uma empresa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os executivos dos bancos, corretores e gerentes, da mesma forma que os agentes de qualquer outra instituição não financeira, não separam seus interesses privados dos interesses das empresas para a qual trabalham. Podemos afirmar que é isso que os motiva. Acreditam alguns analistas que estes podem exceder os limites aceitáveis e levados por incentivos, enveredarem pelo chamado “risco moral”, quando de posse de informações privilegiadas se beneficiam financeiramente em detrimento dos acionistas e dos proprietários. É o problema das informações assimétricas que quando não controladas pode matar a galinha dos ovos de ouro, situação geralmente associadas à má gestão. No entanto, no capitalismo não há uma questão ética, mas de acumulação de capital. O termo “risco moral”,&amp;nbsp;expressa,&amp;nbsp;de forma incompleta,&amp;nbsp;como&amp;nbsp;se manifesta&amp;nbsp;à superfície dos fatos a&amp;nbsp;lógica&amp;nbsp;cega&amp;nbsp;que move os agentes econômico,&amp;nbsp;"a valorização do&amp;nbsp;valor como sujeito automático da sociedade (Marx).” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as dificuldades dos pequenos bancos não devem estar só relacionadas com a usura de poucos e a incompetência gerencial como quer a grande imprensa. Pode ser um agravante, sem dúvida, porém não se deve esquecer que com o encarecimento do dinheiro nas operações interbancárias em 2007 e 2008, associado a apostas ariscadas anteriores a este período, praticadas livremente por todos, deve ter afetado profundamente os balanços dos pequenos bancos. O repetido discurso oficial de que os bancos brasileiros são suficientemente sólidos e estão preparados para enfrentar a instabilidade financeira que assola o mundo não é verdadeiro&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/09/o-brasil-est-imune-crise.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;. Os primeiros desmentidos vieram da forçada fusão do Itaú com o Unibanco, cujo real motivo, o efeito da crise, só recentemente foi revelado por um diretor do Banco Centra, logo em seguida demitido, em matéria publicada no Jornal Valor Econômico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crises financeiras se propagam em ondas pelo globo. Atingem de forma desigual na intensidade e no tempo países e continentes, dependendo da integração de suas economias. Em certos momentos, águas que pareciam calmas tornam-se revoltas como agora assistimos na Europa. No Brasil, os diques velozmente erguidos pelo Governo com as estacas dos bancos estatais, para impedir que as ondas açoitassem com mais força a economia local, nem por isso deixou de fazê-lo. É só lembrar, entre outras, os enormes prejuízos com derivativos que atingiu grandes empresas e forçou a fusão da Sadia com a Perdigão. Mas no sobe e desce do balanço contínuo, os diques estatais podem soçobrar à energia das ondas, transbordando ou rompendo-se por não suportar a pressão.&amp;nbsp;A debacle do Panamericano pode ser o primeiro sinal. As dificuldades no câmbio na luta feroz pelos mercados, agravadas pelas recorrentes emissões de dinheiro sem substância pelo Fed e o endividamento público das nações sem precedente em tempo de paz, tende intensificar mais ainda a força destruidora crise financeira mundial. E o que parecia uma “marolinha” para o atual Presidente, pode transformar-se em um tsunami para sua sucessora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/09/o-brasil-est-imune-crise.html"&gt;(1) O Brasil está imune à crise?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21.11.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-1301489252785479922?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/1301489252785479922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=1301489252785479922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1301489252785479922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1301489252785479922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/11/o-debacle-do-panamericano-o-banco-do.html' title='A debacle do Panamericano, banco do grupo Sílvio Santos e o momento econômico'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7543913338770012675</id><published>2010-10-25T23:09:00.009-02:00</published><updated>2010-11-27T16:47:33.936-02:00</updated><title type='text'>Tropa de elite e a degradação do Estado</title><content type='html'>Rall &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo filme do diretor José Padilha, busca mostrar a violência que grassa os aparelhos de segurança do Estado, associada a uma corrupção crônica que se estende ao Executivo, Legislativo e, menos evidente, ao Judiciário. O filme se desenrola contado a história das milícias do Rio de Janeiro, que surgem a partir da relação de militares com o crime organizado. Observam que os criminosos montaram nas favelas uma eficiente empresa que se ocupa não só da venda de drogas, mas também do monopólio da distribuição de gás, venda de ligações clandestinas de TV a cabo e de outros lucrativos comércios. Os policiais de um batalhão, não satisfeitos com o valor da propina paga pelo tráfico, resolve tomar uma favela e assumir o comércio dito informal, expulsando os traficantes e instituindo um Estado paralelo, com cobrança de “impostos” para garantir a segurança do cidadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demora e o achado que promete “segurança” à população e muito dinheiro para os envolvidos, chega ao núcleo do poder político&amp;nbsp;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/da-doce-iluso-consentida-m_115025003985596153.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;&amp;nbsp;cujos membros se aliam as milícias e passam a ordenar a ocupação das favelas pelas tropas de elites, deixando o território livre para instalação de bandos armados, acobertando o crime organizado gestado nas corporações militares. Os políticos ganham com a repercussão manipulada dos fatos e com a divisão do butim. Apesar de o filme tentar retratar a situação particular do Rio de Janeiro, capta uma realidade mais geral em movimento, não restrita só aos Estados brasileiros, mas que hoje atinge todo o mundo globalizado. Daí uma das qualidades do filme como obra cinematográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise pela qual passa a sociedade capitalista tem evidenciado o quanto Estado e mercado se complementam inclusive na bandalheira. Os trilhões de dólares e outras moedas transferidas pelos estados em todo mundo para cobrir os prejuízos do mercado com papéis podres e pirâmides financeiras mostra que a lógica é a mesma, só muda a forma: fazer dinheiro, mesmo que fictício, sem importar-se o custo humano e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concorrência que se acirra com a intensificação da crise de acumulação real de capital, assume na sociedade burguesa uma dimensão espantosamente destruidora, incapaz de ser contida em seus excessos por um Estado cada vez mais contaminado por essa lógica. Portanto, a degradação do Estado que o distancia de sua forma “ideal” é o reflexo das taras de uma sociedade em profunda crise que atingem todos seus interstícios. Estado e mercado, que são partes do todo que constituem a sociedade burguesa, apesar de em alguns momentos passarem por violentas tensões resultantes das contradições inerentes, não vivem um sem o outro e alimentam-se mutualmente em sua miséria, movidos pelo fetiche do dinheiro venerado por todos. A loucura do mercado financeiro não está desacoplada da economia real como muitos desejam e (ou) como tenta convencer outro filme, “Wall Street 2: O dinheiro nunca dorme” , mas tem na crise de “valorização do valor” da economia real sua causa fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sair disso e nos livrar da barbárie? Com certeza não através do Estado burguês, que se degenera em grupos mafiosos violentos e nem sequer consegue mais administrar a crise, como deseja uma esquerda que se alimenta de&amp;nbsp;literatura e&amp;nbsp;conceitos mofados no tempo&amp;nbsp;e é incapaz de romper o arcabouço ideológico ao qual estão amarradas suas fantasias. Se a crítica social não quiser sucumbir ao totalitarismo da mercadoria que nos sufoca, tem que dirigir suas baterias às formas existentes, abrindo frestas em todas as frentes para que se enxerguem outras formas de organização em formação capaz de superar o estado de coisa em que vivemos, antes que seja tarde demais para se alcançar uma verdadeira comunidade humana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperamos que o próximo filme da série, o Capitão Nascimento, apesar das expectativas, não seja transformado no herói capaz de realizar a limpeza ética do Estado, que regenerado, coloca-se pronto para extirpar pelo uso da força as pontas podres do sistema. Pois essa coisa estranha e fora de controle chamando “sistema”, é a expressão de força de um Estado capitalista cada vez mais armado contra os indivíduos e a possibilidade de uma sociedade solidária, planejada e construída a partir das reais necessidades humana. Seria melhor manter nos filmes vindouros a crítica negativa aberta do que buscar um final feliz, que anestesia com imagens espetaculares a possibilidade de reflexões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/da-doce-iluso-consentida-m_115025003985596153.html"&gt;(1) Da doce ilusão à consentida mentira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25.10.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7543913338770012675?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7543913338770012675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7543913338770012675' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7543913338770012675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7543913338770012675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/10/tropa-de-elite-e-degradacao-do-estado.html' title='Tropa de elite e a degradação do Estado'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7132356803809326706</id><published>2010-10-10T22:59:00.007-03:00</published><updated>2010-10-30T09:06:05.709-02:00</updated><title type='text'>A crise aproxima-se perigosamente do câmbio</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Rall&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As medidas dos governos em defesa dos mercados domésticos que tem levado a variações cambiais, sinalizam que a unidade em torno do enfrentamento da crise começa a se desfazer com a esperada retomada do crescimento econômico derrapando nas dificuldades estruturais. A chiadeira é geral: reclama-se da China que administra burocraticamente o yuan, garantido uma certa estabilidade frente a uma cesta de moedas, principalmente ao acompanhar as seguidas desvalorizações do dólar. Fala-se na necessidade de valorização do yuan permitindo um equilíbrio nos preços dos produtos das exportações chinesas que vem arruinando as indústrias dos países em desenvolvimento e dificultando a retomada da produção nos países desenvolvidos ao inundar o mundo com mercadorias baratas. Oferecem como sugestão que a China estimule o mercado interno de tal forma que o mesmo seja capaz de absorver as mercadorias que vão para fora e também o excedente de países desenvolvidos. Sugestão que não precisa de um observador muito atento à economia chinesa para entender a impossibilidade da criação desse tão cultuado mercado local nas condições dadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal desejo dos “formuladores” das políticas econômicas dos países do centro não se restringe a China, é estendido a todos os países ditos emergentes com saldo na balança comercial. Acredita-se que chegou a hora de se inverter a lógica dos circuitos deficitários, ou pelo menos de se buscar um equilíbrio mais justo nas transações comerciais corrigindo-se as distorções. É nesse contesto que devem ser analisadas as atuais ondas desvalorização do dólar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trajetória de queda do dólar no tempo deve-se a um conjunto de variáveis complexas. Está relacionada com a crise do dinheiro em geral que se torna mais evidente nesta moeda pelo papel que exerce de equivalente geral, cuja única âncora que lhe garante esta função com o fim da paridade ouro/dólar, passa a ser poder político/militar americano. Quando se analisa a história do dinheiro após a segunda guerra mundial, o dólar na função de dinheiro universal expressa melhor a desvalorização das moedas levada a efeito pelo aumento da produtividade, que diminui o “tempo de trabalho socialmente necessário à produção de mercadorias (Marx)”, induzindo a corrosão do valor e a consequente queda dos preços dos produtos. Enquanto “mercadoria rainha”, o dinheiro tende a acompanhar a desvalorização do valor no tempo independente das variações conjunturais. Nos mercados financeiros o dinheiro que rende juros, autonomizado em relação à produção, perde seu “status” e é transacionado como uma vulgar mercadoria. Empacotado com papéis de cores diferentes atende do mais simples ao mais refinado gosto dos investidores. Dessa forma, o dinheiro ao se multiplicar descolado do processo real de valorização gera capital fictício. Como o preço das mercadorias que oscila ao sabor das conjunturas, nas relações de mercado o dinheiro flutua em variadas situações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São, portanto, diversas as circunstâncias que levam as moedas a flutuarem umas em relação às outras, independente da queda do valor das mercadorias pelo aumento da produtividade. Em relação ao dólar pode-se afirmar que estão relacionadas com os interesses americanos enquanto superpotência econômica e militar. Na situação atual, a fraqueza e a tendência à deflação da economia americana, mostram-se como importantes elementos que pressionam o dólar para baixo. Mas são as medidas que buscam conter esta situação, como o afrouxamento monetário com emissão sem precedente de dólar para salvar bancos e conglomerados empresariais, o principal responsável pela perda de força dessa moeda. A inflação do dólar por esse mecanismo, se por um lado busca salvar empresas e reativar o crédito, por outro repercute nas importações e exportações americanas com as alterações no câmbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mudanças cambiais nos EUA repercutem em todo mundo por ser este País o maior sorvedouro de mercadorias do planeta vindas praticamente de todos os cantos da terra e por ter o dólar à função de moeda universal. Quando o dólar recua em relação às demais moedas, os produtos americanos tornam-se mais competitivos e as exportações tendem aumentar. Esse fato, porém não é verdadeiro para países que mantém sua moeda desvalorizada artificialmente por estar atrelada ao dólar como acontece com a China. Nos câmbios flutuantes, os governos geralmente superavitários, tendem a se protegerem comprando dólar e formando reservas gigantescas nessa moeda, praticamente não remuneradas que se desvalorizam. O excesso de dinheiro sem substância emitido, não absorvido pela produção e consumo nos países do centro, vem fluindo para países da periferia do capitalismo, agravando os desequilíbrios cambiais com a valorização das moedas e formando bolhas nesses mercados que não deverão se sustentar por muito tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é o exemplo mais contundente desse fenômeno. Apesar da defesa que se faz dos bons “fundamentos da economia” (o que se quer dizer com isso numa economia globalizada?) quando se trata de exportação, observa-se que na relação entre bens industriais e produtos primários o pêndulo vem se deslocando no sentido dos últimos&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/06/tendncia-da-indstria-brasileira.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;. A perda de competitividade da indústria brasileira relacionada com a baixa produtividade, infraestrutura precária, agravada agora com os desequilíbrios cambiais salta aos olhos. A saída via desvalorização do Real por medidas administrativas ou pelo previsto déficit na balança comercial nos próximos anos, pode se mostrar insuficiente para enfrentar a enxurrada de mercadorias vindas de toda parte do mundo, principalmente da China. Com os ânimos acirrados os interesses nacionais tendem prevalecer e fica difícil um acordo global para o câmbio como assim desejam o FMI e alguns governos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na China dois fenômenos manifestam-se com maior visibilidade. Pelo fato do yuan estar atrelado ao dólar, a queda deste leva a desvalorização da moeda chinesa em relação as demais, deixando seus produtos arrasadoramente competitivos quando comparados com de outros países. As mercadorias da “fábrica do mundo”, como assim é chamada a China, invadem mercados e desestruturam parques industriais em todo mundo, principalmente nos países menos desenvolvidos, compensando com isso a redução das vendas para os EUA. Por outro lado, as empresas americanas, apesar de expandir suas vendas externas favorecidas pelo câmbio, não conseguem competir internamente com os produtos chineses devido a desvalorização administrada do yuan e aos baixíssimos salários pagos aos trabalhadores, fórmula utilizada pelo governo chinês para compensa a baixa produtividade de suas indústrias e que o leva a resistir em aplicar medidas de correção do câmbio via valorização da moeda. A redução da entrada de mercadorias chinesas nos EEUU deve-se fundamentalmente ao encolhimento desse mercado com o estouro da bolha financeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reverter esse quadro das relações comerciais sino-americana onde os interesses se imbricam e se conflitam, não será fácil. E entre os maiores interessados para que nada mude, além do Governo chinês estão às empresas do Japão, da Europa Ocidental e, principalmente, dos Estados Unidos instaladas na China com destino certo para suas mercadorias. Num imbróglio deste, com as trocas internacionais enfraquecidas pela redução do consumo e onde todos forçam a barra para colocar o excedente de sua produção no quintal do outro mesmo a preços módicos, a possibilidade de graves crises cambiais em países onde as moedas continuam se valorizando em relação ao dólar é uma questão de tempo. Tudo vai depender dos próximos lances na busca de acomodação dos interesses da “fábrica do mundo” e do maior mercado consumidor do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se chegarem a um acordo é possível que a conta seja paga pelos outros. Os países mais pobres amargarão com os maiores prejuízos. Mas se o confronto se acirrar e o dólar continuar em queda livre, acompanhado&amp;nbsp;de perto&amp;nbsp;pelo yuan,&amp;nbsp;o mercado mundial pode travar ainda mais as trocas com medidas protecionistas, com sérias repercussões na já cambaleante economia. Aí o salto não será em W como querem alguns analistas, mas num precipício aonde a escuridão não permite que se enxergue onde pousar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/06/tendncia-da-indstria-brasileira.html"&gt;(1) A tendência da indústria brasileira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.10.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7132356803809326706?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7132356803809326706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7132356803809326706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7132356803809326706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7132356803809326706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/10/o-apelo-isolado-ao-cambio-no.html' title='A crise aproxima-se perigosamente do câmbio'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4853710585232623838</id><published>2010-09-18T12:06:00.001-03:00</published><updated>2010-09-19T10:35:42.813-03:00</updated><title type='text'>Na corrida pela produtividade o capital seca a fonte que o alimenta</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de Terceira Revolução Industrial a efemeridade das tecnologias é a norma. Uma plataforma de produção assentada para aumentar a produtividade de uma determinada indústria, ao entrar em funcionamento já se torna obsoleta. Geralmente, quando requisitada por outra indústria concorrente, inovações são introduzidas de tal forma que quando o ciclo se completa num determinado ramo de produção, a indústria que adquiriu a primeira plataforma da série é obrigada a se renovar tecnologicamente para que possa ficar em pé de igualdade em relação à produtividade e não ser expulsa do mercado pelas concorrentes. Nesse processo, a destruição e a criação de empregos ocorrem em velocidades diferentes e o resultado da racionalização é sempre um saldo negativo para o número de empregos novos que surgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desvalorização do capital tende a acentuar-se na medida em que menos trabalho abstrato é absorvido na produção de mercadorias. Nos momentos de agudização da crise da acumulação real como a que vivemos agora, além do agravamento do desemprego pela redução do ritmo da economia, observa-se alguns fenômenos incrementados pela concorrência, que em sua aparência pode levar a intepretações equivocadas. Vejamos o que vem sendo observado na oferta de vagas no mercado de trabalho americano: “O índice de criação de vagas, ou seja, uma medida do número de empregos disponíveis em relação ao total de vagas na economia – ocupadas ou vazias - subiu de 1,8% um ano atrás para 2,2% em 2010, em vez de cair ainda mais, como era esperado. Apesar disso o desemprego aumentou no mesmo período”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vagas disponibilizadas numa velocidade maior do que o esperado pode ser um indicador de que as indústrias buscam agora sair da crise aumentando a produtividade, acelerando a introdução de novas tecnologias. Como o mercado de trabalho leva algum tempo para se adaptar as mudanças tecnológicas introduzidas com grande agilidade, “sobram” empregos em alguns ramos de produção. O que não se enxerga quando se fala de vagas “sobrando”, é que o balanço entre empregos criados e destruídos é negativo para empregos criados com as inovações tecnológicas. Esse fenômeno, observado de forma mais evidente na economia americana e pouco entendido por alguns analistas, mostra que a crise, ao acirrar a concorrência, leva os capitais individuais a buscar na renovação tecnológica a saída para baixa rentabilidade. Agravam, porém, no médio prazo, as dificuldades de acumulação do capital total pela racionalização do trabalho abstrato na produção global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rápida retomada da indústria de automação, cujas encomendas não param de crescer contrasta com uma economia mundial cambaleante. As medidas de demissões em massa da força-de-trabalho como aconteceu no apogeu da crise, cede lugar a uma dispensa mais planejada, porém permanente ao se buscar outros níveis de produtividade pela intensificação do capital constante &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/11/bolha-estatal-na-longa-jornada-da-crise.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;. O barateamento das mercadorias pelo excesso de produção e por uma nova onda de produtividade, não deverá ampliar suficientemente o mercado de tal forma que permita uma retomada autônoma da acumulação do capital pelo aumento do consumo, pois acompanha esse processo uma grande redução da utilização global do trabalho vivo criador de mais-valia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pode acontecer nessa fuga solitária das empresas na direção de uma maior produtividade, empurradas pela acirrada concorrência, são as mais ágeis e eficientes destruírem suas rivais e, consequentemente, postos de trabalho, mantendo individualmente uma vantagem provisória em relação ao lucro, que logo desaparece quando a nova técnica de produção se generaliza e faz cair os preços das mercadorias. Portanto, com o agravamento da crise de valorização do valor na economia real, para manter o seu artificial movimento de acumulação simulada, a economia mundial exigirá do Estado e do mercado a geração constante de capital fictício em bolhas cada vez mais curtas e destrutivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/11/bolha-estatal-na-longa-jornada-da-crise.html"&gt;A bolha estatal na longa jornada da crise&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18.09.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4853710585232623838?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4853710585232623838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4853710585232623838' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4853710585232623838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4853710585232623838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/09/na-corrida-pela-produtividade-para-sair.html' title='Na corrida pela produtividade o capital seca a fonte que o alimenta'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7883273474322295370</id><published>2010-08-21T17:08:00.001-03:00</published><updated>2010-08-21T19:19:32.941-03:00</updated><title type='text'>A complexidade da crise confunde governos e analistas</title><content type='html'>Rall &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notícias sobre a crise que começaram a escassear voltam às páginas dos jornas com a queda global da produção industrial, a percepção do agravamento das dificuldades financeiras de estados europeus e os indicadores negativos do mercado de trabalho da América do Norte. A instabilidade das bolsas, com seu humor bipolar que reflete as incertezas conjunturais, mostra quão pouco é o controle que se tem sobre os fatos econômicos. Num primeiro momento parecia para os desavisados, que a entrada do Estado em cena em socorro ao seu irmão siamês, o mercado, tudo estaria resolvido. Agora, sem que os problemas do mercado tenham sido solucionados, apesar dos trilhões de dólares fabricados e despejados pelos bancos centrais ao redor do mundo, a crise assume uma feição mais grave, pois sem que a economia tenha se recuperado, as ações de socorro dos estados ou se esgotam ou simplesmente deixam de existir pelo colapso financeiro que os atingem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torna-se monótono a ladainha dos analistas oficiais sobre a crise, que aparenta na grande imprensa a retomada autônoma da acumulação, apesar da marcha lente da produção e do comércio nos EUA e Europa. A crise parece ter sido superada quando vista pelo olhar de observadores confiantes no desempenho dos países em desenvolvimento. Fatos novos que abalassem esta fé pareciam distantes. No entanto, enquanto o tilintar dos copos festejam o futuro promissor, desconsiderando um tumultuado passado e sem querer olhar as dificuldades do presente, forças tectônicas destruidoras acumulam-se velozmente em todas as direções enquanto se estreitam a possibilidade de novas intervenções para conter abalos no mercado que possam empurrar a economia no precipício. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma de manifestação da crise tende ser diferente nas diversas economias, apesar da essência ser a mesma: a crise da valorização do valor na economia real. Isso ficou claro no último encontro do G20 onde o que parecia consenso no enfrentamento da crise, transformou-se em divergências entre os Países Europeus e a América, principalmente entre EUA e Inglaterra, em relação à manutenção dos estímulos estatais e aplicar ou não planos de ajuste a dívida pública. É possível às economias se auto-sustentarem sem as transferências maciças de recursos dos Estados para os mercados? Apesar de aparentar o contrário, a maioria das autoridades financeiras acredita que não, ou, timidamente, defende a redução do déficit público carregada de dúvidas sobre a possibilidade de uma retomada autônoma da acumulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, porém, é que o déficit público na maioria dos países fez crescer de tal forma a dívida pública que pode levar a insolvência e consequentemente ao calote, Estados tidos antes como seguros para o mercado. Os primeiros sinais desse novo fenômeno da crise vieram da Europa, sendo a Grécia, por ser parte do elo mais frágil, a primeira vítima. Outros virão na esteira destruidora da crise, não importa o tempo. A Europa, que pela história passada da dívida pública associada à hiperinflação e também a guerra, tende a lidar de forma diferente dos EUA quando se trata de déficits. A experiência americana é outra. Na segunda guerra mundial a dívida pública superou 100% do PIB, mesmo assim, no pós-guerra, o País continuou com crescimento acelerado e reduziu significativamente a relação dívida/PIB. Essa história aparentemente bem sucedida mantém-se viva na memória desse povo. Há sempre, porém o risco de histórias passadas se repetirem como farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tendo em que se segurar por ter esgotado todas as possibilidades das políticas neokeynesiana e monetarista, os Governos dos países desenvolvidos, principalmente o americano, passa acreditar no impacto que as reformas financeiras e as regulações resultantes destas deverão trazer na movimentação do capital. Há a esperança de que os capitais saiam da especulação e aporte na produção. O capital aporta onde lhe oferece rentabilidade, a vontade dos governos não será suficiente para que este mude de rumo. Sua enlouquecida movimentação nos mais recônditos cantos do globo é determinada pelo ilimitado desejo de se multiplicar. E se não é isso que lhes oferece a economia real, vai continuar em seu movimento especulativo, mesmo que aí só se gere capital fictício e bolhas financeiras prontas para estourar. O desenrolar misteriso&amp;nbsp;da crise tem mostrado que o homem não controla os fatos econômicos que agem às suas costas, apesar de terem sido induzidos pelas ações do própio homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21.08.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7883273474322295370?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7883273474322295370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7883273474322295370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7883273474322295370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7883273474322295370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/08/complexidade-da-crise-confunde-governos.html' title='A complexidade da crise confunde governos e analistas'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-6424716287634985514</id><published>2010-05-17T22:42:00.015-03:00</published><updated>2010-05-22T22:00:14.443-03:00</updated><title type='text'>A crise, insensível aos apelos por moderação, segue seu caminho</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/_CO_ycTFHHPs/S_NBahXzovI/AAAAAAAAAAU/SvnVPVFcEKQ/s400/Vira-lata.jpg" width="400" wt="true" /&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vira-lata na linha de frente de protesto em Atenas &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Rall&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era previsível que o rompimento da bolha estatal em formação acontecesse nos elos mais frágeis da cadeia dos Estados endividados. O tempo não mais surpreende na medida em que a tendência do capitalismo, em crise de valorização do valor, é gerar e estourar em seus interstícios bolhas de capital fictício, em espaço de tempo cada vez mais curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os países com dívidas crescentes, formadas para compensar os estragos feitos na economia pelas bolhas imobiliárias e de crédito, tem na Grécia uma imagem do que pode ser seu futuro próximo. As dívidas dos países ricos já atingem soma astronômica de 43 trilhões de dólares segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a maior da história para um PIB mundial de aproximadamente 57,9 trilhões de dólares conforme dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). Ou seja, a dívida desses países corresponde a 75% do que é produzido no mundo em um ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formação da dívida dos Estados, intimamente associada à geração de capital fictício, funciona mais ou menos assim nos períodos de crise: os Estados, além de aumentarem seu consumo “abrindo e fechando buracos” (Keynes), emprestam a juros zero ou compram papeis podres de empresas e bancos. Artificialmente irrigados, os bancos destinam parte desse dinheiro ao crédito, mas o grosso termina de fato alimentando novas bolhas no mercado, as filhas do dinheiro estatal, como as de commodities, ações, operações de câmbio, derivativos e especulação imobiliária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra parte, em alguns países nada desprezíveis, termina voltando às contas dos governos na forma de empréstimos, agora com juros positivos que beneficiam os bancos e aumenta a escalada da dívida pública. Esses são os mecanismos mais visíveis de criação de capital fictício, que vem operando após o estouro das bolhas do mercado, cujos limites são determinados pelo tamanho das dívidas dos Estados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que a dívida “soberana” já atingiu seus limites em alguns Estados e está próxima disso em outros, sem, no entanto ter a economia mundial dado sinais de numa nova acumulação autônoma do capital. Tirar o dinheiro estatal do jogo simulado da acumulação pode empurrar a economia no precipício. Manter a dinâmica atual de financiamento público dos mercados com arrecadação em queda deverá levar outros Estados ao colapso, de forma talvez até mais grave do que estamos presenciando na Grécia. Para os países com dívidas em moeda estrangeira ou aqueles que compartilham uma mesma moeda, a deflação é uma possibilidade resultante do dramático arrocho interno. Para os detentores de moeda própria o risco imediato é a inflação. No entanto, dependendo dos fatos conjunturais, a mudança de uma situação para outra pode ocorrer rapidamente no tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trilhões em euro e dólares emprestados pelos bancos aos Estados até 2008, quando o capital financeiro gerado pelas bolhas do mercado era farto, e as dívidas mais recentes das medidas anti-cíclicas, tornam-se impagáveis e vem sendo rolados a juros exorbitantes à medida que a situação se agrava. Com isso os bancos privados em pânico, imploram socorro aos bancos centrais ainda em condições de emitirem moeda com alguma segurança (Banco Central Europeu e Federal Reserve) e ao FMI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa realidade díspar tem levado a apelos contraditórios: ora exige-se que os bancos centrais despejem mais dinheiro para diminuir a fúria especulativa e salvar os Estados insolventes e, por conseguinte, os bancos privados com estes comprometidos, como agora presenciamos na mobilização da União Européia que disponibilizou 750 bilhões de euros para este fim. Em direção contrária, apela-se pela imediata redução dos déficits fiscais em crescimento vertiginoso para que a crise da dívida pública não se alastre sem controle, como tem advertido os organismos internacionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estreitam-se rapidamente as margens de manobra dos Estados e do mercado para se ajudarem mutuamente. A&amp;nbsp;dualidade estado/mercado,&amp;nbsp;que mascara a lógica totalitária do capitalismo escondida pelo&amp;nbsp;denso nevoeiro da aparência, torna-se tênue, deixando os irmãos siameses ainda mais parecidos na caminhada implacável da crise, cujo desfecho ainda está por vir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17.05.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-6424716287634985514?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/6424716287634985514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=6424716287634985514' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/6424716287634985514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/6424716287634985514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/05/crise-insensivel-aos-apelos-por.html' title='A crise, insensível aos apelos por moderação, segue seu caminho'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_CO_ycTFHHPs/S_NBahXzovI/AAAAAAAAAAU/SvnVPVFcEKQ/s72-c/Vira-lata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-1043953357818015816</id><published>2010-04-20T23:59:00.015-03:00</published><updated>2010-05-22T10:29:07.452-03:00</updated><title type='text'>Grécia, Brasil e outros rincões...</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise do Estado grego trouxe à tona as diferenças na Zona do Euro e a questão da competitividade. Repetidas vezes foi noticiada que a baixa competitividade desse país estava associada a salários relativamente altos, quando considerado a produtividades de suas indústrias , que deixam seus produtos relativamente caros se comparados com similares produzidos na Alemanha e França e em alguns outros países que adotaram o euro. Como surtos de produtividade não se dão em passe de mágica, a exigência dos sócios ricos (Alemanha e França) para emprestar dinheiro e evitar a insolvência, foi de que o governo grego teria de compensar a baixa produtividade cortando despesas, mas, fundamentalmente, racionalizando trabalho e reduzindo salários, utilizando-se de meios sobre os quais o governo acredita&amp;nbsp;ter controle, inclusive aqueles que possam desencadear processo deflacionário, com risco de grave contração econômica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma como vem se manifestando a&amp;nbsp;crise&amp;nbsp;dos países menos ricos que adotaram o euro, vinha em gestação desde a criação da moeda única. Apesar dos fartos recursos liberados para investimentos, principalmente em infra-instrutora, quase nada foi feito para corrigir a distância tecnológica que separa os países do centro dos mais periféricos. Se considerarmos as relações comerciais da Alemanha superavitária com os países da Zona do Euro com déficits em conta-corrente, todos tiveram seus mercados invadidos por mercadorias mais baratas vindas desse País altamente industrializado e de outros concorrentes de fora da Europa menos produtivos, porém competitivos pelos baixos salários pagos. Parte desses produtos importados são “bens de capital”, mas o grosso são mercadorias triviais, de consumo imediato, que ao substituir produtos nacionais podem levar desindustrialização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem sido prática no comércio mundial usar a desvalorização do câmbio como recurso para fazer frente aos déficits nas balanças comerciais, além das medidas internas de redução de custos de produção e despesas do estado. É sempre um recurso provisório, que se não acompanhado de aumento da produtividade perde-se no tempo. Mas, como nos países de moeda única não é possível a utilização desse artifício, e como o arrocho nos países em dificuldade não será suficiente para o reequilíbrio financeiro,&amp;nbsp;resta saber se os mais competitivos vão querer&amp;nbsp;inflacionar os preços de seus produtos com aumentos salariais como defende alguns analistas, reduzindo com isso o lucro de suas empresas e o superávit comercial, mesmo considerando-se um possível aumento do consumo com ampliação do mercado interno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Países em atraso tecnológico tornar-se-ão competitivos em médio prazo, se, ao utilizarem a produtividade possível de suas empresas, associá-las a uma exploração brutal da força de trabalho. Foi assim na história recente do capitalismo dos “tigres asiáticos”, do Brasil dos militares, do Chile de Pinochet, só para citar alguns exemplos. O que existe em comum são as interferências repressivas nas relações de trabalho e o "subsídio" ao capital pelo Estado com recurso arrancado à força da sociedade em favor das empresas privadas ou estatais para compensar a baixa produtividade, fórmula que ainda hoje faz sucesso na tão contemplada China e em outras nações menores citadas como exemplo de capitalismo que dá lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo aonde não é possível a ditadura política ou militar, o estado democrático, cego pela concorrência, entra com a função de faxineiro do capital, desregulamentando a legislação trabalhista e reduzindo os benefícios sociais, vistos como barreira a acumulação e a produção de mercadoria barata para o mercado mundial. Com o persistente desemprego e o movimento sindical a fazer concessões sem limites, o capital que reina absoluto, com o respaldo do poder estatal (sempre é bom frisar), faz o resto na busca incessante da autovalorização, não importa os meios a serem utilizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, não é só na China que se observa o retorno da mais-valia absoluta através da extensão da jornada de trabalho e contenção salarial com o apoio do estado autoritário. No Brasil, como em muitos outros países democráticos, o alargamento da jornada de trabalho, com ou sem uso de horas extras, e a prática de rotatividade no emprego são utilizadas sem nenhum limite pelas empresas para anular qualquer ganho salarial e compensar a queda da rentabilidade. Para aquelas profissões onde o impacto da racionalização é mais sentido e existe um forte excedente de força de trabalho no mercado, a redução salarial pra os trabalhadores mais antigos&amp;nbsp;pode ser superior a 50% nos períodos de dissídios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pacote de resgate financeiro que vem sendo montado, tendo a Alemanha como principal fiador, pode evitar em curto prazo a insolvência da Grécia, mas não resolve o problema de base que vem aumentando as desigualdades e a dívida pública dos países europeus: a dificuldade de acumulação da economia real em todo mundo&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/06/o-pior-ja-passou-um-sim-ecoa-afoito-no.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;. A luta feroz dos países para manterem suas posições econômicas no cenário internacional esbarra nesse limite, e têm no reaparecimento da mais-valia absoluta e das bolhas financeiras os sintomas mais visíveis da crise sistêmica do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/06/o-pior-ja-passou-um-sim-ecoa-afoito-no.html"&gt;O pior já passou? Um "sim" ecoa afoito no mundo dos negócios&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20.04.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-1043953357818015816?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/1043953357818015816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=1043953357818015816' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1043953357818015816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1043953357818015816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/04/da-grecia-ao-brasil-e-outros-rincoes.html' title='Grécia, Brasil e outros rincões...'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-5206069649678060079</id><published>2010-03-07T21:53:00.003-03:00</published><updated>2010-03-20T05:42:50.426-03:00</updated><title type='text'>A Europa do euro mostra as suas desigualdades</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise na zona do euro mostrou o que vinha sendo encoberto nos anos das vacas gordas: as desigualdades entre as nações que são partes desse território. O euro surge como um passo a mais na direção da unificação do Mercado Comum Europeu. Deixando de lado as implicações políticas da unificação, que devem ser levadas em consideração em uma região que foi o palco de duas guerras mundiais, o euro surgiu como reforço ao protecionismo econômico, que beneficia principalmente a Alemanha e em seguida a França. Pode ser entendido como um movimento da Europa moderna posicionando-se em relação à globalização, mas também como uma força à integração do mercado mundial. Num momento de dinheiro farto, os países mais periféricos foram favorecidos com um grande aporte de recursos que impulsionou suas economias. Mas, quando a fonte secou, foram os primeiros a sentirem o impacto, pois, já endividados, com o agravamento da crise se viram obrigados a aumentar a dívida pública sem nenhuma salvaguarda externa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O endividamento da Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e dos países do Leste Europeu, que com o espasmo da crise sistêmica ameaçam perigosamente ultrapassar ou já ultrapassaram o valor do PIB, têm efeito bem mais perverso do que as dívidas dos países do centro da zona do euro. São parcos os recursos e forças que dispõem para enfrentarem as apostas da especulação financeira. O que é exigido pelos guardiões do euro para reequilibrar as finanças, o rebaixamento salarial e cortes nos benefícios, são medidas que se aplicadas podem ser inviabilizadas politicamente pela esperada resistência dos atingidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica evidente na ameaça de implosão da dívida “soberana”&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/11/bolha-estatal-na-longa-jornada-da-crise.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;, a distância tecnológica entre alguns países do euro, com impacto na produtividade. Isso se reflete nas diferenças salariais que apesar de não serem tão grandes quando comparadas com as de países como a China, existem e são significativas quando confrontamos a situação dos salários pagos em Portugal, Grécia, Eslováquia, Eslovênia e mesmo na Espanha, com os da Alemanha e França entre outros. Critica-se a evolução do custo da hora trabalhada na Grécia nos últimos anos, mas esconde-se o fato de que se paga por hora trabalhada neste País&amp;nbsp;bem&amp;nbsp;menos que na Alemanha. O contra-argumento é que a produtividade na Alemanha permite níveis salariais diferenciados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vem o remédio amargo para a solução das tensões trazidas pela dívida desses Estados: arrocho salarial e corte nos benefícios sociais, para que seus produtos com a redução de custos tornem-se competitivos enquanto não melhora a produtividade. Mas será possível alcançar níveis de produtividade próximo dos trabalhadores alemães que permitam uma recuperação salarial? Só se o parque industrial e o Governo alemão ficassem parados esperando que os outros o alcançasse. Mas não é essa a lógica entre empresas e países capitalistas. O veneno da competição, entranhado na alma da sociedade da mercadoria, permite a cooperação até certo limite. Quando é possível os mais atrasados se aproximarem do nível de produtividade dos mais avançados, estes últimos já deram um salto e se distanciaram dos parentes mais pobres intensificando o capital constante, mesmo que tenham que dispensar o último trabalhador da produção com as inovações tecnológicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se argumentar que as empresas dos países mais avançados optem em migrar para aqueles que oferecerem salários baixos levando tecnologia e, conseqüentemente, melhorando a produtividade e salários. De fato isso tem acontecido. Porém, apesar da melhoria da produtividade em alguns ramos industriais, a produtividade geral continua bem abaixo da dos países de onde migraram essas empresas. A China é o exemplo mais contundente dessa realidade. Apesar da transferência de tecnologia com a migração de empresas principalmente do Japão e EUA, só consegue ser competitiva no mercado global pelos baixíssimos salários pagos aos trabalhadores em regime de semi-escravidão e pelo câmbio administrado que mantém o yuan artificialmente desvalorizado. Se partirmos de um ponto zero, a produtividade média do trabalho na China é de 67, Japão 428, EUA 434 e Reino Unido 458*. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo a China e similares o melhor dos mundos para o capital, onde a mais-valia relativa e absoluta trabalham juntas na acumulação, é impossível por razões diversas a transferência de todo um parque industrial de uma nação para tais oásis do capitalismo, principalmente as empresas de alta tecnologia onde, na contabilidade destas, o trabalho pouco pesa nos custos finais dos produtos se comparado com o capital fixo empregado. O movimento de capitais nos mercados comuns, sempre em busca de maior rentabilidade, pode ter algum êxito como tentativa de defender-se dos outros, mas não de si mesmo: devoram-se do mesmo jeito na briga pela valorização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;*Fontes: Bloom, Mahajan, McKenzie e Roberts (2010)&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/11/bolha-estatal-na-longa-jornada-da-crise.html"&gt;(1) A bolha estatal na longa jornada da crise&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07.03.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-5206069649678060079?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/5206069649678060079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=5206069649678060079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/5206069649678060079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/5206069649678060079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/03/europa-do-euro-mostra-as-suas.html' title='A Europa do euro mostra as suas desigualdades'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-8289366160695169790</id><published>2010-01-25T12:52:00.010-02:00</published><updated>2010-11-28T08:37:32.311-02:00</updated><title type='text'>O despertar de um inflamado dragão chinês</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais festejado país do grupo denominado de BRIC, a China, começa a dar sinais de que o crescimento em pleno espasmo da crise mundial tem pés de barro. Do quarteto, quem de fato tem certo peso na engrenagem da economia mundial é a China e, em seguida bem distante, a Índia. No entanto, não se compara em importância às economias americana e européia, que continuam na lona apesar dos trilhões de euros e dólares despejados pelos bancos centrais. Mas, é na China que a grande esperança é depositada como alavanca que possa movimentar a economia mundial. Grande importadora de commodities, a mágica produtora de mercadorias para o mercado mundial cujos preços finais não pagam os custos de produção em outros países, da China está sendo esperada a reversão do caos econômico instalado e seus dirigentes acreditam nisso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto acreditam no poder mágico de sua economia que dizem fazer “dançar as cadeiras”, que despejaram até agora 9,590 trilhões de yuans no mercado interno, na “maior flexibilização monetária da história” segundo alguns estudiosos, como forma de compensar a queda das importações americanas, ampliando o mercado interno, e animar a economia mundial. Parte desse dinheiro foi para os bens de consumo de luxo, como automóveis,&amp;nbsp;para infraestrutura que teve investimentos antecipados,&amp;nbsp;para setores produtivos com retorno duvidoso, agravando o excesso de capacidade produtiva, um problema já presente nas indústrias chinesas.&amp;nbsp;Mas, acredita-se que o grosso destinou-se a especulação imobiliária. Em Pequim, nos últimos 12 meses, os preços de imóveis de aproximadamente 65 m², os mais procurados, duplicaram ou triplicaram conforme o bairro. Em outras cidades chinesas a situação não é diferente, e vem sendo estimulada pela venda de terrenos públicos pelas prefeituras para cobrir déficits orçamentários. Estima-se que metades das receitas dos governos locais são geradas das vendas dos terrenos pertencentes ao Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estão querendo aproveitar a onda para surfar ganhando alguns trocados a mais. As empresas, que viram os seus lucros desabarem com a queda das exportações, não conseguindo compensar o mercado externo com a expansão do&amp;nbsp;consumo interno, passaram a desviar dinheiro para especulação imobiliária. A indústria de ferro, cimento móveis entre outras ligadas à construção civil, vêem na bolha que se expande a solução para os seus problemas. O PIB em 2009 teve um crescimento considerado espetacular, 8,7%, acima do esperado pelos analistas e pelo Governo. O mercado global de commodities, sujeito a toda forma de especulação reanima-se, e as bolsas passam a ser o investimento mais lucrativo apesar das dificuldades na produção, principalmente as ações das empresas exportadoras, mesmo aquelas em que as exportações não passam de uma possibilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, quando todos parecem felizes, excetuando os 2/3 de chineses pobres que não conseguem se beneficiar da bolha imobiliária, ouve-se o arquejante rugir de um assustador dragão colérico que parecia adormecido, e costuma dar muito trabalho aos governos no seu despertar. A inflação dos preços aos consumidores que vinha em queda saltou de 0,6 % para 1,9% em novembro. Nos meses seguintes, apesar de algumas variações para baixo, não deixou de subir se comparado com os meses anteriores a novembro. O impacto negativo nos baixos salários dos chineses pobres já se faz sentir, e veio se juntar a massa dos desempregados pela crise que foram obrigados a retorna ao campo para cultivar lavoura em solo infértil em franco processo de desertificação em vastas regiões. Esperava-se, em prazo não tão curto, com a imensa expansão monetária na China e no resto do mundo&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/07/inflao-ou-deflao-para-onde-caminha.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;, o retorno da inflação que se acreditava moderada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governo chinês encontra-se num impasse: ou&amp;nbsp;à paulada faz dormir o maldoso dragão antes deste acordar por inteiro, esvaziando de forma “controlada” a bolha com juros altos e redirecionando a política fiscal reduzindo os incentivos, freando o consumo interno com repercussão nada interessante para o mercado global, ou deixa a bolha e o consumo se expandir, até o estouro final sem controle que pode agravar a crise e levar a China e o mundo a uma profunda depressão. Os arranjos keynesianos de “cavar e tapar buracos” para conter a crise, não se mostraram suficientemente forte para reverter o quadro econômico. Antes de completar a tão esperada obra, os monstruosos e insustentáveis déficits fiscais começam a assustar, a inflação dá os primeiros sinais que pode pipocar com força, principalmente nos países onde se mantém a esperança de um crescimento “sustentado”, e os governos são obrigados discutir a reversão das políticas anticrise sem que estas tenham atingido o fim almejado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/07/inflao-ou-deflao-para-onde-caminha.html"&gt;(1) Inflação ou deflação, para onde caminha a crise?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25.11.2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-8289366160695169790?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/8289366160695169790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=8289366160695169790' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8289366160695169790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8289366160695169790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/01/o-despertar-de-um-inflamado-dragao.html' title='O despertar de um inflamado dragão chinês'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-8458832749844781455</id><published>2010-01-17T23:09:00.011-02:00</published><updated>2010-01-23T14:49:21.719-02:00</updated><title type='text'>Haiti, a nódoa escondida do capitalismo mundial</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miséria que assola o segundo País ao declarar-se independente nas Américas, para se mostrar em sua plenitude, foi necessário um desastre natural de proporções inéditas. Às portas da maior potência capitalista do mundo, estava ali, flutuando no Oceano Atlântico, desacoplado do mercado mundial e esquecido pelo capital por não ser rentável. O Haiti, refugo do capitalismo global, há muito já vinha se desagregando enquanto nação. Um Estado antes apropriado pela família Duvalier, que usava o exército e os terríveis Tontons Macoutes para as mais abjetas formas de violência e exploração da população, garantia certa coesão com o uso do terror, assassinando e amedrontando psicologicamente, pois se difundia junto à população supersticiosa que François Duvalier, o Papa Doc, além de suas tropas genocidas, tinha a seu dispor um exército de zumbis prontos para entrarem em ação em defesa do pai de todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na periferia do mundo capitalista patriarcal, surgem aberrações toleradas pelos países do centro, apesar de aparentarem o contrário, por fazerem parte da ordem mundial necessária à acumulação. Por isso, toda espécie de ditadores, mesmos os mais sanguinários que tem em comum o gosto de serem tratados como pai de todos, foram pouco molestados na história recente. O reino de terror e obscurantismo em que mergulhou o Haiti por décadas, quando começou desmoronar a ordem imposta pela família Duvalier e seus aliados, foi substituído pelo terror das gangues rivais armadas, antes coesas em torno do chefe supremo, a maioria originada no aparelho estatal e nas forças militares em desagregação. Essa situação consolidou-se, quando após a queda de Baby Doc, o ditador filho, as facções começaram a competir mortamente pelo espólio com a mesma violência a que estavam habituadas tratar a população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi necessário um arrasador terremoto para que se descobrisse que o Haiti é aqui. Que tamanha miséria não se encontra só no Continente Africano, igualmente esquecido por não ser rentável, mas também no coração das Américas, nos outros continentes e dentro de cada um dos países mesmo nos ditos desenvolvidos. O furacão que arrasou Nova Orleans expôs com crueza um Haiti escondido nos EUA. A crescente exclusão do mercado global de regiões, países e até mesmo continentes, faz parte da lógica do desenvolvimento capitalista na medida em que a competição pelo lucro faz crescer o capital constante, principalmente&amp;nbsp;pelo o aumento das maquinarias e automações, e&amp;nbsp;reduz propocionalmente&amp;nbsp;o capital variável, ou seja, a força de trabalho que cria valor e mais-valia, pressionando para baixo a taxa de lucro. Por outro lado, em contradição com o&amp;nbsp;crescente potencial das forças produtivas, o universo dos não rentáveis tende a se expandir junto com o consumo improdutivo, impactando ainda mais negativamente na taxa de lucro. Em última instância,&amp;nbsp;o que conta para acumulação&amp;nbsp;real do capital é o trabalho produtor de mais-valia e o consumo produtivo daí decorrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando praticamente inexiste trabalho produtivo, quando a mais-valia futura (uma miragem)&amp;nbsp;não pode ser antecipada através do crédito, quando não é possível&amp;nbsp;alimentar o consumo mesmo que improdutivo para o capital através das chamadas "políticas compensatórias"&amp;nbsp;financiadas pelo Estado, no capitalismo, o resultado imediato é morte pela fome e pelas doenças da miséria. No Haiti, quase um décimo das crianças morrem antes de completar&amp;nbsp;cinco anos. Outros tantos são assassinados fazendo com que a expectativa de vida não passe de 54 anos. O retrato do Haiti, como também dos bolsões de miséria dos países em desenvolvimento, cujos indicadores não são diferentes, tende a se espalhar como uma nódoa, inclusive para os países desenvolvidos, à medida que a crise do trabalho se agrava e a força de trabalho torna-se supérflua.&amp;nbsp;Para libertarmo-nos dos fetiches que nos assombram, temos que aprender a pensar para além dos limites que nos é permitido pela sociedade produtora de mercadoria, afastando-nos dos administradores da crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17.01.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-8458832749844781455?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/8458832749844781455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=8458832749844781455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8458832749844781455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8458832749844781455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2010/01/haiti-nodoa-escondido-do-capitalismo.html' title='Haiti, a nódoa escondida do capitalismo mundial'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-1990087334551784339</id><published>2009-12-31T16:48:00.009-02:00</published><updated>2010-11-27T16:53:26.402-02:00</updated><title type='text'>O largo espectro das paixões</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fiquei curioso em saber como se manifestaria na prática a fúria ou o ódio desses senhores que não são apenas dirigentes de bancos; são principalmente operadores financeiros ("traders") que ganham bônus. Eles dominaram o mundo durante 30 anos, definiram as regras da "nova" racionalidade econômica baseada no velho "laissez-faire", enriqueceram-se e tornaram ainda mais ricos os rentistas a quem estavam associados, provocaram um enorme aumento da desigualdade em toda parte, aumentaram a instabilidade financeira mundial e, afinal, provocaram a crise global de 2008, que obrigou os governos a gastarem cerca de 5% do PIB mundial para salvá-los.” Do artigo “A fúria dos financista”, de Luiz Carlos Bresser Pereira, publicado no jornal Folha de São Pulo, em 21/12/2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma certa&amp;nbsp;nostalgia passei nas fileiras do largo espectro que se estende da extrema direita ao o outro lado da esquerda. Uns saudosos daquele capitalismo, cujas “impurezas” que simulam a acumulação possível eram marginais na sociedade capitalista. Do tempo em que o dinheiro era dinheiro “bom”, lastreado nas riquezas produzidas pelo trabalho assalariado e era conversível em ouro. O setor “produtivo” era hegemônico e a sociedade tinha pouco espaço para os banqueiros e rentistas, atividade atribuída aos grupos minoritários como os judeus, geralmente acusados nas crises de usurpadores da riqueza dos que trabalham e de ter pouco compromisso com os princípios da nação. Sabemos no que deu isso quando da subida de Hitler e seus seguidores nazistas ao poder na Alemanha, nas primeiras décadas do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro lado se enche de saudades dos tempos da luta da classe aonde os campos amigos e inimigos eram bem delimitados. Lamenta-se por não existir mais proletários prontos para o sacrifício pela classe que iria fazer a revolução socialista e abolição da sociedade de classes. Muitos já tiraram o time de campo ou simplesmente passaram acreditar que aquilo eram equívocos da juventude e para repará-los assumiram posições do outro extremo. Passaram acreditar que com o capitalismo chegou-se ao fim da história e nada mais se pode fazer que não seja consertar os danos causados ao homem e a natureza por essa forma de produção excludente. Ou quando assumem posições políticas é para defender o capitalismo de estado, tão tirânico quanto à indiferente impessoalidade do mercado, e justificar a sede de poder de dirigentes caudilhescos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada melhor para reacender ou apagar paixões do que o agravamento de uma crise! Os neoliberais, ao ver seus negócios afundarem, apesar de sua aparente aversão, muda o discurso e pedem socorro ao Estado, sem nenhum escrúpulo, enquanto o mercado está em baixa. Os estatizantes, agora aparentemente hegemônicos no mundo dos negócios, bradam no ar em voz altissonante “nós tínhamos razão!” e tornam-se afoitos em suas investidas nos países em que se acham no poder culpando “imperialismo”, com o qual faz negócios, pela crise. Em sua arrogância, esquecem que no salvador Estado, o endividamento para amparar a economia do abismo, que em muitos países já ultrapassou o valor do PIB, está o germe do próximo espasmo que pode levar ao total descontrole o paciente terminal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mercado e Estado são faces de uma mesma moeda. A menor ou maior presença do Estado na economia está relacionada ao momento pelo qual passa a sociedade moderna. Nos momentos de crescimento econômico o mercado se apropria de atividades na infra-estrutura, na saúde, educação e segurança, antes vista como função de Estado. No agravamento da crise é chamado para intervir pelos agentes do mercado que antes o rejeitavam. Na mais liberal economia mundial, a americana, além do colossal volume de dinheiro disponibilizado para o setor privado, o&amp;nbsp;Estado intervém na composição de diretorias e de conselhos de grandes empresas e bancos, situação inimaginável há dois anos. O Estado esteve presente com muita força,&lt;br /&gt;inclusive militar, nos primórdios do capitalismo, sem o qual talvez este tivesse dificuldade de se consolidar. Não foi e não é diferente nos países ditos em desenvolvimento tão queridos pelo capital, onde a coerção para que acumulação seja possível é feita pela ameaça do desemprego e pela força das armas. O Estado como o conhecemos nada tem de emancipador como&amp;nbsp;querem alguns. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que muitos analistas da grande imprensa não entendem, e não poderia ser diferente, pois suas expectativas de sair da crise não ultrapassam os horizontes da sociedade capitalista, é que, para produção de mercadorias se sustentar, empurra-se com a barriga a crise estrutural que vem se arrastando desde os anos 80, com o alargamento do crédito ao infinito ao consumidor e as empresas, com a geração de bolhas financeiras cada vez maiores no mercado e através do endividamento e das emissões de moedas pelos estados, com resultados sempre catastróficos nos momentos de agudização quando esses mecanismos não mais funcionam e as bolhas estouram. Por ironia, são exatamente os financistas e rentistas, tão maus vistos pelos discursos moralistas, quem movimenta o consumo e os investimentos nos intervalos pré-crises na era da acumulação simulada e de hegemonia do capital fictício. Sem a louca competição que foge ao controle da sociedade&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/11/o-leite-mijo-de-vaca-e-lgica-do-capital.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;, incapaz de ser contida com medidas regulatórias e&amp;nbsp;levada ao extremo pelo capital financeiro que busca se reproduzir a partir do nada com invenções exóticas, e sem a pronta intervenção do Estado para cobrir os prejuízos&amp;nbsp;quando necessário, a&amp;nbsp;extensão da&amp;nbsp;crise na “economia real” já teria sido há muito desnudada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma um “próspero” ano novo para todos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31.12.2009 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/11/o-leite-mijo-de-vaca-e-lgica-do-capital.html"&gt;(1) O leite mijo de vaca e a lógica do capital&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-1990087334551784339?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/1990087334551784339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=1990087334551784339' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1990087334551784339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1990087334551784339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/12/o-largo-espectro-das-paixoes.html' title='O largo espectro das paixões'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7144586669510653511</id><published>2009-11-15T22:00:00.015-02:00</published><updated>2010-11-27T16:59:02.712-02:00</updated><title type='text'>A bolha estatal na longa jornada da crise</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como a economia mundial caiu num buraco tão profundo? Está se recuperando agora, mas dolorosamente, apesar do inédito afrouxo fiscal e monetário. Além disso, qual a possibilidade de que uma economia mundial equilibrada surja dessa alimentação forçada? O próprio fato de que tais ações drásticas foram necessárias é aterrador. O fato de haver pouco espaço para repetição da política é ainda mais aterrorizante. E o pior de tudo é que esta não é a primeira vez nas últimas décadas em que a economia mundial teve de ser conduzida em meio a desmoronamento pós-bolhas.” Do artigo “Como a economia caiu tanto assim”? Martin Wolf, editor principal e comentarista econômico do Financial Times, publicado no valor econômico de 28/10/2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No citado artigo, o comentarista econômico do FT Martin Wolf, expressa sua perplexidade, que não é só dele, sobre as difíceis escolhas para o enfrentamento da crise econômica. Perplexidade que se estende ao que virá depois da intervenção maciça dos estados com a emissão sem precedente de dinheiro, afrouxamento fiscal e juros perto de zero na busca de salvar bancos, grandes empresas e famílias endividadas. Fala-se em US$ 14 trilhões só de ajuda aos bancos no mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for possível pensar no que virá depois das mais recentes manifestações da crise, como querem alguns, podemos fazer algumas indagações: como o déficit público, resultante de política fiscal, creditícia e de gastos&amp;nbsp;generosos tem um limite, como seria possível a crise não se agravar quando esse limite for ultrapassado? Por outro lado, se a economia não se sustenta sem esse afluxo de recursos, como mantê-los sem os efeitos colaterais de uma liquidez infinita? Ou seja, como resolver a crise sistêmica do capitalismo que hoje vivenciamos numa situação de se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos dados da economia têm mostrado, que o crescimento ou queda do PIB nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, está profundamente atrelado aos recursos estatais fartamente disponibilizados. Essa liquidez forçada e os truques contábeis, tem aparentemente reequilibrado os balanços dos grandes bancos, que captam dinheiro a custo zero para emprestar aos governos à longo prazo, cobrando juros variados conforme os países, rendendo nos EUA em torno de 3,5% ao ano. Parte desse dinheiro que deveria ser utilizado para fazer fluir o crédito, são emissões dos bancos centrais que voltam aos governos na forma de empréstimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o crédito para o consumo e produção continua sendo uma operação de risco pela indefinição dos rumos da economia, parte dessa liquidez vem sendo destinada a especulação nas bolsas, em commodities e em outros ativos. Com isso,&amp;nbsp;a imensa bolha estatal vem estendendo velozmente seus tentáculos ao mercado mundial, principalmente dos países em desenvolvimento. Fala-se em US$ 10 trilhões disponíveis correndo o mundo em busca de rentabilidade mesmo que seja fictícia. São valores que tendem aumentar na medida em que os governos com uma política financeira frouxa, continuam inundando os mercados com juros perto de zero ou negativos, que permite a utilização de empréstimos em dólar nas operações bilionárias de carry-trade e ataques especulativos disfarçados ou a céu aberto, impactando nos preços dos ativos mundiais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse fluxo de dinheiro tem levado a desequilíbrios cambiais graves, com a valorização das demais moedas em relação ao dólar, excetuando o yuan que com grandes intervenções de compra executadas pelo governo chinês, acompanha artificialmente os movimentos da moeda americana e faz crescer, num impulso incontido, as reservas em dólar. No entanto, a questão fundamental da fraqueza do dólar sinalizada desde o final da segunda guerra mundial, logo após as glórias em Bretton Woods, deve-se ao incessante aumento da produtividade que acarreta a queda do valor das mercadorias com as quais este se relaciona enquanto equivalente universal, e a expansão desmedida da circulação dessa moeda que há muito se deslocara da riqueza real que pretende expressar enquanto dinheiro mundial sustentado no poder político-militar dos EUA. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um quadro que só tende a se agravar na medida em que os espasmos da crise terminal do capitalismo, ao aprofundar a competição entre empresas, alavancam a produtividade do trabalho incorporando novas tecnologias que&amp;nbsp;levam ao desemprego estrutural&amp;nbsp;e a não valorização real do capital.&amp;nbsp;Há ainda a propensão&amp;nbsp;do capitalismo&amp;nbsp;pela extração da mais valia absoluta, que&amp;nbsp;se manifesta quando trabalhadores são obrigados nas crises, para manterem seus empregos, aumentar a produtividade executando tarefas que seriam de responsabilidade de dois ou mais, numa racionalizalção empresarial selvagem para reduzir custos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a inflação do dólar, e a conseqüente desvalorização, tende exacerbar-se se as emissões e os incentivos forem mantidos. Há, no entanto, e não sem razão, toda uma gritaria para que tudo continue como está, apesar dos indicadores apontarem que a bolha estatal, mãe de todas, não ter se mostrado como a melhor ignição para por em movimento a produção e o consumo de mercadorias por exigir custos adicionais futuros muito grandes. Essa gritaria está relacionada com a percepção de que só com o dinheiro e os incentivos estatais é possível manter a ilusão de que o pior ficou para traz, como dizem. E ainda: que a economia real em crise profunda, não consegue manter-se em pé sem bolhas(&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/08/procura-se-uma-bolha.html"&gt;1&lt;/a&gt;) altamente destrutivas, que tendem expandir-se ràpidamente em tempos de vida cada vez mais curtos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.11.2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/08/procura-se-uma-bolha.html"&gt;(1) Procura-se uma nova bolha&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7144586669510653511?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7144586669510653511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7144586669510653511' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7144586669510653511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7144586669510653511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/11/bolha-estatal-na-longa-jornada-da-crise.html' title='A bolha estatal na longa jornada da crise'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-1466982528263467237</id><published>2009-08-27T22:32:00.005-03:00</published><updated>2010-11-27T16:51:46.021-02:00</updated><title type='text'>O que antes era marginal agora domina a cena</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos vários artigos sobre a economia que me obrigo a ler todos os dias, chamou-me atenção o de autoria de José Carlos de Assis, “Uma nova bolha no horizonte” escrito no Jornal Valor de 11 de agosto passado. O articulista levanta algumas questões importantes, pouco discutidas na grande impressa, mas derrapa nas conclusões: “a crise assinalou uma mudança de paradigma no coração do capitalismo, mas muitos tomam com simples retórica. Não se percebe que a decolagem do sistema financeiro especulativo do sistema real, origem da crise, aponta na direção de uma contradição fundamental que, na prática, só se resolverá com perdas patrimoniais incomensuráveis”, diz. Mais na frente: “os governos enterraram bilhões de dólares para salvar seus sistemas bancários. Contudo, os governos pouco fizeram para eliminar a contradição entre finanças especulativas e economia real.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem alguns pontos que precisam ser esclarecidos. O Sr. Assis, fala da economia real como vítima do malvado sistema financeiro, que criou asas e dela se apartou para depois castigá-la sem piedade. Sim, de fato, o estouro das bolhas financeiras repercutiu na produção. No entanto, não entende o Sr. Assis e outros articulistas de esquerda que acusam o capital financeiro dos males do mundo, que as bolhas surgiram exatamente como a mão salvadora da economia real. Com a crise do capitalismo a partir dos anos 80, o processo de acumulação expresso pela equação D-M-D’ (dinheiro-mercadoria-mais dinheiro), cede lugar a um ativo mercado de papeis melhor representado pela fórmula D-D’ (dinheiro-mais dinheiro). A economia real para sustentar-se em pernas bambas, passa a alimentar-se de capital fictício gerado pela expansão do sistema creditício e pelas bolhas financeiras, como forma de compensar a estagnação e empurrar para frente a crise que se gestava. Em sua história, o capitalismo sempre lidou com bolhas que se manifestavam marginalmente e eram purgadas nas crises. Agora dominam a cena em frenética agitação financeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na medida em que o capital disponível no mundo não achava mais na produção de bens materiais e imateriais o porto seguro para sua reprodução, foi encontrando outros meios de se multiplicar ficticiamente. Parte desse capital sem substância finca o pé na economia real, reciclando-se e buscando na base material da economia sustentação para formação de bolhas, como aconteceu no setor imobiliário. Outra parte aporta em países “em desenvolvimento” como a China, aonde a rentabilidade ainda é possível a custa de mais valia absoluta, extraída mobilizando-se em escala gigantesca força de trabalho antes adormecida no campo, que se deslocam para as cidades em movimentos migratórios jamais vistos com conseqüências imprevisíveis. Através do disciplinamento extremo utilizando-se toda forma de coerção, a exploração do trabalhador atinge o limite do esgotamento físico em países cantados em versos e prosa por uma esquerda desorientada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção transcende os estados nacionais e seus nexos intercontinentais formam então, circuitos deficitários (1) que se auto-alimentam. Numa ponta encontram-se os países que recebem investimentos maciços de capital para produção de mercadorias a preços competitivos pelo uso intensivo de mão-de-obra barata; na outra, os países receptores dessas mercadorias, principalmente os EEUU, e do dinheiro dos superávits gerados por esse circuito, que ajuda alimentar o consumo interno através da expansão do crédito ao infinito e das bolhas nos diversos setores da economia. Essa movimentação fantástica de capital no globo, fictício ou não, só foi possível com a revolução da informática, que também revolucionou a produção com a automação das empresas e dispensa do trabalho. Não foi a pressa subjetiva pelo rápido enriquecimento, como fazem crer os moralistas, responsável pela crise, mas a crise da “valorização do valor” advinda dessa revolução, que em parte dispensou a mediação da mercadoria/trabalho na formação do capital, quem acelerou as ações do “sujeito automático” (Marx) em direção às pirâmides financeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O descolamento do “sistema financeiro especulativo do sistema real” é, portanto, bastante relativo. A lógica de produção de capital fictício, que numa análise apressada aparente uma coisa a parte, compõe um todo do qual não se exclui a produção real. Ou melhor, foi à crise da acumulação na economia real que alimentou esse processo e as mudanças de paradigmas, ao contrário do que sugere o Sr. Assis. Há muito tempo as empresas financeiras deixaram de só financiar e se apropriaram de parte cada vez maior da produção, e as empresas produtoras de bens e serviços não-financeiros passaram a ter seus próprios bancos ou a eles se associaram para garantirem o fechamento no azul de seus balanços com o capital fictício advindo da especulação. A crise contábil das empresas brasileiras que jogavam com derivativos, com a inversão da tendência do câmbio em 2008, é um exemplo miúdo de uma realidade bem mais complexa e pouco revelada. É só ver o volume de derivativos e ativos financeiros que continuam sendo negociados e em circulação, como bem assinala o articulista (US$ 650 trilhões de derivativos e US$ 160 trilhões de ativos), muitas vezes superior ao PIB Mundial estimado em US$ 50 trilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demonizar o capital financeiro e achar que é possível com regulações de toda ordem por cabresto na besta-fera e domá-la em benefício do lado “bom” da economia é pura ilusão de quem não está enxergando que a crise é uma crise estrutural profunda do capitalismo, com suas ondulações conjunturais que se manifesta na queda da economia, no desemprego crônico e crescente, no esgotamento dos recursos naturais e nas mudanças climáticas cada vez mais perigosas com o aquecimento progressivo da terra, pelos bilhões dos subprodutos degradados devolvidos diariamente a natureza por essa forma cega de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/07/o-circuito-asitico-da-economia-mundial_09.html"&gt;O circuito asiático da economia mundial&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;(Resposta ao artigo "Uma nova bolha no horizonte", do Sr. José Carlos de Assis, publicado em 11 de agosto de 09 no Jornal Valor)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27.08.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-1466982528263467237?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/1466982528263467237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=1466982528263467237' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1466982528263467237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/1466982528263467237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/08/o-que-antes-era-marginal-agora-domina.html' title='O que antes era marginal agora domina a cena'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-3885511189850881620</id><published>2009-08-16T14:15:00.019-03:00</published><updated>2010-11-27T16:55:19.972-02:00</updated><title type='text'>Armadilha do pensar, limites do agir</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As formas de sofrimento psíquico na sociedade moderna podem ser entendidas, em seu limite, como uma reação desesperada da mente aprisionada por um “substrato”, construído de sensações passadas e presentes, de prazer e frustração, e, principalmente, elaborado e reelaborado por estímulos coercitivos da sociedade do trabalho. Estabelece-se como um pano de fundo tecido com mil linhas sem orientações precisas, e funciona como armadilha do pensar destroçado. Essa forma caótica que aprisiona e move o pensamento, cimentada pela lógica de "fazer dinheiro", transforma todos em “sujeitos automáticos” da razão burguesa. Quanto mais se aprofunda a crise do trabalho na sociedade capitalista, mais fictício torna-se o que antes poderia ser chamado de valor. Essa “abstração real” (Marx),&amp;nbsp;"escondida"&amp;nbsp;em relações sociais fetichizadas, age como importante determinante das ações humanas no fazer da&amp;nbsp;história, sem que dela se tome consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer dos séculos de implantação do capitalismo, ganhar dinheiro passou a ser a única virtude inconteste entre os homens que justifica os meios. Permite-se quase tudo no mundo da acumulação simulada: o roubo institucionalizou-se em todos os níveis da sociedade, da corrupção estatal&amp;nbsp;às mais absurdas formas de transações empresariais. O discurso ridículo de moralização dessas relações através de normas está fadado ao fracasso, pois isso não são “desvios de condutas”, mas parte da lógica intrínseca do sistema que não resistiria se lhe amarrassem as pernas com normatizações jurídicas, que na verdade são feitas para lhe desatar as amarras e dar garantias contra o imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo da mudança tem que ser jogado olhando-se para dentro, na busca de entendê-lo, mas também para fora desse substrato. É um jogo contra-hegemônico com seus perigos e incertezas. Não se encontra elaborada e nem se pode querer para ele uma teoria-guia, pronta e acabada como as ideologias. Mas as teorias &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/breves-reflexes-sobre-teoria-e-prxis.html"&gt;(1)&lt;/a&gt; são importantes, pois se não dão conta da totalidade, apesar de que devem apontar para, podem dar pistas significantes para o movimento social, que se move dentro do leque de opções que lhe é dado, prisioneiro que é dos fetiches da sociedade burguesa. Observa-se depois de alguns ensaios onde se tateiam os caminhos da emancipação, a queda no vazio e o desânimo dos sujeitos. Brotam daí os fundamentalismos sejam militantes, sejam narcísicos, como saída desesperada para o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo aberto os caminhos, não há nenhuma garantia que possam ser percorridos. Os obstáculos aparentam intransponíveis, e o mundo paralisado pode afundar-se mais ainda na barbárie, onde resistirão as fortalezas de produção capitalista, armadas até os dentes, prontas a reagirem com violência, dentro ou fora de seu território a qualquer sinal de ameaça. O substrato que move o sujeito, introjetado através dos séculos de modernidade pela violência física e psíquica, das ameaças das baionetas à morte pela fome; pelo disciplinamento no ensino, no campo, nas fábricas, na clínica, nas cadeias, nos quartéis para que se aceite o trabalho assalariado, transforma o indivíduo em sujeito desse imperativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos piores do que nossos ancestrais nômades que pelo menos eram solidários na luta pela sobrevivência. A aparente liberdade individual, que supostamente nos liberou dos chefes imperiais, ou mesmo da opressão tribal, é pura ilusão: deixamos uma forma de escravidão para cair noutra pior, no fetiche da mercadoria, do dinheiro. Aos “não-rentáveis” (Kurz) só resta à morte física ou social, onde a vergonha aos olhos dos outros pelos insucessos, de ser um desempregado, um perdedor, não tem limites. É visto com desprezo e desconfiança pelos que ainda trabalham. O medo de antes, de ver o parceiro ocupando seu posto levado pela mortal concorrência, passa à desconfiança das intenções malévolas do outro, que num acesso pode tirar-lhe os objetos fruto do suado trabalho, ou até mesmo a vida, o que não deixa de ser verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa brutalidade, movida pela cega competição por um lugar ao sol na sociedade do trabalho, intensificada ao absurdo nos tempos neoliberais ultra-individualista, ocupa todos os poros da sociedade, transformando mesmo os mais próximos num ajuntamento desagradável de indivíduos&amp;nbsp;barbarizados por interesses monetários e de poder. Quanto mais se aprofunda a crise, não é o sentido de solidariedade que prevalece, mas o desejo de morte do outro que&amp;nbsp;ameaça ou obstrui o caminho,&amp;nbsp;e um medo que deixa todos impotentes e acovardados para enfrentar esse estado de coisa. Mesmo assim é preciso enfrentá-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/breves-reflexes-sobre-teoria-e-prxis.html"&gt;(1) Breves reflexões sobre teoria e prática &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.08.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-3885511189850881620?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/3885511189850881620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=3885511189850881620' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/3885511189850881620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/3885511189850881620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/08/armadilha-do-pensar-limites-no-agir.html' title='Armadilha do pensar, limites do agir'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7164543662129082094</id><published>2009-07-27T01:00:00.010-03:00</published><updated>2011-06-21T22:58:34.362-03:00</updated><title type='text'>A retração da economia e a destruição de empregos</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns estudos mostram que o tempo que decorre entre o início das crises agudas do capitalismo e o fechamento dos postos de trabalho nas empresas, tem se reduzido dramaticamente nas últimas três décadas. Antes da Terceira Revolução Industrial, as demissões aconteciam, mas tinha um tempo, relativamente longo se comparado com os padrões atuais, entre o surgimento da crise e a perda do emprego. Na fase atual do capitalismo, a resposta é imediata: o desemprego, como a forma mais fácil de cortar custos, aumenta antes mesmo das empresas sentirem o efeito da crise em seus negócios. Os empregados part-time, os contratados por tempo determinado e outras formas de vínculos precários são os primeiros da lista. Logo em seguida, e sem demora, os empregos mais estáveis, se é que podemos considerar ainda a existência dessa categoria. Nos Estados Unidos, as estatísticas mostram que do início da recessão até dezembro de 2007, o desemprego aumentou 5% para uma retração 2,5% da economia, situação que não deve ser diferente nos outros países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, já se fala a partir também de observações pregressas, que de forma nenhuma os empregos votam aos patamares anteriores, mesmo se a produção e o mercado mundial recuperassem o fôlego perdido, o que é duvidoso. Tem-se observado, apesar da crise, que a produtividade do trabalho vem aumentando significativamente em todo mundo. Num primeiro momento, os rearranjos na organização da produção forçada pela dispensa de trabalhadores, podem ser responsáveis por essa maior produtividade. Os não dispensados passam a produzir mais, exercendo funções dos demitidos, sem que haja ajustes salariais. Ou seja, os mecanismos de aumento da mais-valia absoluta são acionados e aceitos sem contestação pelos que ficam, coagidos pelo medo de serem desligados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso dura tempo suficiente, e independe de novos investimentos que venham ser feitos em capital fixo para aumentar ainda mais a produtividade, agora por conta de novas máquinas e equipamentos de automação da produção. Não é à toa que empresas que vendem tecnologia de automação e as que fabricam modernas plataformas de produção, começam a sentir aumento nas encomendas. Os balanços positivos que tem surpreendido os analistas são a combinação do aumento da produtividade do trabalho dos que ficam e substituem as funções dos dispensados, das políticas fiscais generosas e dos ajustes contábeis feitos com dinheiro público fartamente distribuído pelos governos a juros na maioria das vezes negativos. Mas é a segunda onda de aumento da produtividade, movida pela feroz concorrência pelo que restou de mercados, que ao incorporar novas tecnologias de automação, fechará mais ainda postos de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa lógica a qual estar subordinada o capital, mais evidente na atualidade, de serrar o galho em que está sentado com o aumento sem limites da produtividade e destruição incessante de empregos, tem suas conseqüências: na produção, a intensificação da crise de “valorização do valor” pela expulsão do trabalho vivo com a revolução da informática e aumento do trabalho morto; na circulação, a dificuldade de realização da mais-valia pela redução cada vez maior do número de consumidores produtivos. Para esse impasse, buscou-se como saída o consumo improdutivo, financiado pelo crédito infinito e por bolhas de tamanho crescentes, que a cada estouro mostra a inviabilidade dessa fórmula como solução para crise do capitalismo, deixando como legado rastros de destruição e sofrimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise, longa e lenta, gera a cada espasmo do paciente em agonia, além do desemprego, montanha de crédito podre advindo desse dinheiro sem substância, que tem que ser limpo pelos faxineiros do capital. O Estado, à custa de um endividamento contínuo e sem precedente, impossível de ser pago por gerações futuras, é obrigado a engolir a fedentina vomitada pelo mercado e, ao mesmo tempo, alimentá-lo boca a boca com capital fictício produzido em suas entranhas, mesmo sabendo que mais na frente virão outros espasmos bem mais dolorosos e o risco de um colapso total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27.07.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7164543662129082094?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7164543662129082094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7164543662129082094' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7164543662129082094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7164543662129082094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/07/retracao-da-economia-e-destruicao-de.html' title='A retração da economia e a destruição de empregos'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-2562432437625044783</id><published>2009-06-27T06:32:00.022-03:00</published><updated>2010-11-27T16:52:36.861-02:00</updated><title type='text'>O pior já passou?  Um "sim" ecoa afoito no mundo dos negócios</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O endividamento em que vem se enredando os Estados Unidos e os outros países do centro e da periferia, na ilusão de assim driblarem a crise, é a bolha do momento. O que são as bolhas se não a geração de capital sem substância, seja pelo mercado, pelo Estado ou simultaneamente pelos dois pólos da sociedade da mercadoria? Isso mostra a impossibilidade do capitalismo em crise terminal desde os anos 80, sustentar-se sem produzir montanha de capital fictício. A expansão monetária global que ora assistimos para segurar a economia, à custa do endividamento dos estados e sem precedente na história do capitalismo, jamais será paga com parcelas de mais valia futura transformada em impostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acirramento da concorrência entre os capitais, forçando num primeiro momento a queda dos preços e o deslocamento de mercadorias para mercados antes pouco cobiçados, pode levar ao protecionismo ou a desindustrialização(1) de regiões inteiras. Os primeiros sinais desse fenômeno são observados na América Latina e em outros Continentes com a chegada principalmente dos produtos chineses. Num segundo momento, a competição violenta entre as empresas forçará o aumento da produtividade, introduzindo novas tecnologias dispensadoras de trabalho na produção de bens, agravando o processo de “valorização do valor”, ou seja, de formação de capital, o que torna o aperto fiscal para cobrir o déficit público mais difícil no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o peso da dívida aumentar o risco de colapso dos estados sem condições fiscais de resolverem o problema do déficit orçamentário, as emissões fiduciárias continuam e a inflação surgirá galopante para infringir a sociedade, principalmente às populações desprotegidas, a fúria do "terceiro cavaleiro do apocalipse". Por enquanto este se mantém a espreita, esperando o momento oportuno para cavalgar cuspindo fogo em todas as direções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mudança de perspectiva, de deflação de ativos para inflação, é a forma perversa do deslocamento dos custos da crise para as costas da população menos favorecida, já atormentada pelo desemprego. As carências deverão se agravar com os estados descolando-se cada vez mais de qualquer compromisso social, principalmente na área da saúde, educação e aposentadoria, para cobrir os rombos no mercado. Mas, antes dessa chegada, a produção poderá cair menos ou até mesmo se estabilizar e ganhar um certo fôlego com a formação da bolha estatal que ajudará alimentar filhotes de bolhas no mercado, iludindo os tolos como sendo o início de uma retumbante retomada. As bolsas mostram essa tendência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso agora tão em voga de que o pior já passou, expressa as dificuldades e os limites que tem os teóricos do mercado de variadas matizes, de avançarem na análise da crise do capitalismo e as expectativas quase religiosas de soluções milagrosas imediatas. E não poderia ser diferente se para eles a história é a história da eterna sociedade produtora de mercadorias, não existindo o antes nem o depois que não sejam variações dessa forma de produção. Desse modo de pensar e analisar a realidade não estão salvos os auto-intitulados economistas de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27.06.2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/06/tendncia-da-indstria-brasileira.html"&gt;A tendência da indústria brasileira&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-2562432437625044783?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/2562432437625044783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=2562432437625044783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2562432437625044783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2562432437625044783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/06/o-pior-ja-passou-um-sim-ecoa-afoito-no.html' title='O pior já passou?  Um &quot;sim&quot; ecoa afoito no mundo dos negócios'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4625380699794586466</id><published>2009-05-10T00:00:00.009-03:00</published><updated>2010-11-27T16:50:56.321-02:00</updated><title type='text'>O súbito otimismo dos agentes do mercado</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às sombras do outono no jardim das fantasias, cogita-se uma rápida retomada da economia mundial. A leve brisa que sopra aplacando o calor emanado pela queima sem precedente de capital, já é visto por alguns como uma luz no fim do túnel. Ou, como diz um incorrigível otimista, o comentarista da Globo News George Vidor: pelo menos a luminescência de um vagalume. Realmente, seria difícil nada acontecer com tanto dinheiro sendo posto pelos governos para tapar os buracos do mercado. Apesar da recessão, sinais de aumento de liquidez começam aparece, com repercussões altistas nas bolsas e aparente melhora contábil de setores da economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crises que acometem o mundo a partir dos anos 80 na forma de desastres financeiros globais, não podem ser vista como as crises cíclicas clássicas de curto prazo, que vem sempre acompanhada de uma retomada rápida do crescimento após a economia beijar o fundo do poço. A situação é mais complexa por serem esses desarranjos manifestações da crise estrutural do capitalismo, que no seu bojo abriga momentos de expansão e retração da atividade econômica, como convulsões de um moribundo que teima em não morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o capitalismo que vivenciamos, cada vez mais impossibilitado pela revolução tecnológica de ampliar a produção de mais valia, tendência agravada a cada espasmo da crise, só se porá em lento movimento apoiado no crédito sem limite no tempo e em novas bolhas, fenômenos intrinsecamente relacionados. O crédito, no entanto não flui, encontra-se empoçado como diz a gíria do mercado, apesar do derrame de papel-moeda em todo globo pelos bancos centrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A volta do Estado à cena política, fabricando e distribuindo dinheiro como nunca para irriga o crédito e maquiar os balanços dos grandes aglomerados econômicos, pode estar gestando a mãe de todas as bolhas, inflada por um conjunto de medidas anti-recessivas. Agora, sem subterfúgios e sem a mediação dos mercados financeiros colapsados, os governos imprimem papel-pintado que chamam dinheiro e põem na conta do Estado, aumentando o déficit fiscal que deverá ser coberto num longínquo futuro por impostos arrecadados de uma mais valia que não se realizará já mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se essa conta, como todos sabem, é impossível ser paga pelas produções vindoura de mercadorias, a tendência é ter-se dinheiro sobrando sem lastro na riqueza real. E dinheiro que excede a riqueza além de um certo limite, não importa a origem, é inflação que como a deflação são os sinais mais visíveis da crise global do capitalismo. Apesar de tudo, aparentemente nada de novo se apresenta até agora capaz de substituir o modo de produção vigente. A saída via Estado, defendida por "socialistas" de países da América Latina, só diferem das medidas dos países ricos, da Europa aos Estados Unidos, pelo grau de intervenção (muito maior nos últimos), e pela arrogância de seus pequenos dirigentes que acreditam estar mudando o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.05.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4625380699794586466?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4625380699794586466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4625380699794586466' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4625380699794586466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4625380699794586466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/05/o-otimismo-dos-agentes-do-mercado.html' title='O súbito otimismo dos agentes do mercado'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-8713380831202514315</id><published>2009-03-28T09:24:00.006-03:00</published><updated>2010-11-27T15:43:55.395-02:00</updated><title type='text'>Por que a crise atual é pior do que a de 29?</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oitenta anos separam 1929 de 2009. Tempo insuficiente para entender-se os acontecimentos daquele período, muito menos os anos posteriores que deram origem ao nazi-facismo na Europa e segui-se à segunda guerra mundial com todos os seus horrores, o capitalismo já encontra-se imerso na maior crise de sua existência. Olhando pela janela da história nosso passado recente, não precisamos de nenhuma expertise para enxergar as diferenças fenomenais entre aquele mundo, onde as formações pré-capitalistas abundavam, e o de hoje, de absoluta hegemonia do capital, que traz como efeitos colaterais desequilíbrios ecológicos assombrosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 29, e até após a segunda guerra mundial, parte significativa da população de um planeta muito menos povoado vivia no campo, mesmo na Europa, principalmente na Central, na Rússia e nos países do Leste que com ela formavam o bloco Soviético. Nações continentais como a Índia e a China eram praticamente agrárias. A situação não era diferente no restante da Ásia, América Latina. Os EUA, que despontava como a grande potência industrial pós-guerra, o peso do campo era importante. Parte do que se produzia ia para o mercado mundial (como o café e o açúcar aqui no Brasil), mas a economia de subsistência tinha ainda um peso muito grande, ou seja, significativos agregados humanos só marginalmente se relacionava com o mercado. A troca do excedente produzido em muitas áreas rurais ainda se dava sem a mediação do dinheiro, o trabalho assalariado avançava, mas não tinha aí se consolidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da segunda guerra mundial, o fluxo migratório em um mesmo país, ou entre países, sempre se deu no sentido campo-cidade. O avanço da monocultura de produtos para o mercado mundial, e, mais recentemente, o emprego intensivo de capital e de novas tecnologias no campo, movimentou imensos contingentes humanos em direção as cidades, que resultou em megalópoles com problemas infindáveis, principalmente nos países de terceiro mundo. Toda uma população que antes vivia no campo e pouco dependia do dinheiro para sobreviver, passa agora depender da produção capitalista e, conseqüentemente, do vil metal sem o qual põe em risco sua sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise de 29 se alastrou pelo mundo, mas foi sentida mais intensamente na Europa Ocidental e EUA. Se compararmos o PIB mundial daquele período com o atual como também a extensão da crise, veremos que a destruição de capital em 29 foi infinitamente inferior ao que hoje vivenciamos. O desmoronamento do sistema financeiro e a violenta retração da produção que continua em curso é global. Não existem regiões, países ou populações menos afetados como foi observado em 29. A cidade e o campo contorcem-se com a mesma dor, basta analisar o comportamento dos preços das commodities de toda espécie que vem despencando pelo fraco desempenho do mercado mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao colapso das empresas seguir-se-á o colapso de países e regiões inteiras apesar das instituições anticíclicas criadas antes e após a segunda guerra mundial. Países literalmente falidos já fazem fila e batem de pires na mão na porta do FMI, dos bancos centrais europeus e americano em busca de salvação. Será possível? Em terras arrasadas, depois de revolvidas, pode nascer alguma coisa, mesmo que seja erva daninha. Mas o custo social, que ainda não cobrou seu preço, será devastador! O desemprego, já agravado pela terceira revolução industrial, pode atingir números dramáticos e os governos dificilmente conseguirão manter benefícios para todos desempregados, mesmo porque a prioridade é utilizar os recursos financeiros, fictícios ou não, para manter a máquina capitalista autofágica funcionando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho que seguem com determinação para salvar o capitalismo global em crise continua o mesmo: mais bolhas. Antes estimuladas pelos governos e geradas nos mercados é agora de vez assumida pelos Estados que já não escondem a impressão de dinheiro sem substância em suas casas da moeda em magnitudes jamais vistas sob o aplauso de todos. O capitalismo em fase terminal, para manter-se morto-vivo teve que fraudar a acumulação com toda espécie de bolhas e esticar o crédito ao infinito nas últimas décadas. Sem milagres a vista, a toada continua a mesma, agora sob a batuta dos governos até que um novo estouro recobre o real sentido da crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado, 28 de março de 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-8713380831202514315?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/8713380831202514315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=8713380831202514315' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8713380831202514315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8713380831202514315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/03/por-que-crise-atual-e-pior-do-que-de-29.html' title='Por que a crise atual é pior do que a de 29?'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-9074284108498243056</id><published>2009-03-13T21:34:00.001-03:00</published><updated>2010-11-27T15:48:48.677-02:00</updated><title type='text'>Os zumbis da economia em crise</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hoje o mundo é totalmente dependente do capital internacionalizado para qualquer investimento. O chamado capital nacional é uma ficção. O problema é que o capital não tem mais como se reproduzir na economia “real”. Seu destino é girar em falso, sem rumo como um zumbi, produzindo bolhas financeiras aqui e acolá, simulando acumulação. É a forma que encontrou de se manter morto-vivo na sociedade do trabalho em crise."&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/um-zumbi-assombra-o-mundo.html"&gt;Rumores da Crise - Rall: Um Zumbi assombra o mundo&lt;/a&gt; – 08/05/2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vamos ser diretos aqui. Há uma chance razoável, não uma certeza, de que Citi e BofA, juntos, percam centenas de bilhões de dólares nos próximos poucos anos. E seu capital não é nem remotamente suficiente para cobrir as possíveis perdas. De fato, a única razão pela qual ainda não quebraram é a de que o governo está agindo como um esteio, implicitamente garantindo suas obrigações. Mas são bancos zumbis, incapazes de fornecer o crédito de que a economia precisa."&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2402200908.htm"&gt;Folha de S.Paulo – Paul Krugman: Os bancos diante do precipício - 24/02/2009&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa polêmica sobre zumbis lembra-me de um filme, se não me engano de Paul Morrissey, sobre o Conde Drácula que doente, acredita recuperar-se bebendo sangue de virgem. Com a escassez de mulheres castas na Romênia, resolve viajar da Transilvânia até uma remota fazenda italiana, depois de receber uma carta informando-o que um pai ambicioso, zelava pela castidade das filhas, cobiçando casá-las com nobres que oferecessem uma merecida recompensa pela preciosa raridade. Numa viagem cheia de percalços e confusões, o moribundo Conde a duras penas consegue chegar ao destino. Num estado de excitação que fazia todo corpo tremer, é apresentado às garotas e de pronto se apaixona pela mais velha que num gesto provocante, sacode o cabelo e deixa nu todo um lado do belo pescoço. O Conde, na mesma noite, crava os dentes ferinos no sensual pescoço, e solta um grito agoniado quando o sangue esguicha em sua boca. Ao passar dos dias, vai ficando cada vez mais angustiado à medida em outros pescoços são mordidos e o sangue que jorra é rejeitado por seu refinado paladar. Sabe como morto-vivo, que se não encontrar o precioso alimento logo só restará um espectro de vampiro a vagar sem rumo por um estranho mundo, um verdadeiro zumbi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capital, nos seus estertores, apresenta comportamento semelhante. Não tendo aonde aporte para sugar trabalho vivo que conserve e faça crescer o morto, sofre como o Drácula de nossa história em busca de sangue virgem. O trabalho vivo, alimento essencial a reprodução do morto-vivo capital, vem rareando com a corrida pelo aumento da produtividade imposto pela concorrência global na terceira revolução industrial. O Conde Drácula, na desesperada busca de sangue virgem, compete com o mundo dos homens e se dá mal. Os capitais, em busca de competitividade, guerreiam entre si expulsando seu alimento da produção, portanto parte de seu ser. O requintado Vampiro, ao rejeitar o sangue de não virgens apesar da abundância, sabe que não sobreviverá. O capital, ao não suportar sequer o cheiro do suor dos “não-rentáveis” (Kurz), que no desespero famélico oferecem-se aos montões para serem consumidos como mercadoria barata, terá o mesmo destino. No encanto pelas máquinas esquece que o trabalho humano abstrato é seu alimento e que na sociedade burguesa o homem para consumir os meios necessários a sua reprodução tem que vender seu trabalho ou morrem de fome, homem e capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na concorrência empresarial, a tendência é refazer-se a composição orgânica do capital, reduzindo-se o capital variável e aumentando o fixo. Ao tornar mais oneroso os custos dos investimentos com o aumento do capital fixo (máquinas, equipamentos etc.), reforçar-se então a importância do crédito. O “valor valorizado” (Marx) definha, seu espectro se liberta e como um zumbi assombra o mundo simulando acumulação na forma de capital fictício. Zumbi não são só bancos insolventes, mas todo capital financeiro que não aportando na produção aonde a rentabilidade é insuficiente, simula em suas entranhas a acumulação, reproduzindo papéis destituídos de substância de valor. O Sr. Krugman em seu artigo, parece acreditar que a ganância e as más decisões são responsáveis pelo castigo que nos impõe a crise. Apesar de reconhecer as incertezas que o mundo nos submete, não ultrapassa em suas análises os limites nos quais os homens são obrigados a se mover na sociedade burguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilusão de que a estatização é a solução para crise do crédito, ao qual se atribui os motivos da crise sistêmica, reside no fato de os teóricos da economia rejeitar o trabalho abstrato como substância do valor, de renegar inclusive as descobertas de seus economistas mais lúcidos como Ricardo e Adam Smith. O que se observa com o movimento dos neoliberais em direção ao Estado “empreendedor”, que deixa amuada a esquerda estatizante, é a busca de uma nova bolha, já que no mercado todas explodiram e não se vislumbra outras. Bolha que vem se formando com a ajuda das instâncias financeiras dos Estados e por elas geridas, consensuada pelos governos e agentes econômico, deverá servir de base para as reformas articuladas pelos países do Centro. Pelo enorme volume de dinheiro sem lastro colocado a disposição e impressos nas casas da moeda, no momento certo essa bolha estatal também explodirá, talvez na forma de hiperinflação, sem, contudo, estancar a crise que é dos limites da acumulação do capital cuja expansão do crédito ao infinito foi um dos seus sintomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.03.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-9074284108498243056?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/' title='Os zumbis da economia em crise'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/9074284108498243056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=9074284108498243056' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/9074284108498243056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/9074284108498243056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/03/o-zumbi-da-economia-em-crise.html' title='Os zumbis da economia em crise'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-21306495633836991</id><published>2009-02-15T17:42:00.003-03:00</published><updated>2010-11-27T16:48:58.573-02:00</updated><title type='text'>O Protecionismo e seus conteúdos</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros gritos em defesa do emprego e da produção nacional começam ecoar nos países europeus e nos EUA. É um indicador importante da incapacidade dos políticos e das camadas dirigentes reverterem a crise sistêmica com os mecanismos monetários ou keynesianos conhecidos. Buscam-se remédios antigos para uma situação que vinha se acumulando desde o início dos anos 80, quando se acelera a destruição de empregos com o impacto das novas tecnologias utilizadas na produção de mercadorias. A cada sinal da crise que estava por vir, aumenta-se a produtividade e novos postos de trabalho são fechados; a concorrência, em todos os níveis da sociedade, torna-se cada vez mais feroz, e, para compensar a queda da massa total de mais valia e lucro, infla-se ativos reais e imaginários, como forma enganosa de garantir o crédito em expansão para os próximos séculos, e com isso o consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vejo o indignado leitor, com o dedo no gatilho, oferecendo-se para ser parte do pelotão de fuzilamento pronto a ajustar contas com aqueles que trapacearam o mundo. Calma senhores, não é bem assim! Quantos de nós nos locupletamos utilizando as vantagens oferecidas pelo sistema financeiro para fazer nosso dinheiro “crescer”? O que investimos em papéis, mesmo que sejam os restos de um minguado salário, obedece à mesma lógica do mega-investidor de bilhões de dólares. Essa lógica, que é a lógica do capital de fazer mais dinheiro, fictício ou não, se estabelece na sociedade capitalista independente das vontades mais poderosas. O discurso, culpando a especulação financeira pelos sofrimentos do “bom capital produtivo” é demagógico, pois, apesar de toda reclamação continuam pondo trilhões de dólares no sistema colapsado. É perigoso, pois desvia a atenção dos motivos reais da crise e elege setores da sociedade como bode expiatório de uma lógica cega e destrutiva, sem nenhum átomo de crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas crises do capitalismo, em particular essa pela sua dimensão global e pela dificuldade de se enxergar no horizonte saídas, onde se destrói sem piedade capitais e milhões de empregos, pondo em risco a sobrevivência de parte da população do planeta, traz à tona não só o medo, mas o que há de pior gerado no cotidiano barbarizado e recalcado em tempos “normais”. Os acenos dos governos ao protecionismo refletem a incapacidade de gerenciarem a crise, mas também as pressões daqueles que ao verem seus empregos ameaçados, buscam no outro o motivo de sua miséria. O conflito se estabelece não só com o outro de fora, mas também com o outro de dentro, o imigrante. E o outro de dentro já não é só mais o imigrante dos continentes distantes: África, Ásia, América Latina, esse há muito saco de pancada dos grupos e partidos de direita de conotação racista e fascista. O outro de dentro é o próprio europeu do leste, mesmo aqueles dos países que fazem parte da União Européia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise ainda não mostrou sua verdadeira face, mas as notícias do ressentimento de trabalhadores da Europa Ocidental contra os que ocupam postos de trabalho por uma mísera remuneração são cada vez mais evidentes. É como fossem estes os culpados pela destruição de empregos e precarização do trabalho e não a busca incessante do capital por maior rentabilidade. O aumento da intolerância dos governos com os imigrantes é o outro lado da moeda. Aonde se assume mais abertamente a repressão ao imigrante, como na Itália de Berlusconi, são os primeiros sinais do que está por vir com o agravamento da situação. Acusar os imigrantes e outros grupos minoritários pela crise do trabalho e pela insegurança na sociedade, é uma estratégia nada desprezível para se ganhar o apoio das massas ameaçadas pelo desemprego ou já desempregada, deixando incólume o capitalismo de uma crítica mais categorial. O alimentado medo do terrorismo completa o cerco que se fecha na Europa contra extrangeiros e filhos destes já há muito estabelecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caldo de cultura, a generalização da violência de grupos nacionalista, racistas e protofacistas, hoje esporádica, é uma possibilidade, como também o crescimento dos partidos de direita xenófobos, que com seus discursos belicosos e simplistas aumentam as tensões contra os de “fora”, acusando-os de invadir a sociedade ocidental com mercadorias baratas, principalmente a tão parcamente remunerada força de trabalho, ameaçando os sagrados empregos do homem branco ocidental. Corre ainda nesse rio caudaloso, pronto a se tingir de vermelho, um antissemitismo surdo e rancoroso, nunca totalmente extirpado da sociedade européia, principalmente nesse momento em que no capital financeiro são depositadas todas as mazelas da crise global do capitalismo. Nos momentos mais destrutivos da crise, a guerra interna e externa, como forma extrema da política na sociedade burguesa, é sempre uma solução, regressiva, mas racionalmente planejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.02.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-21306495633836991?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/21306495633836991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=21306495633836991' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/21306495633836991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/21306495633836991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2009/02/o-protecionismo-e-seus-conteudos.html' title='O Protecionismo e seus conteúdos'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-6542806743953892571</id><published>2008-12-26T16:18:00.002-02:00</published><updated>2010-11-27T16:57:20.409-02:00</updated><title type='text'>A economia nos tempos de crise do valor</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fatos sucedem-se. Dessa vez acerta no coração da Wall Street. Seu algoz, o mais respeitado de todos: Bernard Madoff. Cinqüenta bilhões de dólares evaporam-se num passe de mágica e mesmo assim não deixa tão rico seu fraudador. Envolvidos nessas perdas não estão investidores desinformados, mas grandes financistas, investidores institucionais, profundos conhecedores do mercado de papéis e entusiastas de obscuras aplicações. São eles que captam dinheiro de desavisados ou não, ávidos por ganhos fáceis, e repassam aos Madoff para multiplicação. Os rituais milagrosos nos terreiros dos Maldoff, das Eron e tantos outros que haverão de se sucederem, é a história do capitalismo dos anos 80 para cá, do capital fictício simulando a acumulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi à forma que o capitalismo e seus agentes encontraram para acobertar a crise da chamada “economia real”, que com a crise do valor há muito já não é mais rentável. A expansão da atividade econômica e o lucro presumível das empresas só foram possíveis nos últimos 25 anos com o jogo financeiro. Nesse período, no decorrer dos anos, torna-se cada vez mais difícil a produção vantajosa de mercadorias descolada dos investimentos no mercado de papéis. Hoje, em todo mundo, é raro encontrar-se uma empresa não associada a um banco ou financeira, que lhe garantam o crédito fácil e o rateio do “lucro” das aplicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fusão da atividade produtiva com a financeira, que no jargão dos tempos virou indústria, passa a ser total. A atividade empresarial transforma-se em apêndice da “indústria financeira” e passa a depender desesperadamente dos movimentos especulativos dessa para ser “rentável”. Os chamados ativos reais, geralmente associados a bens materiais ou imateriais, são lastros virtuais do capital fictício, e só existem enquanto valor na ficção contábil como mostra o estouro da bolha imobiliária. O tempo de trabalho socialmente necessário torna-se obsoleto como medida do valor, apesar de nas mercadorias ainda encontrar-se vestígios do trabalho abstrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como crêem sair da crise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se delineia não resolve o problema da não coincidência entre produção e consumo. As medidas articuladas para se contrapor a depressão podem alimentar novas bolhas. Nessa empreitada os governos assumiram a dianteira: baixam juros e jogam dinheiro à rodo no mercado, impressos nas casas da moeda, para compensar o capital que queima e as cinzas se espalham sem deixar rastros. Não obstante os tão em voga discursos demagógicos contra os especuladores, era esse capital evaporado, antes cobiçado e agora criticado, que sustentava o crédito fácil, alimentava o consumo desmedido e financiava governos. Sem ele, a atividade econômica é deprimida, o consumo e os investimentos param, e a deflação bate à porta assustando a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dinheiro fartamente distribuído pelos tesouros e bancos centrais, não passa de papel impresso sem nenhuma substância de valor, é capital fictício que se num primeiro momento estancar a deflação, pode mais na frente fazer explodir a inflação, mesmo considerando-se os mecanismos de contenção da expansão monetária que dispõe os bancos centrais. Portanto, as intervenções estatais estão longe de mudar a trajetória da crise. Podem até aliviar os sintomas, mas não cura o paciente moribundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a esquerda tradicional, solapada pelas iniciativas da direita, se conforma em pintar com corres menos vivas os pacotes de interesse do capital. Aplaudem as medidas como o fim do neoliberalismo e clamam por um retorno ao bom capitalismo produtivo, livre da especulação financeira e regulado pelo Estado. Não é capaz de enxergar que é na produção de mercadorias que está o problema, que todo esse imbróglio financeiro surgiu como forma de empurrar para frente o trem capitalista emperrado pela baixa rentabilidade como resultado da desvalorização do valor. Avivada pela crise, a concorrência global busca novos mercados e uma maior produtividade, aprofundando a revolução tecnológica em todos os níveis da sociedade. Aumentam-se os investimentos na concentração dos meios de produção, intensificam-se as dispensas da força de trabalho, que motiva a queda da taxa de lucro realimentando a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26.12.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-6542806743953892571?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/' title='A economia nos tempos de crise do valor'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/6542806743953892571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=6542806743953892571' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/6542806743953892571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/6542806743953892571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/12/economia-nos-tempos-de-crise-do-valor.html' title='A economia nos tempos de crise do valor'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4614464214719897850</id><published>2008-11-16T21:50:00.001-02:00</published><updated>2010-11-27T16:54:22.743-02:00</updated><title type='text'>As ações dos Estados são capazes de conter a crise após a explosão das bolhas?</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise se alastra muito rapidamente para todos os setores da economia mundial. Não se fala mais em socorro só dos estabelecimentos financeiros, mas também de gigantes da indústria e comércio como a General Motors, Ford, importantes redes de varejo para não irem à falência. As informações são da redução da atividade industrial ou do fechamento de milhares de empresas pelo mundo a fora, principalmente na China e nos EUA. As estatísticas sempre prontas para esconder o pior, já não conseguem mais negar a velocidade do desemprego galopante. Numa crise estrutural, a passagem da deflação para inflação e vice-versa, dar-se-á em grande velocidade, como também é possível a convivência de ambas em setores diversos num mesmo país ou em países diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O volume de papéis circulante que faz às vezes do dinheiro é inflacionário. Se acrescido de dinheiro impresso que nada expressa pode ser catastrófico. Num primeiro momento, esse dinheiro que não representa valor pode parecer a salvação quando se raciocina em termos contábeis. Uma empresa que necessita de bilhões em capital para cobrir rombos financeiros vai ficar satisfeita ao recebê-lo. Mas, ao entra em circulação, rapidamente se desvaloriza pelo aumento dos preços das mercadorias que no processo de troca se ajustam ao excesso de dinheiro circulante. Os mecanismos monetários utilizados pelos bancos centrais para enxugar o mercado podem não ser acionados, pois, aparentemente, o mercado insolvente sofre por falta de liquidez. Surge então o risco da estaginflação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma é o que estamos observando na economia global: os governos, na tentativa estimular as atividades econômicas em recessão, reduz os juros e põem dinheiro no mercado apesar dos sinais latentes ou explícitos de inflação. Como os agentes econômicos e o Estado burguês entendem que a inflação seria a forma menos grave de a economia purgar seus "excessos", mesmo sendo esta devastadora para as vastas camadas da população que não tem condições de se proteger contra a alta dos preços e corrosão dos salários, tendem optar por medidas inflacionárias que se contraponham a deflação, acreditando inclusive na possibilidade de aí exercer um melhor controle. Essa é também forma de pensar dos economistas chamados desenvolvimentistas ao defenderem a modernização dos países atrasados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas bolhas, o dinheiro fictício, encontra-se de certa forma contido enquanto os mecanismos de remuneração funcionam. Numa situação de “normalidade financeira” vai se reciclando sob controle quando utilizado no consumo ou em investimentos. No entanto, nas intervenções dos tesouros e bancos centrais, utilizando fartamente dinheiro público para irrigar o crédito deprimido e resgatar empresas, quando os Estados já ultrapassaram sua capacidade de endividamento presente e futura, os governos são tentados imprimir papel-moeda sem limites, tornando grande o risco de uma explosão inflacionária, pois esse dinheiro é jogado diretamente no mercado, sem as mediações encontradas nas bolhas que retardam sua entrada em circulação. Portanto, as máquinas de “falsificar” dinheiro dos governos não são capazes de substituir com eficácia as bolhas na simulação da acumulação, sem o risco de hiperinflação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no horizonte não se enxerga nenhuma bolha capaz de ancorar a economia em crise e como a tendência atual dos Estados é buscar substituir os mecanismos de formação de capital fictício das bolhas por dinheiro “falso”, o suspiro momentâneo do paciente terminal reanimado pela injeção de placebos, pode se transformar logo em seguida em desastre econômico de proporções inimaginável. Dependendo da velocidade em que se dá a queima e a reposição do capital sem substância, a deflação e a inflação, como formas fenomênicas da crise, em diferentes momentos transmutam-se por se encontrarem em equilíbrio precário. E como não se vislumbra nenhuma revolução tecnológica capaz de reaquecer a máquina capitalista de “valorização do valor” (Marx), é possível uma convivência diária com esses fenômenos que manifestam a cronificação da crise, até que a sociedade tome novos rumos ou resolva se afundar na barbárie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16.11.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4614464214719897850?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4614464214719897850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4614464214719897850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4614464214719897850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4614464214719897850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/11/as-aes-dos-estados-so-capazes-de-conter.html' title='As ações dos Estados são capazes de conter a crise após a explosão das bolhas?'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4491463005572834896</id><published>2008-10-22T22:15:00.001-02:00</published><updated>2010-11-27T16:58:12.693-02:00</updated><title type='text'>A crise que não se deixa administrar</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sinais de recessão que assolam o mundo ainda são por conta do peso do setor financeiro no PIB. Apesar das demissões nesse setor, o impacto maior será sentido quando o consumo e os investimentos sentirem toda força da escassez do crédito. Os investimentos serão atingidos duplamente: pela escassez do crédito e pela redução do consumo. É nesse momento que o desemprego atingirá com força a economia real com a redução da produção e o fechamento de fábricas. Parte dos assalariados que continuarão empregados terão seus salários achatados e reduzirão o consumo inibindo mais ainda a produção. Os estados endividados terão dificuldade de executar programas keynesianos sem o risco de uma explosão de preços. Configura-se uma situação perigosa que num primeiro momento tende acirrar ferozmente a competição, destruindo os poucos e frágeis laços de solidariedade que possam existir. Com o esgotamento dos instrumentos anti-crise do mercado e do Estado burguês, setores belicistas estarão mais ativos do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expansão monetária ao infinito, através da formação de bolhas, levando o dinheiro a se multiplicar sem a mediação da mercadoria, eterno desejo dos “sujeitos automáticos”, entrou em violento conflito com o dinheiro equivalente-geral, expressão do trabalho abstrato. Obrigada a se contrair de forma drástica, leva consigo a economia real que verga com a crise do valor e usa o artifício das bolhas para se manter em movimento. A crise estrutural, diferentemente das crises de crescimento, está longe do fim e mostra que o capitalismo mundial que há muito já ultrapassou as últimas fronteiras da acumulação, corre o risco de desabar sobre si. O discurso do descolamento dos países em desenvolvimento, totalmente desqualificado pelos fatos, mostra que as análises locais, apesar de necessárias, não dão conta da totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compreensão do momento exige um esforço teórico maior do que discursos ideológicos vazios de conteúdo, muitas vezes perigosamente mobilizadores pelas simplificações e pelos apelos a soluções mágicas. Exige uma ampla e cuidadosa discussão, dentro da perspectiva de uma aliança capaz de pensar além da sociedade da mercadoria. Se a ilusão da luta de classe como “motor da história” já não convence, merece ser aprofundada a crítica considerando-se as diferenças sociais e a existência de grupos vulneráveis formados pelos expelidos da produção ou destituídos de rendimentos de qualquer espécie. A crise, ao sugar massas enormes de capital, ao destruir poderes, desestrutura sujeitos levando-os a loucura competitiva e autodestrutiva, carregada de desejos mórbidos que podem arrastar multidões sem rumo ao sofrimento. Não devemos esquecer que o espírito de Auschwitz, a “indústria da morte”, continua em ação por outros meios antes mesmo do agravamento da crise, como mostram as guerras de extermínio em algumas regiões do terceiro mundo e dos Bálcãs em pleno coração da Europa e a violência nos grandes centros urbanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia, enquanto esfera estruturante da sociedade capitalista, com a intensificação da crise, todas as atenções e recursos vão estar mobilizados para salvá-la da ruína. Resgatar um banco hoje não vai reduzir o risco de milhões passarem fome, mas pode manter o crédito que garante o funcionamento da máquina de “valorização do valor”. A população não rentável, que mais e mais se desacopla da produção, muito rapidamente será abandonada à própria sorte. Os programas sociais já restritos, nesse contexto tornam-se supérfluos. A crise pode ser ainda a justificativa para que a destruição do meio ambiente continue sem restrição. O acirramento da concorrência e a busca de novos mercados pelos países exportadores levarão a desertificação industrial de regiões inteiras. O capitalismo-cassino onde todos os jogadores ganhavam foi o atalho encontrado para o dinheiro farto e barato. Mas essa banca um dia haveria de quebrar e quebra num momento em que os indivíduos, as empresas e o Estado já não suportam mais o peso da dívida o que dificulta a saída da crise pelas vias tradicionais como querem os arautos da economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22.10.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4491463005572834896?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4491463005572834896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4491463005572834896' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4491463005572834896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4491463005572834896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/10/crise-que-no-se-deixa-administrar.html' title='A crise que não se deixa administrar'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-593949854717295027</id><published>2008-10-03T15:11:00.001-03:00</published><updated>2010-11-27T15:52:43.831-02:00</updated><title type='text'>A linguagem da crise</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;A procura de uma linguagem para explicar a crise e as fórmulas abstratas irreais que buscam justificar a formação de preços dos papeis apodrecidos do capital fictício, tem levado os analista a uma descrição cada vez mais obscura e ininteligível dos fatos econômicos. O que nos disparates da fúria descritiva não se consegue explicar é transformado em gíria logo aderida por todos e o fictício torna-se ficção de qualidade duvidosa. Isso é possível quando os pressupostos da descrição da crise estão carregados de justificativas de um mundo fora controle, movido por uma lógica que passa ao largo da vontade humana. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Em sua trajetória ascendente, a crise da acumulação do capital na economia real, encontrou na formação de capital fictício a partir dos anos 80, um jeito, mesmo que enganoso, de dribla a estagnação. Foi o tempo das grandes invenções financeiras como os derivativos e outros papéis, justificados com complexas fórmulas matemáticas descoladas da produção real e sustentadas por operações do tipo carry trade entre muitas. Hoje, postas em cheque pela crise, há uma tentativa de se recriar essas abstrações através de uma linguagem esotérica, na tentativa de elucidar a crise e dela sair negando a realidade da mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se nas ùltimas décadas a saída para crise da “valorização do valor” foram as bolhas de capital fictício, alimentadas com papeis sem lastro gerados no setor público e privado, com a queima desses ativos financeiros pela deflação e com a impossibilidades do surgimento de uma nova bolha capaz de dà continuidade ao processo de formação do capital sem substância, pelo menos em curto e médio prazo, buscam-se culpados e soluções mágicas que possam preservar o mundo das mercadorias. E aí, além da obtusa linguagem, se estabelece uma arenga para ver com quem fica a pecha de bode expiatório.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sob o açoite da crise, o discurso neoliberal se transmuta em seu contrário e os agentes do soberano mercado suplicam pela intervenção do antes ineficaz Estado. Estatizações de monta jamais vistas são realizadas para salvar setores privados inteiros, como sempre aconteceu no capitalismo em crise. &lt;span style="font-size: 0px;"&gt;&lt;/span&gt;O discurso estatizante tão arraigado no imaginário das esquerdas em todo mundo é solapado pela direita para salvar o capitalismo, mostrando a verdadeira face do Estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;As dimensões da crise ainda não se delinearam. A montanha de dinheiro postos pelos governos nos mercados vem mostrando-se incapaz de garantir estabilidade do setor financeiro e o aumento da liquidez. Mesmo que isso venha acontecer por um curto período, quando o impacto da falta de crédito atingir o ápice na economia mundial, com sérias implicações para o consumo e investimentos, é provável um novo tombo das bolsas e bancos retroalimentado pelo agravamento na crise da economia real. Isso pode levar a necessidade de novos aportes de capital para o setor financeiro, que se suprido por dinheiro impresso pelos Tesouros, aumentará enormemente o risco de uma inflação descontrolada.&lt;span style="font-size: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size: 0px;"&gt;Paris, 03.10.2008 &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 0px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 0px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-593949854717295027?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/593949854717295027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=593949854717295027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/593949854717295027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/593949854717295027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/10/linguagem-da-crise.html' title='A linguagem da crise'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-284744015289424948</id><published>2008-07-17T22:12:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:35:02.474-03:00</updated><title type='text'>Inflação ou deflação, para onde caminha a crise?</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As surpresas da crise têm deixado tontos analistas econômicos de várias tendências. Alguns convivem angustiados com a inflação, outros vaticinam uma deflação mundial como o verdadeiro Nosferatu da crise. Esquecem, ou não enxergam, que inflação e deflação são formas de manifestação da crise&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/03/o-beco-sem-sada-da-economia-da-economia.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;, e que o deslocamento para um lado ou para o outro, vai depender das circunstâncias. Se olharmos como a crise vem se desenrolando nos EUA, veremos isso com mais clareza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No estouro da bolha imobiliária, um setor inteiro, talvez o mais importante da economia americana, entra em deflação com desabamento dos preços dos imóveis em geral. Segue-se a queda dos preços de ativos financeiros a eles relacionados, negociados nos mercados em todo mundo. Parte do capital que consegue se safar de virar pó, foge para ativos reais, já que os papéis de toda espécie apresentam-se altamente inflamável ao menor atrito na economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um desses ativos mais seguro é o ouro, que como outros metais preciosos não derretem fácil às altas temperaturas da crise. O ouro que volta a cena com todo esplendor, ameaça a assumir o papel de equivalente geral no mundo das mercadorias com a fraqueza do dólar. Capitaneia commoditieis metálicas em seu salto para o além, que já vinham com preços acelerados pela demanda aquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como forma mais acabada da mercadoria-dinheiro, o ouro, e também seus pares metálicos, não brilham em quantidade suficiente para o capital que corre solto em busca de garantias. Brota então o ouro negro para reforçar a bolha das commoditieis. Como ainda sobra dinheiro inseguro de sua função, e dessa vez não é possível guardar dólar em baixo dos colchões pela rápida desvalorização do mesmo, aposta-se nas commodities agrícolas. Daí a inflação que se espalha por outros setores da economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se parte da população mundial deixar de se alimentar, os abastados não encherem os tanques de seus carros bebedores de gasolina e álcool na velocidade em que faziam, os impulsivos consumistas não comprarem objetos de pouca utilidade que só poluem e evenenam o planeta, vai sobrar mercadoria e os preços podem desabar. E então, a outra face da crise, a deflação, pode se manifestar com força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses espasmos que fazem o capitalismo em crise e seus agentes contorcerem-se de dor, parecem querer mostrar os limites a que está sujeito a acumulação real na terceira revolução industrial. O fogaréu que consome o capital fictício, ora com a intensificação da inflação, ora com a deflação em países diferentes, ou em setores diferentes de um mesmo país, pode chamuscar os bolsos fartos de alguns e jogar na miséria e na fome multidões de Continentes inteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no horizonte não surgir à possibilidade de uma bolha de longa duração, pois a bolha das commodities pode rapidamente se esvair, e pouco restar do capital fictício das que estouraram, deve predominar mundialmente a deflação. Neste cenário, Estados endividados entrarão em colapso e não haverá outra saída se não aumentar a impressão de moedas sem lastro, que pode levar a hiperinflação, sem, no entanto, impedir a queda relativa dos preços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa forma de inflação, velha conhecida dos países do terceiro mundo, em particular dos brasileiros, funciona como um tributo perverso que transfere renda dos mais pobres para financiar os gastos do Estado e das camadas mais ricas da população, muitas das quais só sobrevivem na sombra estatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/03/o-beco-sem-sada-da-economia-da-economia.html"&gt;(1)O beco sem saída da economia americana&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17.07.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-284744015289424948?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/284744015289424948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=284744015289424948' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/284744015289424948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/284744015289424948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/07/inflao-ou-deflao-para-onde-caminha.html' title='Inflação ou deflação, para onde caminha a crise?'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-2896821112759323751</id><published>2008-07-08T21:28:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:36:05.312-03:00</updated><title type='text'>Bolhas, buracos negros e inflação</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bolhas financeiras quando em crescimento, funcionam como diques de contenção do capital excedentário. Quando se rompem, o capital contido e multiplicado sai atrás de tudo que aparentemente reluz. As bolhas são como buracos negros, sugam toda matéria que possa ser alcançada por sua força de atração, mas a mantém contida pela energia aí gerada. Se explodem, joga tudo para fora - nesse caso as bolhas, pois não se tem conhecimento de explosões de buracos negros apesar de ser um evento possível. A matéria, o dinheiro expelido, busca acomodar-se em outros buracos que lhes sejam rentáveis, não sem antes causar distúrbios por vezes violentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença da crise atual para as anteriores, causadas também por estouro de bolhas financeiras, é que agora todos os papéis parecem suspeitos, o que tem levado o capital a se dirigir e aportar em ativos reais, principalmente aqueles, que por motivos diversos, podem ou vem sofrendo alguma pressão de demanda. O exemplo mais evidente é o do petróleo, aonde os preços já vinham subindo em função da escassez na natureza e das incertezas políticas nos países produtores. Mas só o desequilíbrio entre a oferta e a procura, não é, de forma nenhuma, suficiente para explicar o salto absurdo dos preços logo após o estouro da bolha imobiliária nos EUA, como pregam alguns arautos do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O petróleo, como outras commodities, sobe num momento em que a expectativa é a redução do crescimento mundial, ou seja, de redução da demanda, o que aponta para a existência de uma bolha. O problema é que a bolha das commodities, em particular do petróleo, é altamente inflacionária, pois sendo este a matriz energética do mundo e matéria-prima de um grande número de produtos industrializados, a inflação tende a disseminar-se por todos os setores da economia. Para tomarmos consciência da importância do petróleo na produção de mercadorias é só olhar além dos tanques de combustíveis de nossos carros, para os objetos que nos cercam, os alimentos que ingerimos e veremos o que significa o aumento de preços desse produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bolha das commodities difere das demais pelo fato de o aumento dos preços se espalharem por todo planeta, não se restringindo a alguns países por ter a economia capitalista no petróleo a sua principal base sustentação. Quanto ao aumento dos preços dos alimentos, pode ter alguma relação com o consumo, mas é preciso levar em consideração os preços dos transportes, da armazenagem, dos insumos, principalmente dos fertilizantes, que direta ou indiretamente tem alguma relação com o petróleo. Mas não pode ser deixado de lado, de forma alguma, o impacto da utilização das commodities como refúgio do capital que foge dos estragos causados nas bolsas, no setor financeiro e em seus exóticos “produtos”, pela crise imobiliária americana. É só analisar a velocidade de negociação das commodities alimentares nas bolsas de mercadoria &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/06/nem-que-todos-morram-de-fome.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;, e a voraz compra de terras produtivas e meios de produção pelos fundos em todo mundo e no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível assistirmos aqui situação semelhante a dos anos setenta&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/uma-breve-histria-da-expulso-do-homem_13.html"&gt;(2)&lt;/a&gt;, quando no lançamento do Pró-álcool, terras destinadas ao cultivo de alimentos pelos pequenos agricultores e suas famílias, foram “expropriadas” pelo capital, que via na monocultura da cana-de-açúcar e na produção de álcool uma alternativa para aumentar a rentabilidade. Com o entusiasmo do governo pelos biocombustíveis e o capital global à solta, ávido por novas oportunidades, tudo fica mais fácil. Só estamos no início de um processo e a compra de terras por empresas, fundos nacionais e estrangeiros, que vão de vastas extensões a pequenos sítios, já fez subir significativamente o preço do hectare, o que deve complicar mais ainda a produção de alimentos e a inflação. As condições são propícias para uma nova onda de concentração da propriedade fundiária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso de um desajuste causado na economia pelo “choque de oferta” e pressão de demanda, como único responsável pelo aumento dos preços das commodities, não entende, ou intencionalmente tenta deixa de lado, a importância do violento movimento do capital, fictício ou não, em busca de rentabilidade na crise atual. A fragilidade do dólar frente às outras moedas, que busca compensar a queda das vendas internas americanas com as exportações, e, ao mesmo tempo, reverter o déficit na balança comercial, tende a agravar mais ainda a situação, pois a depreciação do dólar, que funciona como dinheiro universal, é causa e efeito dessa nova realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29.06.2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/06/nem-que-todos-morram-de-fome.html"&gt;(1) Nem que todos morram de fome...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/uma-breve-histria-da-expulso-do-homem_13.html"&gt;(2) Uma breve história da expulsão do homem do campo pelo capital&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-2896821112759323751?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/2896821112759323751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=2896821112759323751' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2896821112759323751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2896821112759323751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/07/bolhas-buracos-negros-e-inflao.html' title='Bolhas, buracos negros e inflação'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-778526886266389761</id><published>2008-06-24T21:09:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:39:45.346-03:00</updated><title type='text'>O fantasma de 29 e a crise atual</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inflação antes restrita a alguns países, torna-se um fenômeno mundial e volta a assustar. A sombra da crise de 29, que arrastou o mundo à carnificina da segunda guerra mundial e parecia esquecida, assume contornos bizarros no horizonte e já é avistada com assombro por alguns. E é ela bem mais real do que os desejos de muitos analistas e governantes. Na velocidade em que vem se formando o capital fictício a partir dos anos 80, apesar dos mecanismos de contenção, chegaria o momento que este transbordaria e mostraria sua outra face: a inflação. Tão pouco esperada para um momento em que a economia americana e mundial dá sinais de desaceleração, a inflação tem vários determinantes, mas vamos nos ater ao que achamos no momento importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dinheiro excedente, gerado de diversas formas, principalmente nas bolhas e nas máquinas dos governos para ser generosamente distribuído, deve ser levado em consideração quando se fala em retomada da inflação. Vale uma ressalva antes de prosseguirmos: com a terceira revolução industrial, a produção atual de mercadoria depende da formação de capital fictício. Na fórmula clássica D-M-D’, mais dinheiro (D’) só é possível por ser a força de trabalho uma mercadoria capaz de produzir mais valor. Com a automação da produção que tende a aumentar o capital fixo e a dispensar cada vez mais trabalho do processo produtivo, a formação de mais dinheiro (D’) como expressão da “valorização do valor” entra em crise. Daí o surgimento das “máquinas” de produção de capital fictício na economia mundial que não se restringem à impressão de papel-moeda pelos governos. Foram se constituindo mecanismos sofisticados de geração dessa forma de capital, que aparentam uma relação mais direta com a produção de mercadorias do que as impressoras das casas de moedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses mecanismos é a relação econômica dos EUA com os países asiáticos, principalmente China e Japão, onde o enorme déficit comercial americano é coberto com uma montanha de dinheiro barato vindo desses países. Outros são os juros negativos praticados pelo Fed (e outros bancos centrais), os subsídios e cortes de impostos, medidas sempre tomadas todas as vezes que a economia entra ou corre o risco de recessão. O volume de capital que passa a circular a partir daí, ofertado a longo prazo as famílias e as empresas, ultrapassa a capacidade de consumo e investimentos, permitindo liquidez para especulação de toda ordem e formação de bolhas em vários setores da economia. Essas bolhas, ao devolverem mais dinheiro mesmo que fictício ao mercado, realimentam o consumo e os investimentos, aumentando também o tamanho e a possibilidade de outras, numa crescente bola de neve que parece não ter fim. Mas, um bom observador verá que a ascensão das bolhas e o crescimento econômico a ela acoplada, são sempre acompanhados de estouros e da queda da economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse parece ter sido o meio encontrado, pela economia global, para superar as dificuldades geradas com a crise do trabalho na era da revolução tecnológica, que leva a paralisia na formação de capital, entendido como trabalho morto acumulado. Não é um processo linear. Na competição sem limites por mercados, o capital está sempre em movimento na busca de novos espaços que lhes sejam favoráveis na produção de mercadorias. Por outro lado, mesmo com o “efeito bolha”, empregos não são criados em quantidade suficiente capazes de compensar o fechamento de postos de trabalho produtivos pela introdução de novas tecnologias, que pode ser indiretamente medido pelo grande aumento da produtividade do trabalho observado nas últimas décadas em todo mundo. Esse fenômeno não impede que ondas de empregos emerjam em certos momentos do capitalismo mundial como observado até recentemente. São empregos, em grande parte, improdutivos no sentido de não gerarem mais valia, e empregos precarizados como indica a estabilidade ou mesmo a queda da massa salarial na maioria dos países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um lado essa enorme quantidade de dinheiro supérfluo empurra para frente a possibilidade de uma crise sem retorno da forma capitalista de produção, quando não devidamente contido pelos vários mecanismos financeiros pode levar a inflação, como agora observamos após o estouro da bolha imobiliária que obrigou os capitais se deslocarem para ativos reais, inflando aos céus os preços das commodities metálicas, químicas (petróleo e derivados) e de alimentos. Situação agravada com os juros negativos, principalmente nos EUA e Japão, e pela ação dos bancos mundiais dos países ditos desenvolvidos que despejaram no mercado mais de um trilhão de dólares sem, no entanto, conseguir reverter a crise do sistema financeiro nem aquecer, como se esperava, suas economias. Os velhos remédios keinesianos ou monetaristas já não funcionam mais. Juros baixos e mais dinheiro para o consumo na situação atual significa mais inflação; arrocho monetário e juros altos mais recessão sem a garantia da queda dos preços. É a crise autonomizada dando sinais de sua verdadeira dimensão, mostrando que não se deixa facilmente controlar pelas vontades das elites e dos governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24.06.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-778526886266389761?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/778526886266389761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=778526886266389761' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/778526886266389761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/778526886266389761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/06/o-fantasma-de-29-e-crise-atual.html' title='O fantasma de 29 e a crise atual'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4884101104523890886</id><published>2008-06-11T23:56:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:40:11.086-03:00</updated><title type='text'>NEM QUE TODOS MORRAM DE FOME...</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estouro da bolha imobiliária e a fuga dos capitais das bolsas de valores têm direcionado o dinheiro para as commodities com repercussão nos preços do petróleo, metais e alimentos. É claro que o redirecionamento da produção mundial de mercadorias para países como a China, Índia e mesmo o Brasil entre outros, tem aumentado o consumo de commodities. Mas, vale ressalvar, que pelo menos China e Índia, vem apresentando crescimento econômico próximos dos percentuais atuais há vários anos sem que as commodities subam tanto como se tem observado após o estouro da bolha imobiliária, mesmo sabendo-se que seus preços sempre estiveram sujeitos à variações especulativas. Num capitalismo que não mais consegue respirar sem bolhas, era previsível após o estouro de uma surgisse a necessidade de geração de outras &lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/08/procura-se-uma-bolha.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;, mesmo porque o capital sobre ameaça de ser consumido pelo fogo da crise tende a escapar para lugares aparentemente mais seguros à medida que as labaredas aumentam. E o que, mas imediatamente se apresenta pronto a acolhe-lo no mercado, são as commodities de toda natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação mundial de abastecimento dessas commodities ajuda também na formação da bolha. O preço do petróleo, por exemplo, tem variado a partir de situações reais como os limites de fornecimento desse produto pela natureza e a instabilidade no Oriente Médio. A fraqueza do dólar e a inflação mundial são outros elementos de instabilidade dos preços. Mas não são suficientes para explicar altas tão significativas como na sexta-feira de 06/06/2008, quando o barril subiu mais de dez dólares frente a indicadores de que a economia americana fazia água. Se olharmos com cuidado os momentos recentes de aceleração do preço do barril, veremos que está colado ao agravamento da crise imobiliária e as dificuldades dessa economia se manter em pé. Ou seja, parte do capital que antes se multiplicava do nada em outras plagas, frente às ameaças de ser tragado pela crise, hoje se desloca com toda força para as commodities.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estranho comportamento das bolsas de valores em todo mundo, que sofrem fortes quedas pela desvalorização das ações dos bancos e das financeiras, e em outros momentos se recuperam com o aumento dos preços das ações das empresas petrolíferas e das que lidam com extração e processamento de metais, desconsiderando o agravamento da crise e a possibilidade real de uma recessão global, apontam para formação de uma bolha nas commodities. Quanto às bolsas de mercadorias, as safras dos produtos agrícolas são aí negociadas várias vezes ao ano, o giro vem aumentando absurdamente. Em 2007 a safra de soja foi negociada 22 vezes e a de milho 10 vezes mais do que a produção física desses produtos. Só os fundos negociaram em média 8 vezes as safras agrícolas no ano de 2007, segundo matéria publicada recentemente na Folha de São Paulo, contra 3,5 em média em anos recentes. Na verdade o que se compra e vende nessas bolsas são derivativos financeiros, papeis derivados de ativos reais, que dependendo dos rumos da cotação terminam contaminando os preços dos produtos e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os grandes fundos, não satisfeitos com os lucros resultante desse jogo de compra e venda de papeis, resolveram investir pesado na produção e comercialização dos produtos agrícolas, adquirindo enorme extensão de terras produtivas aráveis no mundo, inclusive indústrias de fertilizantes, silos de armazenagem de grãos, equipamentos de transporte e vias de escoamento, dando-lhes grandes vantagens na especulação dos preços desses produtos e dos papéis correspondentes negociados nos mercados futuros, já que podem influenciar na cadeia produtiva, no transporte e na comercialização dos produtos agrícolas. Fala-se em mais de 40 trilhões de dólares disponíveis em busca de aplicações rentáveis. Nesse jogo pesado de muito dinheiro sem substância, que deverá concentrar e elevar os preços das terras ao infinito, o médio e pequeno agricultor, principais responsáveis pela produção de alimentos consumidos pela população, poderão sumir do mapa muito rapidamente. É provável que os fundos, associados a outros grupos que já atuam especulando no mercado, determinem em curto prazo os preços dos produtos agrícolas na produção e na comercialização segundo seus interesses financeiros. Preços altos dos alimentos para o consumidor não significam necessariamente preços "justos" para o agricultor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a queima de dinheiro pela crise não é suficiente para destruir todo capital fictício circulante, mesmo porque esse capital continua sendo gerado em velocidade estonteante pelos mais diversos mecanismos como meio de evitar o colapso do capitalismo, novas bolhas como a das commodities podem ser geradas, absorvendo e aumentando o capital sem rumo, trazendo uma estabilidade provisória e um precário equilíbrio à economia mundial, até que um novo espasmo se manifeste e lembre a existência e a gravidade da crise. O que difere a bolha das commodities de outras é que ela traz consigo o desabastecimento e o agravamento da carestia que levará milhões a morrer de fome, aumentando a violência e a barbárie em todos Continentes para manter ativa a máquina de "valorização do valor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/08/procura-se-uma-bolha.html"&gt;(1) Procura-se uma nova bolha&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11/06/2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4884101104523890886?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/08/procura-se-uma-bolha.html' title='NEM QUE TODOS MORRAM DE FOME...'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4884101104523890886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4884101104523890886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4884101104523890886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4884101104523890886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/06/nem-que-todos-morram-de-fome.html' title='NEM QUE TODOS MORRAM DE FOME...'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-790541164091393392</id><published>2008-04-22T23:11:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:40:41.307-03:00</updated><title type='text'>O fim da onda neoliberal e a tirania da economia</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política é cada vez mais percebida como imanente à sociedade capitalista. Incapaz de produzir mudanças que não sejam dentro do exigido pelas regras que regem o funcionamento dessa sociedade, nos períodos de crises, aonde os limites da acumulação capitalista vem à tona e a economia exige atenção absoluta, os órgãos diretamente ligados ao capital, responsáveis pela administração da crise, como os bancos centrais, ganham vulto e a política mostra-se mais ainda desprezível. Se olharmos o noticiário econômico corrente, principalmente as notícias vindas dos EUA, veremos que de longe predominam as questões relacionadas com a crise econômica, estando em primeiro lugar as notícias sobre as oscilações dos indicadores econômicos, o comportamento das bolsas e as próximas medidas mágicas do Fed na busca de uma solução capaz de empurrar para frente o que hoje afeta a economia. Quando os políticos se manifestam, seja no Brasil ou nos EUA, geralmente é para apoiar as medidas dos bancos centrais como aumentar ou reduzir os juros e alguns para espernear sem nenhuma conseqüência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação de que os partidos políticos só se diferenciam no discurso quando se xingam é universal e real. Nas ações, partidos como os italianos PL de Berlusconi e o Partido Democrata (PD) ex-comunistas, Partido Democrático e Partido Republicano nos EUA, PT e PSDB no Brasil, só para citar alguns, em nada se distinguem. Mesmo partidos mais radicais, ao trilharem o caminho do poder caem na vala comum. Aqui, a política do PT é a continuidade da do PSDB, inclusive nas amplas alianças. Algumas nuanças existem como a capacidade de domesticação dos movimentos sociais pelo Governo atual, nada mal para os intentos do capital. Sobre a Itália vale ver o documentário da humorista italiana Sabina Guzzanti. Apesar do esforço da produtora para apontar o contrário, a política aí pouco diverge do resto da Europa, a não ser pelos obstáculos as “liberdades” individuais e de imprensa impostos por Berlusconi e companhia. O documentário mostra a tomada do poder pelo grupo de Berlusconi, facilitada pelos partidos de oposição, e as repercussões que isso veio a ter na imprensa com a demissão de jornalistas da RAI e de jornais privados, e fechamento de programas como o humorista RaiOT de sua autoria, que ousavam caricaturar Berlusconi e membros de seu Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada desse mega-empresário da mídia a primeiro-ministro da Itália, nada escrupuloso quando trata de defender seus negócios, e que, não sem razão, não vê nenhuma diferença entre os interesses privados e do Estado (apesar das tensões que daí podem resultar), Berlusconi utiliza o poder econômico e de chefe de Governo para chantagear adversários e subordinar a imprensa à sua versão chula do espetáculo. Para tanto a violência física não precisa ser empregada, como acontece em muitos países, pois se dispõe de instrumentos intimidatórios suficientes, como processos bilionários contra jornalista e a mídia, além das demissões pura e simples dos considerados adversários. No Brasil isso não se faz necessário, pois o comprometimento da imprensa com os financiamentos generosos do Governo e a compra de espaços para farta propaganda, como também ser parte dessas, a televisiva, concessão do Estado conforme acertos políticos, a mordaça é desnecessária pela convergência de interesses. Mas quando preciso as advertências, as pressões econômicas como as que vitimaram anos atrás o jornalista Paulo Francis que criticava duramente os burocratas do poder, são exercidas. Pode-se dizer que só resta a internet como o espaço mais livre, apesar dos constantes ataques e tentativas de controle em nome da moralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns momentos, até o início dos anos 70, a política parecia imperativa e transformadora. De fato, nos movimentos de libertação e de auto-afirmação da soberania, nas lutas contra as ditaduras o componente político tinha um papel importante na consolidação do capitalismo. No Brasil, a luta pelo controle dos recursos naturais, principalmente o petróleo, era a vanguarda da “modernização recuperadora”. Na busca de um crescimento acelerado, limpava-se o caminho das formações pré-capitalistas e rompiam-se os elos internos e externos que aparentemente reforçavam essas formações, para que o bonde capitalista se movimentasse sem empecilhos. Pela carência do capital privado nacional e pelo pouco interesse dos investidores estrangeiros, o Estado teve um enorme papel na destruição dessas formações e na liberação dos trabalhadores que agora poderiam vender livremente no mercado sua força de trabalho às empresas capitalistas, privadas ou estatais, que se formavam nos centros urbanos ávidas para gerarerem mais valia. Com ajuda da mão visível do Estado, tirava-se recurso da sociedade transferindo-os para o setor empresarial, procurando assim suprir as deficiências da “mão invisível” do mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capitalismo maduro a subordinação dos partidos políticos, do Estado, da mídia, da arte e por que não da vida às leis da economia é absoluta. Tudo fundiu-se sob a mesma lógica da "valorização do valor". É impensável qualquer movimento fora dos limites cada vez mais estreitos delineados pelo capital. O poder concentrado no Estado é mobilizado considerando-se os momentos do mercado. Algum tempo atrás o discurso neoliberal era de um Estado distante dos negócios. Hoje, com a crise do sistema financeiro mundial, os bancos centrais, atrelados aos interesses dos bancos privados, são convocados a intervir distribuindo dinheiro a rodo para o sistema financeiro não ir à lona e salvando bancos como o Northern Rock na Inglaterra e o banco de investimento Bear Stearns nos EUA. O fim da onda neoliberal com presença dos órgãos financeiros do Estado socorrendo os bancos e distribuindo os prejuízos com sociedade, não merece regozijo, pois só expõe de quem o Estado moderno é vassalo. Um pouco de conhecimento da história da sociedade burguesa, mostra que a presença maior ou menor do Estado e suas formas dependem das situações pelas quais passa a economia. Mas, mudanças reais não passam pela ingênua alegria do possível fim do período neoliberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22.04.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-790541164091393392?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/790541164091393392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=790541164091393392' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/790541164091393392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/790541164091393392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/04/o-fim-da-onda-neoliberal-economia-mdia.html' title='O fim da onda neoliberal e a tirania da economia'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7239586694999028473</id><published>2008-03-25T22:25:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:41:03.531-03:00</updated><title type='text'>O beco sem saída da economia americana tende agravar a crise global</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Norte só chegam notícias do agravamento da crise e da paralisia da economia. Instituições financeiras que antes pareciam “sólidas desmancham-se no ar”. O Federal Reserve põe suas máquinas de imprimir papel de cor verde funcionando com a máxima capacidade e autoriza que “dinheiro seja jogado de avião” para salvar bancos e financeiras bambas das pernas. A expansão da base monetária americana, sem lastro na economia real, igual a qualquer república das bananas, não produz o milagre esperado, mas aumenta a inflação e ajuda o dólar no seu desembesto ladeira a baixo. As instituições financeiras dão como garantia ao Fed, ao receber o papel pintado de verde, as hipotecas podres ou outros papéis sem nenhum valor no mercado. Assim, o Estado busca resgatar o mercado assumindo os prejuízos num jogo contábil nem sempre bem sucedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto papel, é claro, termina por entupir alguns buracos pretéritos, mas a insolvência que se manifesta em tempos diferentes, continua abrindo outros à medida que a crise avança. Por isso já se pensa seriamente nos EEUU perdoar parte da dívida imobiliária dos cidadãos americanos, cujo montante é bem superior ao valor de seus imóveis e de sua capacidade de administrá-la, como forma de aliviar as pressões sobre o sistema financeiro. Mas a crise do crédito não se restringe as sacrossantas residências, que tinham na crescente valorização e no constante refinanciamento a juros baixos, a salvação de todos penduras das famílias: das hipotecas ao cartão de crédito, sem deixar de lado o carro do ano e outros produtos de consumo perecíveis e não-perecíveis, com prazos a perder de vista . Mesmo que nada acontecesse, que a massa salarial não se alterasse e o desemprego continuasse o mesmo, o americano endividado não teria condição de honrar seus compromissos sem uma boa ajuda do dinheiro fictício das bolhas geradas em vários setores da economia, mas, principalmente, nos imóveis e bolsas de valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a implosão das bolhas o consumo e a atividade industrial tende a cair, o desemprego aumenta e emperra mais ainda o crédito, que já restrito, volta a agir negativamente sobre consumo, num efeito bola de neve. Apesar da derrama de dinheiro pelos Bancos Centrais dos países ditos desenvolvidos e dos juros negativos nos EEUU, o capital disponível não flui, mantém-se entocado pela desconfiança generalizada entre empresas financeiras, que por sua vez castigam os consumidores endividados. Essa desconfiança é um importante indicador da gravidade da crise. Num segundo momento, clientes desconfiados, transferem dinheiro dos bancos para o Tesouro, comprando papéis dos governos que necessitam avidamente desses recursos, principalmente o Governo americano no afã de fechar suas contas. Essa modalidade de saque tende a crescer e a agravar seriamente a situação dos bancos, dos fundos de investimentos e das bolsas. A corrida silenciosa a formas aparentemente segura de entesouramento pode ser a última rodada da crise que poderá levar o sistema financeiro ao chão. Parte do dinheiro, tão generosamente doado pelos bancos centrais ao sistema financeiro, pode estar sendo utilizado para cobrir essas saídas, reduzindo mais ainda a circulação do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A competição do Governo americano por recursos externos e internos para cobrir anualmente os déficits em conta e fiscal de US$ 1 trilhão, oriundos principalmente do desequilíbrio comercial externo e dos gastos de guerra, é mais um elemento agravante da falta de liquidez. O dinheiro que sai pela porta da frente do Banco Central, quando não consumido nos buracos negros da inadimplência, volta pela porta dos fundos do Tesouro, num círculo difícil de ser quebrado quando a falta de confiança dos agentes econômicos é generalizada. Na situação em que se encontra a economia global, e, particularmente, a americana, dificilmente a máquina de fazer dinheiro do Fed e os juros negativos suprirão às necessidades causadas pelo estouro da bolha imobiliária sem o risco de uma inflação de muitos dígitos (em aparente conflito com a deflação dos imóveis e outros ativos), cujos primeiros sinais é a mega desvalorização do dólar frente as demais moedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25.03.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7239586694999028473?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7239586694999028473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7239586694999028473' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7239586694999028473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7239586694999028473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/03/o-beco-sem-sada-da-economia-da-economia.html' title='O beco sem saída da economia americana tende agravar a crise global'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-8718790238388759967</id><published>2008-02-07T10:53:00.000-02:00</published><updated>2009-03-28T14:48:03.012-03:00</updated><title type='text'>A crise da economia e a dança do capital sem substância</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhar a crise global através das análises econômicas da grande imprensa está cada vez mais difícil. Num dia a depressão, noutro a euforia, o fim da crise. Esse transtorno ciclotímico segue o “humor” das bolsas que é o indicador mais visível, mas nem sempre o mais importante para avaliar a crise. O que ainda não apareceu, não é contabilizado, mesmo suspeitando-se da existência de cadáveres fechados a sete chaves nos armários das empresas privadas e das instituições governamentais. A esses devem juntar-se muitos outros, pois a inadimplência no setor imobiliário, cozinhada em fogo brando, só deu os seus primeiros sinais. A crise, que se manifesta como uma crise do crédito, e que teve início nos EUA, alastra-se por toda economia mundial. O consumidor americano, responsável por 70% do PIB e com endividamento superior as suas condições financeira, já não consegue honrar outras dívidas. Por outro lado, os mecanismos utilizados para rolagem das dívidas acham-se travados pelo enorme prejuízo do setor financeiro Ocidental, calculado até agora em 600 bilhões de dólares. Se os cálculos de que para 1 dólar perdido os bancos deixam de emprestar 20 estiverem corretos a coisa está muito feia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco se vê pela imprensa menção aos circuitos deficitários, principalmente ao asiático&lt;a href="http://www.rumoresdacrise.blogspot.com/2006/07/o-circuito-asitico-da-economia-mundial_09.html"&gt;(1)&lt;/a&gt;, que tem levado os países superavitários dessa região, principalmente China e Japão, jogar, a custo zero, bilhões de dólares no financiamento do déficit americano, e que teve importante papel na expansão da bolha do setor imobiliário após o colapso das bolsas em 2001 e no aumento do consumo em geral. Ajustes nesses circuitos, que necessariamente devem acontecer com o agravamento da crise, reduzirão significativamente o retorno dos dólares a esse mercado, inibindo o consumo e as importações. O FED e os demais bancos centrais da Europa e de outros países capitalistas, que já disponibilizaram mais de um trilhão de dólares para segurar a falência do setor financeiro e manter em alta o ânimo do consumidor, além da redução dos juros e devolução de impostos ao contribuinte feito pelo Governo, hão de por suas máquinas de capital fictício cuspindo moeda dia e noite para melhorar a liquidez. Porém, não há nenhuma garantia de que tais medidas amorteçam a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa situação em que a economia real não consegue mais acumular e para retardar a crise bolhas são geradas, onde ativos financeiros, numa dança louca, multiplicam-se milagrosamente sem nenhuma correspondência com a produção real, resta saber qual próxima bolha vai substituir a que murchou. Até agora nada de novo se vislumbra apesar da corrida dos bancos em dificuldade aos recursos dos fundos soberanos&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/09/o-brasil-est-imune-crise.html"&gt;(2)&lt;/a&gt;, antes vistos com desconfiança pelos Governos dos países do Ocidente, para concertar seus balanços afetados pela bolha em implosão e a existência de certa liquidez nos países em desenvolvimento. No entanto, a relutância de alguns fundos soberanos comprarem qualquer coisa que lhes seja oferecido, mesmo estrategicamente importante, mostra a preocupação dos Governos detentores desses fundos de como a crise vai bater em vossa porta. Podem estar também à espera de melhores oportunidades para adquirirem ativos reais. A volatilidade global das bolsas acompanhando o mercado americano mostra que a tola teoria do descolamento de uma parte do mundo da crise não passa de desejo de afogados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se “jogar dinheiro de avião” como vem fazendo o Governo americano e de outros países não tem dado resultados, se os circuitos deficitários tende a se ajustar reduzindo o fluxo de capital para as grandes praças financeiras, se há relutância de quem tem dinheiro entesourado de superávits comerciais abrirem as burras, a tendência é de uma retração ainda maior do crédito com impacto negativo no consumo e no emprego. A fogueira que nessa crise queima o capital fictício, principalmente nos EUA, tem acarretado deflação de ativos reais e financeiros por um lado, e inflação dos produtos de consumo por outro, desvalorizando o dólar e esvaziando o bolso do consumidor numa velocidade maior do que os mecanismos monetários de contenção de crise podem repor. Esses mecanismos que se resumem na distribuição de dinheiro, mesmo sem substância, para que o ávido consumidor vá às compras, tende acentuar a inflação e pode não o levar a consumir. Desconfiado e endividado, pode utilizar esse dinheiro para saldar dívidas ou até mesmo entesourar em aplicações aparentemente seguras se sua percepção é de que vai necessitar desses recursos para atravessar os tempos difíceis que se anunciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o capital financeiro, tão duramente surrado por setores da esquerda e grupos ditos nacionalistas alinhados muitas vezes a tendências anti-semitas, com a crise da economia real a partir dos anos 80, tornou-se instrumento de “alavancagem” na produção de mercadorias que inundam o mundo e aprofunda a crise ecológica, mesmo sendo sua origem suspeita e fictícia. A crise aparentemente conjuntural e financeira é um agravamento da crise estrutural do capitalismo que se não conseguir gerar novas bolhas para mais uma vez adiar um desfecho dramático, pode entrar num processo de regressão sem precedente. A emancipação e a superação da sociedade da mercadoria, uma possibilidade maior hoje pelos conhecimentos acumulados e pelos meios técnicos que dispõe a sociedade, não é garantida. Por enquanto o que se prenuncia é uma luta fratricida dos “sujeitos automáticos” pelo espólio do Estado burguês e por qualquer coisa que prometa ser transformada em dinheiro, como mostram as guerras de extermínio dos bandos armados em algumas regiões do mundo já colapsadas, acentuando a violência e a barbárie que devem ser denunciadas com determinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04.02.2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.rumoresdacrise.blogspot.com/2006/07/o-circuito-asitico-da-economia-mundial_09.html"&gt;(1)&lt;/a&gt; Rall, “O circuito asiático da economia mundial” (Rumores da crise, 2005).&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/09/o-brasil-est-imune-crise.html"&gt;(2)&lt;/a&gt; Rall, “O Brasil está imune a crise?” (Rumores da crise, 2007)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-8718790238388759967?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/8718790238388759967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=8718790238388759967' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8718790238388759967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/8718790238388759967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2008/02/crise-da-economia-e-dana-do-capital-sem.html' title='A crise da economia e a dança do capital sem substância'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-2027208125237890493</id><published>2007-11-22T20:59:00.000-02:00</published><updated>2009-03-28T14:42:46.457-03:00</updated><title type='text'>O Império dos Sonhos e o capitalismo de ficção</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não assistiu na mostra Inlad Empire (Império dos Sonhos) de David Lynch corra aos cinemas quando entrar em circuito comercial. Muitos vão ter vontade de sair no meio da sessão ou vão agüentar firme três horas de projeção como se estivesse olhando a vida através de um espelho com lentes de aumento. Fantasia e realidade fundem-se num todo de contornos indefinidos, sem dar direito ao espectador um fio condutor que lhe permita sair do labirinto em que se meteu ao espiar a imagem espelhada de um mundo esquizofrênico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Lynch talvez não saiba, mas parodia, entre tantas coisas, as agruras da vida econômica, onde a ficção vira de pernas pro ar a realidade e resolve ela mesma ser o real. Não é à toa que só se fala num mercado que compra papéis, gera novos papéis e vende papéis, num galopante movimento circular de criação de “riqueza fictícia”, uma abstração da abstração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a economia real é mencionada, parece uma tentativa de se restabelecer a convicção de que alguma coisa palpável ainda existe. Mas, mesmo quando o produto não é papel, ou um arremedo contábil que nada representa, o valor-de-uso, enquanto veículo do valor-de-troca, não tem nenhum valor enquanto objeto sensível se não for capaz de se transformar em riqueza abstrata no mundo das mercadorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na atual sociedade capitalista a utilidade dos objetos já não conta mais ou conta muito pouco, inclusive o trabalho enquanto mercadoria especial capaz de produzir mais-valor. Resulta daí uma engrenagem movida por sujeitos “automáticos” que se por um lado avança destruindo rapidamente a natureza, por outro já não separa mais o lixo tóxico de produtos consumíveis. Tudo pode, não importa quantos morram e quanto de veneno será jogado no meio, desde que o produto final seja uma mercadoria que pintada pela propaganda e marketing com cores para todos os gostos, disfarça seu desejo mórbido ao abraçar o encantado consumidor, transformando-se em dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas tornam-se mais absurdas nos mercados de papéis. Uma transação que se iniciou com um ativo-objeto, por exemplo, o financiamento de uma casa que gerou uma hipoteca, pode “derivar” dessa transação uma série de “produtos” financeiros numa infindável cadeia de geração de dinheiro fictício sem nenhum controle, que só se sabe onde se iniciou, mas não onde termina. No pouco tempo em que a economia global opera com derivativos, o dinheiro fictício aí produzido já corresponde a oito vezes o valor do PIB mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se considerarmos as outras operações nas bolsas de valores, de mercadoria e futuro, no comércio internacional, na especulação imobiliária, nas mais variadas operações de crédito, nas dívidas públicas e privadas onde a cada instante geram-se milhões em dinheiro fictício, é impossível calcular o montante dessa “riqueza” sem substância. Uma aproximada avaliação só acontece, quando nas grandes crises, violentas contrações dessa aparente riqueza expõem a materialidade da economia real que ela esconde. Daí a dificuldade de se avaliar o tamanho da crise imobiliária americana, e seu impacto ao redor do mundo, enquanto todo processo não se completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas que se avolumam, a perplexidade das autoridades financeiras e dos analistas de plantão mostram que a crise só começou, e que os bilhões de dólares (fala-se em aproximadamente um trilhão) posto pelos bancos centrais dos países “desenvolvidos” no mercado para salvar grandes empresas financeiras do colapso, não mudam o curso, no máximo retarda do desfecho final. A tênue linha divisória entre a realidade sensível e a “abstração real” (Marx) do mundo das mercadorias, que se apaga no filme de David Lynch e nos processos sociais fetichisados, pode, nesses momentos, se vislumbrada, renovar a esperança de que a realidade esquizofrênica que nos domina e violenta possa ser superada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22.11.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-2027208125237890493?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/2027208125237890493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=2027208125237890493' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2027208125237890493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/2027208125237890493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/11/o-imprio-dos-sonhos-e-o-capitalismo-de.html' title='O Império dos Sonhos e o capitalismo de ficção'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7597227226471386647</id><published>2007-11-04T17:32:00.000-02:00</published><updated>2009-03-28T14:43:29.523-03:00</updated><title type='text'>O leite mijo de vaca e a lógica do capital</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não basta aumentar o volume de leite com água contaminada como se sabia. Para não azedar rápido, a fórmula do químico consultor de grupos multinacionais inclusive, exige soda cáustica e água oxigenada. Acrescenta-se ainda a branca natureza do precioso líquido soro cultura-de-bactéria, refugo da produção de queijos, e mijo de vaca para realçar o sabor. Eis o leite oferecido pelo mercado em fina sintonia com refinados paladares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ridículas declarações da ANVISA (agência reguladora da vigilância sanitária), de que soda cáustica e água oxigenada quando ingeridas no leite não prejudica a saúde, dirigidas para amainar o escândalo e acalmar os consumidores, satisfazem a devida mistura dos interesses econômicos. Mistura que é só a ponta do iceberg da lógica absurda da sociedade capitalista, que pouco importa o que se produz e como se produz, desde que produto final seja uma mercadoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que diferença faz se um país vende armas que alimenta a criminalidade e as guerras fratricidas ou vende produtos orgânicos com selos verdes acenando para o consumidor? Ambos são mercadorias que nas transações permutam-se e no final garantem um acréscimo, um lucro, ou seja, a “valorização do valor” como afirmava Marx. Por isso as empresas de um mesmo país que vendem produtos orgânicos porque tem um mercado à espera, vendem também armas para os extermínios e disseminação da violência com a certeza de que estão fazendo um grande negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fórmula simples de Marx, D-M-D’ (dinheiro-mercadoria-mais dinheiro), expressa a essência da sociedade capitalista: fazer dinheiro, não importa se os meios para atingir esse fim possam levar a morte de pessoas e a destruição do planeta. É claro que a pressão social faz com que o impulso de fazer dinheiro seja mais liberado ou mais contido nas sociedades produtoras de mercadorias. Mas está aí, presente nas relações sociais. O “espírito animal” (coitado dos bichos), como assim define um certo ministro a louca corrida pelo dinheiro imanente ao capitalismo, invade e domina a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impulso destrutivo, que se aloja nos mais recônditos do inconsciente na socialização dos sujeitos e move o ser rentável em sua missão terrena, é fruto de relações sociais reais fetichizadas que dominam os homens e só permitem que estes se movam automaticamente dentro das fronteiras pré-estabelecidas pela lógica do capital. Manifesta toda sua potência nos momentos de crise, quando se acentua a concorrência e o sistema torna-se mais irracional, produzindo alimentos que matam, brinquedos que envenenam crianças, remédios que não curam e todo tipo de violência de grupos e institucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gritos de guerra do nazismo, “pátria ou morte”, ou do capitalismo de Estado que pode ser tão brutal quanto o laissez-faire, “socialismo ou morte”, são ecos de ruídos produzidos por aqueles que com gosto de sangue na boca e sede de poder, movimentam-se nos limites que lhes impõem o capital. É preciso pensar para além da sociedade produtora de mercadorias para sair da crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04.11.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7597227226471386647?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7597227226471386647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7597227226471386647' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7597227226471386647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7597227226471386647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/11/o-leite-mijo-de-vaca-e-lgica-do-capital.html' title='O leite mijo de vaca e a lógica do capital'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-7100505540172904761</id><published>2007-09-28T21:39:00.001-03:00</published><updated>2009-03-28T14:44:04.560-03:00</updated><title type='text'>A falência da política e o mito do homem público</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num certo dia, nas minhas poucas relações com a televisão, entrei num desses canais pagos e me deparei com uma entrevista do ex-Ministro da Cultura de Jacques Chirac (se não me falha a memória Jean-Jacques Aillagon), que sinceramente dizia que noventa e nove por cento de sua atividade à frente do Ministério da Cultura da França era dedicada a relações públicas e um por cento a algum tipo de realização. Afirmara ainda que isso não era diferente nos outros Ministérios, e que a grande preocupação de seus assessores era com a entrevista marcada para tal jornal ou revista, com a visita programada a alguma instituição e a abertura de um determinado evento. Acreditava ser mais útil aos franceses escrevendo livros. Talvez não soubesse, mas estava ele revelando, de forma espontânea, a falta de respostas da política para questões atuais. E se olhado com uma lupa, esse um por cento da “capacidade empreendedora” de seu ministério não passa de adaptações às exigências do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fala do referido ministro lembrou-me as funções das agências reguladoras e para quem “regulam” o mercado. As exigências das empresas de criação dessas agências, autônomas em relação ao Estado, para que possam investir com segurança, mostra a serviço de quem são constituídas. O recente acidente da TAM e os escândalos que se seguiram denunciando a estreita colaboração entre os diretores dessa agência e os interesses das empresas de aviação, pondo em risco a vida dos passageiros pelo que se deduz do vasto noticiário, é só a ponta do iceberg dessa intricada relação. Quando analisamos a conduta de outras agências veremos que essa é a norma. Não é necessário ir muito longe, basta analisar aquela que é responsável por um dos custos que mais severamente atinge o bolso de vastas camadas da população e que quando mais precisa é expulsa do sistema pelos preços das mensalidades: a agência que regula os planos de saúde. Veremos que elas estão aí para arbitrar a favor do capital nas incertezas do mercado, sem ouvido para consumidores angustiados que não tem com quem reclamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atuação dos órgãos reguladores criados pelo Estado e a defesa que deles fazem os representantes do capital, com ameaças de não investir na ausência de “marcos regulatórios” que garantam bons retornos e pouco riscos, mostra a impossibilidade de se separar as políticas públicas do interesses privados, apesar dos discursos contrários e da gradação encontrada nos países de diferentes culturas. É daí, da incapacidade de se definir fronteiras entre o público e o privado, que aflora a corrupção crônica atingindo todos segmentos e que se intensifica na medida em que separação formal entre o capital e o Estado tende a se dissipar, mostrando-se, capital e Estado, como faces de uma mesma moeda. O homem público burguês é cada vez mais privado nas suas ações, evidenciado-se seus interesses particulares. Se a nível material essa separação nunca existiu na sociedade burguesa, também no nível formal já não é mais possível manter as aparências, jogando por terra o mito do homem público e a impossibilidade de uma ética na política. Torna-se, portanto, vazio o discurso aparentemente moralista da grande imprensa e de políticos da oposição contra os seus pares, já que todos se movem impulsionados por uma mesma lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sucessão de casos de corrupção, cada vez mais difícil de serem contidos por regras morais abstratas, se aumenta o niilismo na sociedade, deixa os meios de comunicação furiosos ao verem a imagem forjada dos políticos “honestos” e das instituições que representam se desfazer a cada escândalo como bolhas de sabão em um dia ensolarado. É preciso manter as aparências, da qual faz parte o espetáculo midiático, de que a política ainda funciona, como é preciso que a economia de bolhas mantenha-se inflada, com o dinheiro vazio de substância multiplicando-se sem controle, abençoado pelos setores regulatórios, aparentando que tudo vai muito bem com a acumulação do capital. Os níveis de corrupção que atingem o Estado e as corporações privadas em todo mundo caminham de mãos dadas nas sombrias vielas onde se forja o capital fictício. É impossível, a despeito do desejo de alguns, separar uma coisa da outra, pois ambas são facetas de um mesmo engodo real sobre o qual não se tem controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28.09.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-7100505540172904761?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/7100505540172904761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=7100505540172904761' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7100505540172904761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/7100505540172904761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/09/falncia-da-poltica-e-o-mito-do-homem.html' title='A falência da política e o mito do homem público'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-6107002184590877326</id><published>2007-09-09T13:35:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:44:39.481-03:00</updated><title type='text'>O Brasil está imune à crise?</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governo tem se esforçado na busca de convencer os mercados, que estamos imunes à crise que se iniciou no setor imobiliário americano e se alastra para economia mundial, através da fala de seus ministros e do próprio Presidente Lula. Seria verdade se vivêssemos numa redoma, com uma economia isolada e auto-suficiente, estruturada à Robinson Crusoé, sem tomar conhecimento do mundo exterior. Mas essa não é a realidade, estamos mais inseridos (e só assim podemos sobreviver como país capitalista) a economia mundial do que expressa a fala das autoridades. Hoje, o espirro americano, a diarréia asiática ou a cefaléia da zona do euro, atingem os mais recônditos países, por insignificante que sejam, pois as doenças são sistêmicas numa economia globalizada, já não se autolimitam, mesmo que sejam na ponta do pé de algumas dessas regiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso de que uma recessão nos EEUU, epicentro dos atuais abalos, não atingiria o restante do mundo, muita vezes defendido também por analistas da grande mídia, ou é hipócrita na busca de acalmar o mercado financeiro dando tempo para o reposicionamento de grupos, ou não se estar entendendo a seriedade do momento. Fala-se da China e de outros países em desenvolvimento, inclusive do Brasil, como contraponto à recessão mundial. Ora, talvez seja a China o país que mais sinta com a redução da atividade econômica americana. Vale lembrar que o grosso da produção chinesa para exportação destina-se a esse mercado. Os países asiáticos, com a China e o Japão à frente, formam o maior circuito deficitário de todos os tempos nas relações comerciais com os EEUU, tendo este como sorvedouro das mercadorias aí produzidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contração das atividades econômicas provavelmente reduzirá as importações para USA e deve pressionar no sentido de reequilibrar a balança comercial deficitária, principalmente nos negócios com a China. Isso pode atingir em cheio a produção desse país, que não tem condições de ser absorvida pelo mercado interno ou pela ampliação do mercado com outras nações. A inibição das atividades econômicas na América e na China é o suficiente para impactar negativamente nos preços e nas exportações das commodities, com exceção talvez do petróleo pela escassez do produto e por se encontrar sua extração em zonas de conflitos. Mas não fica por aí: na crise sistêmica, Europa e demais países asiáticos serão atingidos, agravando mais ainda a situação dos exportadores de matéria prima ou de produtos semi-acabados como o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem a crise mostrar toda sua força destrutiva, contornada provisoriamente pelas medidas tomadas pelos bancos centrais do mundo rico que injetam todos os dias bilhões de dólares para garantir liquidez, a volatilidade das bolsas com tendência de queda já dificulta os projetos de ampliação da produção de empresas que viam aí a forma adequada de captar recursos para novos investimentos no Brasil. Se considerarmos a probabilidade de numa economia globalizada os bancos nacionais ou os que aqui atuam, por mais que neguem, dificilmente deixarão de ter em suas carteiras derivativos lastreados em papeis da indústria imobiliária da América do Norte, a expansão do crédito que vem ajudando a sustentar o consumo interno pode sofrer um revés. Os sinais de uma possível freada na queda das taxas de juros e a pressão de alguns grandes bancos nacionais nesse sentido podem ser um indicativo das dificuldades que estão por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma redução das transações comerciais no circuito deficitário asiático significa um aumento da competitividade internacional com queda nos preços das mercadorias. O Brasil, além do risco de redução das exportações de commodities que sustentam o saldo da balança comercial, vai ter quer lidar no mercado interno e externo com a invasão de mercadorias vindas da China e da Índia principalmente, que não encontrando destino nos tradicionais mercados importadores tomarão outros rumos. Com a produtividade em queda quando comparado com outros países, dificilmente setores da indústria tupiniquim suportarão mais esse embate. Pode-se estar pensando num rearranjo do câmbio, desvalorizando o real. Num primeiro momento, com a fuga de capitais de curto prazo isso é verdadeiro. Não esqueçamos, porém, que a trajetória de queda do dólar em relação às outras moedas que vem acontecendo em função dos desajustes na balança comercial americana, tende a acelerar se houver um aprofundamento da crise, restabelecendo a valorização do real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse momento deve abrir espaço para atuação mais agressiva dos fundos "soberanos", com aquisições hostis ou não de ações de empresas em dificuldades financeiras. Os fundos private equity e os hedge funds como estão intimamente ligados ao sistema bancário e ao crédito farto e barato, podem ter problemas a curto prazo. Não é à toa que o mercado de fusões e aquisições de firmas, bancado pelos private equitys, que vinha motivando as altas nas bolsas em todo mundo, encontra-se praticamente parado. Quanto aos fundos “soberanos”, na verdade fundos estatais de países superavitários, carregados com trilhões de dólares, encontram-se prontos para aportar onde for possível qualquer rentabilidade ou em áreas estratégicas da economia mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resistência dos governos dos países capitalistas avançados aos fundos “soberanos”, com medo que por trás existam estratégias de dominação das riquezas do globo, só vai até o primeiro ato. Se as empresas ocidentais pedirem água, as portas abrem-se para os intrusos regata-las, mesmo sabendo-se dos riscos futuros. Talvez esteja aí germinando a nova bolha da salvação tão procurada para animar a ficção econômica, já que “não há muito a fazer contra a propensão humana a criar bolhas”, como diz Greenspan ex-presidente do FED. Para homens do mercado seria mais correto dizer que não há muito a fazer senão rezar para que novas bolhas ventilem o corpo insepulto de uma economia que não mais valoriza o valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09.09.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-6107002184590877326?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/' title='O Brasil está imune à crise?'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/6107002184590877326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=6107002184590877326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/6107002184590877326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/6107002184590877326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/09/o-brasil-est-imune-crise.html' title='O Brasil está imune à crise?'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-9101650505556937019</id><published>2007-08-16T13:45:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:45:55.137-03:00</updated><title type='text'>PROCURA-SE UMA NOVA BOLHA</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise do mercado imobiliário americano tem sido a notícia da vez na grande imprensa. Há um ar de surpresa nos analistas e ao mesmo tempo tentam transmitir a confiança de que tudo não passa de um rearranjo do setor financeiro sem grandes conseqüências para a economia real. Alguns chegam a defender como salutar tal freada, ‘uma forma de pôr a casa em ordem’ dizem, como se nada existisse no ‘ar além dos aviões de carreira’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para falar da crise atual temos que voltar um pouco no tempo, nos finais dos anos noventa e início do século XXI, quando estourou a bolha ponto.com, após a economia mundial ter amargado dois grandes tombos com a queda nas bolsas do Japão (1980) e do leste asiático (meados dos anos 90). As ações das empresas de informática e similares aumentavam de preço a cada pregão e arrastavam consigo a economia americana que crescia com parte do mundo. Falava-se em novo paradigma, artigos eram escritos e opiniões emitidas pelas mais respeitadas agencias de risco mostrando que esse impulso da economia tinha fundamentos sólidos e poucos eram os riscos. Sufocadas pelo otimismo geral, vozes isoladas alertavam que mais uma bolha financeiro estava preste a estourar. E estourou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia americana entrou em recessão levando junto as demais. O FED e o Governo agiram rápido, inundando o mercado de dinheiro com cortes de impostos e juros quase negativos e foram ajudados pela intensificação na compra de papeis do tesouro dos EEUU pelos países superavitários do circuito deficitário asiático, principalmente China e Japão, que precisavam desse mercado para seus produtos. Em 2000, com dinheiro farto e barato, ganhou grande impulso a bolha do mercado imobiliário, que vinha se desenvolvendo desde o início dos anos noventa. Novamente a economia real pega uma carona na expansão jamais vista do capital fictício e ganha fôlego. A cada ano os indicadores econômicos mostram que novos países se acoplam ao bonde do crescimento fazendo a alegria geral. A China, e um pouco menos a Índia, são festejadas como os grandes baluartes da história, como os novos grandes consumidores das riquezas naturais do globo e agravantes da crise ecológica. O Brasil entra mais tardiamente, quando os obstáculos capazes de levar a uma freada brusca já eram visíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Timidamente, instituições internacionais começam chamar atenção para algumas situações incômodas. Calcula-se que os derivativos, “operações financeiras cujo valor de negociação deriva de outros ativos, denominados de ativos-objeto”(P. Sandroni), beira a casa dos 400 trilhões enquanto o PIB mundial está em torno de 50 trilhões de dólares. E um desses ativos-objeto mais negociados no mundo são as hipotecas das casas dos cidadãos americanos, que são jogadas em fundos milagrosos, cujas cotas são oferecidas a outros cidadãos ávidos por lucro, em uma cadeia sem fim que socializa perdas e ganhos. Atentem que nesse tipo de operações (com derivativos) tem papéis diversos para comprar oito vezes as mercadorias do mundo, é o dinheiro reproduzindo-se sem contato com a produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como se faz tanto dinheiro desacoplado da acumulação real? Vale lembrar histórias recentes para um melhor entendimento. A bandeira do neoliberalismo, levantada nos anos oitenta, tinha como objetivo maior atacar os setores ‘improdutivos’, limpando ao máximo o trabalho não gerador de mais-valia nas empresas e no Estado, ou transformando o trabalho improdutivo necessário à acumulação do capital, em trabalho produtivo gerador de mais-valia através da terceirização. Iniciou-se aí um grande movimento de passar a terceiros setores inteiros que antes eram de responsabilidade do Estado, as famigeradas privatizações que ocorreram e ainda ocorrem no mundo inteiro. As empresas, seguindo a mesma política, passaram a entregar os serviços-meios, e logo em seguida outros setores a terceiros, que reduziram salários e aumentaram a carga horária dos funcionários terceirizados, restabelecendo a mais-valia absoluta como forma de se tornarem rentáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ataque neoliberal ao trabalho improdutivo, segundo a lógica do capital, não foi suficiente para reverter a queda da rentabilidade na economia real que tem como fundamento a crise do valor, situação que se agravava com a revolução da informática. Não só a expansão do trabalho improdutivo necessário ao desenvolvimento do capital punha em xeque a acumulação, mas as novas formas de produção e gestão, movidas pela concorrência global, que incorporam tecnologia e ciência, aumentam vertiginosamente o capital fixo e a produtividade, expulsando homens de antigos empregos. É a crise do trabalho agravando a crise do valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As exportações de capitais dos países desenvolvidos para países em desenvolvimento como a China, Índia e outros, em busca de uma maior rentabilidade, aumentaram a disponibilidade de mercadorias no mundo que precisam de um mercado para se realizarem. É quando o crédito se expande de forma jamais vista e o pagamento dos produtos adquiridos no mercado é transferido para um trabalho futuro que nunca acontecerá, pois a tendência do capitalismo é racionalizar e dispensar trabalho de forma crescente. Aí está a base das bolhas, que injetam dinheiro fictício no mercado e na produção (fictício por ser vazio de substância, não representar valor, trabalho abstrato), e aprisiona a economia real aos seus movimentos já que esta não consegue por ‘meios normais’, ‘valorizar o valor’(Marx).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, quanto mais se agrava a crise do valor mais necessita a economia real de capital fictício para manter a ilusão de que ainda funciona. As bolhas inflam, todavia logo desabam sob a pesada realidade, deixando expostos os frágeis fundamentos de uma economia que só respira nesse invólucro. Diferentemente da crise do mercado de ações das empresas ponto.com, parece que o estouro da bolha imobiliária tende atingir todos os setores da economia, inclusive as bolsas, numa reação em cadeia de explosão de bolhas e contração do capital fictício que pode levar o mundo a uma recessão sem precedente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com a injeção no mercado de bilhões de dólares pelos bancos centrais do Japão, Europa, Canadá e Estados Unidos, em uma ação coordenada para evitar a falência em massas de bancos, o que por si só já é uma prova da gravidade do problema, a instabilidade continua. A tentativa dos bancos centrais de substituir capital fictício que se evapora no mercado por capital fictício represados em seus cofres-fortes, buscando empurrar para frente o problema, mostra que não se vislumbra uma nova bolha em curto prazo para substituir as que estouram. Pode faltar o ar que aparenta oxigenar os tecidos mortos da economia real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16.08.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-9101650505556937019?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/9101650505556937019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=9101650505556937019' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/9101650505556937019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/9101650505556937019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/08/procura-se-uma-bolha.html' title='PROCURA-SE UMA NOVA BOLHA'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-387957540925897579</id><published>2007-06-19T22:30:00.003-03:00</published><updated>2010-11-27T15:57:18.159-02:00</updated><title type='text'>A tendência da indústria brasileira</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esclarecedor os dados divulgados pelo IBGE sobre a tendência da industria brasileira que mostram que a “participação na produção total de setores mais sofisticados encolheu 16% nos últimos dez anos” (F. de S. Paulo 17.06.07). Enquanto setores industriais de média/baixa e baixa tecnologia cresceram neste período de +132,8% (fabricação de coque, refino de petróleo e combustíveis) a + 27,3% (produtos de madeira), a indústria de ponta encolheu de –11,5% (aparelhos e materiais elétricos) a – 43,0% (material e equipamentos eletrônicos), segundo o IBGE. Essa tendência, que deve se acentuar com o acirramento da concorrência a nível mundial é pior do que muitos analistas desejavam. Setores de baixa tecnologia, como calçados e têxteis, que sustentavam sua expansão com os aumentos das vendas no mercado externo as custas mais de um câmbio favorável do que da produtividade, vem sofrendo um encolhimento brutal sem perspectiva de reversão apesar das medidas do Governo ou outras que venham a ser tomadas para favorece-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se não se consegue competir com a indústria de ponta instalada lá fora, cuja velocidade dos avanços tecnológicos e das exigências de investimentos em capital fixo não estão ao alcance da indústria local, e se os setores de baixa e média tecnologia sofrem externa e internamente com as mercadorias baratas que inundam o mercado vindas da China e de outros países, é claro a tendência a desindustrialização a partir das empresas que não conseguem competir por incapacidade de acompanhar os investimentos necessários em capital fixo, tornando-se, portanto obsoletas, ou por não ter custos de produção similar a outros países em desenvolvimento que associam trabalho barato a extensas cargas horárias, utilizando-se do mais violento disciplinamento na produção de mais-valia absoluta sob a tutela de Estados ditatoriais. Como já vem acontecendo com a produção de calçados e têxteis, logo será a vez dos produtos metálicos, de borracha, de plástico e outros que utilizam intensivamente a força de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conjuntura externa aparentemente favorável e um certo espasmo de crescimento do mercado interno, que logo deve esbarrar nas condições infraestruturais responsáveis principalmente pelo fornecimento de energia e pelo escoamento dos produtos, não são suficientes, mesmo que a possibilidade de crise não estivesse nos horizontes, para reverter o quadro da desindustrialização, reflexo, em nosso caso, do capitalismo no estágio atual da terceira revolução industrial que é alimentada pelo combustível da feroz competição e pela velocidade com que ganham o mercado as inovações tecnológicas sob o domínio dos países ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação fica mais dramática quando ao analisarmos a tendência da economia brasileira, observamos que os setores que podem permanecer vivos e com chances de crescer, são aqueles que mais trarão prejuízos às condições de vida da população rural e ao meio ambiente, como a agroindústria, cuja expansão vem exigindo a massiva destruição das matas e dos rios, e com isso da diversidade biológica, e a indústria extrativa e de derivados de petróleo com suas ramificações altamente poluentes. São também conhecidas pela alta concentração de riqueza, pelos baixos salários e pelas condições insalubre de trabalho que reduz em alguns anos a vida de quem nelas trabalham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao Governo, apesar de algumas tênues resistências como as observadas no Ministério do Meio Ambiente, as ações convergem para a pavimentação desse caminho, mesmo porque não existe outra opção de inserção do País nos níveis hierárquicos inferiores do capitalismo mundial. A prova disso é o cego entusiasmo pelos biocombustivéis, sem uma análise dos efeitos colaterais, que são vistos, de forma míope, como saída para crise do trabalho e geração de energia mais limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19.06.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-387957540925897579?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/387957540925897579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=387957540925897579' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/387957540925897579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/387957540925897579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/06/tendncia-da-indstria-brasileira.html' title='A tendência da indústria brasileira'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-4245287206586353629</id><published>2007-05-25T23:04:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:46:14.077-03:00</updated><title type='text'>Os circuitos deficitários e a queda do dólar</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias temos assistido uma verdadeira Babel na fala dos economistas em função da desvalorização do dólar. As divergências sobre as causas e as decisões a serem adotadas vão da abertura total a fortes medidas de proteção do mercado nacional. Se por um lado isso é reflexo das contradições e dos interesses que permeiam a economia local, reflete também a análise de superfície do fenômeno. Na pressa em opinar, descolam a economia nacional do contexto global e surge daí arrogantes discursos apontando soluções fáceis para complexos problemas que fogem ao controle dos mais poderosos dos mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A queda livre do dólar que atinge a maioria dos países e os blocos econômicos aponta para problemas estruturais graves na relação dos EUA com o resto do mundo, e, em particular com os países do leste asiático. O déficit na balança comercial dos EUA que não para de crescer é coberto pela montanha de dinheiro dos superávits desses países, que por sua vez alimenta as bolhas de todos matizes e sustenta com isso o consumo do cidadão médio americano profundamente endividado. A correção dos desequilíbrios na balança comercial americana, que vai se tornando a cada dia que passa insustentável, exige a desvalorização do dólar frente as demais moedas, o que é fato. A coisa é mais complexa quando se trata dos países asiáticos, onde estão fortemente fincadas as empresas americanas com a produção dirigida para exportação. Aí, além dos interesses mútuos, os gigantescos superávits permite que os Bancos Centrais desses países mantenham suas moedas artificialmente desvalorizadas comprando dólar e investindo em papéis do tesouro americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a queda do dólar, agravada pelas dificuldades de algumas economias lidar com essa situação, dando margem a todo tipo de especulação e ganhos fáceis, está além dos limites das economias nacionais e tem como um dos fundamentos as relações comerciais deficitárias entre os EEUU e os demais países, principalmente os do circuito asiático. Algumas economias como a brasileira, mesmo o governo intervindo fortemente no câmbio enxugando o mercado, não consegue em “condições normais” segurar a queda do dólar. O que aparenta ser um sinal saudável como defendem alguns, é, na verdade, uma fragilidade, pois se persiste esse movimento de valorização do real, e tudo indica que sim, mesmo com a queda das taxas de juros, a tendência é uma inversão da situação favorável da balança comercial com graves repercussões na indústria local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse quadro pode se deteriorar rapidamente se o dinheiro que circula sem rumo e vem se multiplicando nas bolsas e em outros investimentos se nenhuma relação com a riqueza real, e que alimenta artificialmente o consumo com repercussões na produção, num ajuste de contas impactar negativamente emperrando a engrenagem da sociedade produtora de mercadoria. Possibilidade não impossível quando lidamos com uma situação onde circula no globo muito mais dinheiro do que o produto interno bruto das nações e em que a máquina geradora de capital fictício ronca furiosamente, ampliando irracionalmente seu domínio sobre todos setores da economia. A nova onda que impulsiona essa louca corrida ao “ouro de tolo” são as aquisições e vendas de empresas pelos fundos private equity, com a utilização de empréstimos fáceis e baratos, que tem empurrado os preços das ações às nuvens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Estados Unidos não pode, indefinidamente, financiar o consumo interno com dinheiro tomado no exterior. Há de chegar o momento de ajuste dos circuitos deficitários e a desvalorização do dólar pode ser os primeiros sinais desse momento que deve levar a um novo rearranjo do comércio mundial, sempre iniciando o aperto pelos países mais frágeis, muito deles governados por uma esquerda recém convertida aos encantos do mercado. Uma outra possibilidade é uma crise de proporções inédita que exponha com crueza os limites da acumulação do capital na terceira revolução industrial, estourando em cadeia as bolhas que sustentam o crescimento econômico global, num fogo que se alastra ao queimar a alegria da moçada e seus bilhões sem substância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25.05.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-4245287206586353629?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/4245287206586353629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=4245287206586353629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4245287206586353629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/4245287206586353629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/05/o-circuitos-deficitrios-e-queda-do-dlar.html' title='Os circuitos deficitários e a queda do dólar'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-3591672114596386091</id><published>2007-04-21T16:36:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:47:31.326-03:00</updated><title type='text'>A valorização do real, suas interpretações e caminhos propostos</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clamor por medidas administrativas capazes de inverter a tendência do câmbio como a taxação de produtos importados, o controle de capitais especulativo de curto prazo e a redução dos juros como forma, entre outras coisas, de inibir a entrada desses capitais, parece perder força à medida que os juros caem e o real continua em ascensão. Um outro grupo de economistas, contrariando os primeiros, defende uma maior abertura do mercado, zerando, se necessário, as barreiras alfandegárias impostas aos produtos importados como forma de inverter o fluxo de capitais e desvalorizar o real frente ao dólar. O que está por traz desse imbróglio, de posições conflitantes para solução de um mesmo problema? Os grupos que não se combinam partem de um único diagnóstico: o excesso de liquidez, ou seja, a entrada de dólares via superávit na balança comercial e via especulação financeira com as aplicações na bolsa e em papéis do Governo, leva a uma superoferta da moeda americana num momento de demanda franca, fazendo cair o “preço” dessa moeda em relação ao real. Para os nossos analistas em conflito, as questões são os caminhos a serem percorridos para enxugar esse excesso de liquidez sem prejudicar as necessidades de dólar do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa economia movida pelo capital fictício, um volume cada vez maior de dinheiro deixa de ser a expressão do valor na mediação das relações de trocas e passa à função de produto, que negociado no mercado firma sua autonomia em relação à produção real num movimento em que dinheiro gera mais dinheiro sem substância. Essa liquidez de moedas vazias de conteúdo, gerada das mais variadas formas, num processo em que a interminável cadeia creditícia sem lastro tem grande peso, se por um lado traz alguma inquietação em relação às exportações, por outro, quando usado na especulação na bolsa, na compra de papéis públicos e privados, na aquisição de empresas, financia o Governo e as empresas, e movimenta o mercado alavancando o consumo sem que investimentos fossem feitos na produção. E para que investir na produção se o capital já não rende aí o que rende no mercado de papéis? Indaga nosso aplicado investidor. O capital só aporta onde a rentabilidade lhe convier, é essa sua lógica, mesmo quando usa as pernas tortas de seu guardião num incansável balé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se os dólares que entram já têm um destino, mesmo que seja o cassino de papéis que o acolhe com propostas escandalosas, se o considerado excedente é comprado pelo Banco Central, que por sua vez, junto com as sobras da balança comercial, os envia para fora e os transmuta em papéis do tesouro americano, o que explica, portanto, a queda dessa moeda em relação ao real se o mercado nesse jogo é enxugado? Os horizontes de crise nos EUA com sua população e o Estado profundamente endividados, o enorme volume do capital fictício em circulação, o déficit fiscal e na balança comercial são alguns dos motivos. Esse País, que por sua força econômica e militar ainda reina sozinho, tem poder suficiente para fazer o dólar, que funciona como moeda mundial, variar conforme seus interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro motivo encontra-se na relação da economia brasileira com as forças hegemônicas da economia mundial. Vejamos. Pesquisa recente do Ipea mostra que 2.434 empresas classificadas como fortemente exportadoras, tem índice de produtividade até cinco vezes superior às empresas voltadas para o mercado interno, e que, apesar do câmbio, vem aumentando suas exportações. São competitivas se comparadas com similares de outros países. Então, por que tanta grita em relação ao câmbio, juros altos e desindutrialização? Essa vem do outro lado da economia, das empresas com baixa produtividade que postas no roldão da competição global, não conseguem mais, na proporção necessária, absorver tecnologia e intensificar o capital fixo, pelos custos que isso pode significar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não existe meio termo na luta feroz das mercadorias pela conquista dos corações e mentes em sua volta ao mundo. Em economias como a do Brasil os juros baixos podem até ter um impacto inicial positivo, mas será impossível, a médio prazo, competir com mercadorias vindas da China e de outros países asiáticos, produzidas para exportação por empresas transnacionais, que combinam capital intensivo com trabalho semi-escravo e custos operacionais baixíssimos. Recentemente empresas de autopeças queixavam-se à imprensa que rolamentos chineses são vendidos no mercado negro por US$ 0,74 o quilo, que custa entre US$ 13 e US$ 17 no mercado internacional. Ou seja, os produtos chineses que entram por vias legais ou ilegais, começam a perturbar os mais variados ramos de produção e não só de eletrônicos, roupas e calçados. Se considerarmos os produtos de alta tecnologia importados dos centros desenvolvidos que nunca vão ser produzidos aqui, o cenário não é nada animador para os entusiastas do mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às medidas administrativas de “proteção da indústria nacional”, tão largamente defendidas por partidos de esquerda, setores da FIESP e meios acadêmicos, já não surtem mais efeito. Tarifar os produtos que chegam ao mercado nacional mais barato resultaria, provavelmente, em retaliações não convenientes para os setores exportadores e para o superávit comercial tão duramente perseguido. Ampliaria-se também o mercado negro com fortes prejuízos para a indústria aqui estabelecida e para a arrecadação do Governo. Restariam os subsídios governamentais que dificilmente se concretizariam pela enorme expansão das despesas do Estado com o trabalho improdutivo e pagamentos de outras obrigações como os juros, amortizações, e pelos altos custos financeiros e políticos de operações como essas, mesmo quando sustentadas por período de tempo muito curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, restaria a essas empresas que pararam no tempo quanto às inovações tecnológicas e aumento de produtividade, tornando-se pouco competitivas para os padrões internacionais, vender suas mercadorias abaixo do valor de produção, o que parece inviável. Empresas fictícias sempre existiram em grande monta, mas era mais fácil a sobrevivência quando os mercados dos países se relacionavam de formas mais ou menos independentes e era possível certa reserva financiada pelo Estado para produtos nacionais. As especificidades das economias ainda eram preservadas e a ação política matinha um certo poder regulador, o que já não acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A valorização do real reflete também essa realidade contraditória da economia nacional, onde poucas empresas focadas na exportação e em parte do mercado interno, conseguiram reduzir seus custos de produção e também os preços relativos de suas mercadorias e se tornaram competitivas. Numa economia global movida pelo capital fictício as empresas que conseguem aumentar a produtividade se impõem, mesmo que careçam desse capital como os pulmões do ar. Por outro lado, a maioria das empresas nacionais com a produção direcionada para o mercado interno, que sobreviviam às custas de grossas transferências de recursos do Estado perigosamente endividado, apesar de terem conseguido navegar nas águas turbulentas do neoliberalismo na década de noventa, agora já não conseguem baixar seus custos e competir com quem vem de fora. A geração de valor por essas empresas, que se encontram abaixo dos padrões internacionais de produtividade socialmente estabelecidos, ou seja, criam muito menos valor quando comparada com empresas que tem sua produção racionalizada pelo uso da técnica e da ciência, pressionam também o real para cima em relação ao dólar, independente dos desejos dos agentes econômicos. Daí a defesa da intervenção do Estado no bloqueio dos impulsos do mercado, antes tão elogiado pela ação milagrosa da “mão invisível” que quase tudo resolvia e agora dificulta a sobrevivência de setores inteiros da economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que não acreditam nos resultados das medidas administrativas e propõem tarifas zero para as importações, mesmo que seja por um curto período, partem do pressuposto que a valorização do real deve-se só a entrada de dólar, as outras variáveis internas e externas são descartadas. Uma abertura com essa dimensão, mesmo que fosse possível um prazo para o seu fim (o que é duvidoso, pois processos como esses quando em movimento não se tem mais controle), o impacto na desindustrialização seria sem precedente, poderíamos comparar com a explosão de uma bomba H de grande potência: curta na ação e eficiente na destruição. A abreviação da morte anunciada do lado obsoleto da economia poderia trazer custos muito altos e benefícios duvidosos para as empresas de capital intensivo, que se veriam também encurralada pela violenta competição vinda de todos os lados e perderiam, no mercado interno, o diferencial produtivo fazendo suas taxas de lucro cairem. Mesmo que tais medidas resultassem de imediato na desvalorização do real em benefício das empresas exportadoras, os custos sociais seriam enormes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são impasses da própria crise do capitalismo que parece atingir seu limite absoluto. Apesar de alegres conjunturas de crescimento forjados, a cada espasmo da crise grandes regiões tendem a desacoplar-se da produção de mercadoria. Como a saída é cada vez mais ilusória no leque de opções oferecido pela sociedade capitalista, e como os movimentos sociais ainda não se dispõem buscar novos caminhos, procura-se empurrar o desastre para as gerações futuras, inflando-se bolhas financeiras e amainando-se a crise social que já não se deixa administrar com medidas pouco convincentes, represando cada vez mais a energia destrutiva do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21.04.2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-3591672114596386091?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/3591672114596386091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=3591672114596386091' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/3591672114596386091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/3591672114596386091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2007/04/valorizao-do-real-suas-interpretaes-e.html' title='A valorização do real, suas interpretações e caminhos propostos'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-116718145611669327</id><published>2006-12-26T22:57:00.004-02:00</published><updated>2011-10-08T08:21:11.832-03:00</updated><title type='text'>A política redistributiva e os limites do Estado</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz um velho ditado que alegria de pobre dura pouco. Pelas notícias é o que parece se delinear nesse segundo mandato do Presidente-operário. A política social de distribuição de benefícios para os sem renda, parece dar sinais de esgotamento. Por outro lado, os considerados “classe média”, aqueles que recebem mais de três salários mínimos, viram os rendimentos despencarem em 46% e houve um saldo negativo de dois milhões de empregos nessa classe, ou seja, dois milhões dispensados de suas atividades nos últimos seis anos. Por outro lado o emprego com até um salário mínimo aumentou em 2,2 milhões, segundo pesquisa baseada nos dados da Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho), publicados pela Folha de São Paulo de 10 de dezembro de 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp mostra que apesar dos 2,8 milhões de empregos criados entre setembro de 2004 e outubro de 2006, houve uma redução da massa salarial de R$ 133 milhões, provavelmente relacionados com a precarização do emprego via terceirização, demissões e contratação de novos contingentes por salário mais baixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal quadro mostrado pelas duas pesquisas reflete como a economia no Brasil, e, provavelmente, em outros países do terceiro mundo, vem reagindo para se adaptar a violenta competição internacional. Não dispondo de industrias suficientemente modernas e infraestrutura, esses países, incapazes de competir com os países do centro em produtividade, se adaptam como sócios menores do capital internacional produzindo mercadorias baratas às custas da intensificação da mais-valia absoluta. Europa Ocidental, Japão e América do Norte que respondem por cerca de 75% da produção industrial do mundo, necessitam de recursos naturais, mas, também de produtos semi-acabados, geralmente produzidos em indústrias poluidoras, para suas empresas de ponta. É o caso do aço semiprocessado, que é produzido nos países em desenvolvimento a baixo custo e é enviado às usinas sofisticadas dos países do centro. Esse tipo de transação pode significar uma “redução entre 30% a 50% em relação a seu custo caso esses produtos fossem produzidos no país de origem da empresa compradora”, segundo Peter Marsh do Finacial Times.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado em si não produz riqueza. Os recursos para financiar seus projetos são arrancados da produção real através dos impostos, e hoje, mais do que nunca, pela geração de capital fictício. Os recordes na arrecadação de impostos, tão saudados pelos burocratas do poder, tende asfixiar mais ainda a “classe média”, pois essa não escapa da fúria arrecadadora, inibindo o consumo e fazendo patinar o esperado crescimento do mercado interno. Mas, o limite desse nivelamento distributivo por baixo, tende a esbarrar na crise dessa classe, que nos últimos seis anos perdeu quase 50% de seu contingente como mostram as pesquisas e na impossibilidade das bolhas financeiras se expandirem indefinidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado o capital só aporta aonde pode acumular. Aqueles capitais acoplados a produção global, mantém-se em ação desde que as condições lhes sejam favoráveis, e isso, no terceiro mundo, traduz-se em salários cada vez mais baixos, daí a grita pela desregulamentação do mercado de trabalho, por condições de infraestrutura para o escoamento de seus produtos a custos acessíveis e possíveis renuncias fiscal. Não sendo assim, tende a levantar âncora e se dirigir para os que oferecem melhores remunerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As indústrias que produzem mais para o mercado interno, a maioria a margem do circuito mundial da produção capitalista, geralmente pequenas e médias empresas de utilização intensiva de força de trabalho, além do fraco desempenho do mercado local, são obrigadas a competir com similares que conseguem produzir na China e na Índia principalmente, a custos bem inferiores aos nossos, por utilizarem uma mão-de-obra semi-escrava com baixíssima remuneração. A desindustrialização de setores como os de roupas e de calçados é um exemplo flagrante dessa realidade. A produção limitada e a descapitalização desses setores, que dificulta investir em novos equipamentos para aumentar a produtividade, reforça o círculo de demissões acompanhadas de novas admissões com salários que podem chegar a metade dos antigos funcionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governo, ao buscar salvar os náufragos, é obrigado a abrir mão de parte de sua receita, agravando mais ainda a crise fiscal do Estado. Para cobrir os déficits dos programas sociais, os parcos investimentos e outros encargos, é levado a captar recursos no mercado, pagando juros exorbitantes que por sua vez geram compromissos financeiros que precisam ser amortizados com superávits primários. São os papeis do governo, que negociados na rede bancária, se multiplicam como do nada se multiplicaram os pães no milagre cristão, como fosse uma inesgotável fonte de riqueza, a usina de geração de capital fictício. E aí todos que tenham alguma sobra de dinheiro, se beneficiam da “ciranda financeira”: o Estado porque consegue financiar suas despesas, os bancos por comprar do Governo papéis rentáveis&amp;nbsp;e vende-los no mercado, as empresas que inflam seus balanços com as aplicações e juros cobrados nas vendas à crédito&amp;nbsp;e as classes abastadas que do nada vêem seu dinheiro crescer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente a esse emaranhado de interesses, os juros que é como se lucra no mercado de papéis, nem sempre é fácil serem reduzidos. Talvez sejam os juros altos, com as aplicações especulativas na bolsa que nos&amp;nbsp;primeiros quatro anos do&amp;nbsp;governo Lula&amp;nbsp;subiu 280% apesar do pífio desempenho da economia real, as maiores bolhas que ajudam alimentar a economia no Brasil. É como se diz: para a sociedade da valorização do valor em crise ruim com elas pior sem elas, é só ver o susto que tomaram recentemente os novos donos do poder na Tailândia, ao quererem controlar, mesmo que timidamente, o capital de curto prazo que ao girar o mundo velozmente, sopra desesperado as bolhas nos quatro cantos do globo&amp;nbsp;para que não se apaguem. Na Tailândia, o apagão da economia em um dia, foi o suficiente para que o governo militar rapidamente voltasse atrás e se ajustasse novamente às exigências do capital global, mesmo dispondo do poder das armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o capitalismo para existir ainda necessita de uma base real na produção, o louco desacoplamento do dinheiro dessa base, reproduzindo-se sem substância numa velocidade e volume jamais vistos, mesmo que em alguns momentos turbine o crescimento econômico pelo aumento artificial do consumo, mais tarde ou mais cedo a realidade vai exigir um acerto de contas. Os sinais da crise são cada vez mais evidentes, e, pelo intrincado da economia mundial, talvez seja essa a mais global e a mais severa das crises do capitalismo. Os Estados, todos já na corda bamba pelos desequilíbrios financeiros, irão rapidamente a nocaute e com eles as cambaleantes políticas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26.12.2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-116718145611669327?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/116718145611669327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=116718145611669327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/116718145611669327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/116718145611669327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/12/poltica-redistributiva-e-os-limites-do.html' title='A política redistributiva e os limites do Estado'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-116035862552095952</id><published>2006-10-08T22:39:00.000-03:00</published><updated>2006-10-15T16:55:40.260-03:00</updated><title type='text'>Sobre o livro de Anselm Jappe</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento em que parte da esquerda ainda não saiu do outro lado do muro ou saiu para aderir as reformas neoliberais, o livro de Anlsem Jappe, “As aventuras da mercadoria”, é muito bem vindo. Em São Paulo, quando o livro foi lançado, acompanhado de um filme de Guy Debord no Cinesesc Augusta, um número inesperado de pessoas, principalmente jovens, mostrou que existe alguma coisa no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eventos como este indica que esquerda tradicional que no poder não se diferencia da direita tradicional, haja vista a sucessão de escândalos, já não consegue empolgar com os velhos chavões. A crítica à sociedade mercantil parece começar a fugir das fileiras partidárias e ganha as ruas com merecida liberdade. O socilogismo institucional, que por anos alimentou o movimento social, dá sinais de esgotamento e cede lugar a nova crítica não presa a estereótipos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse contexto que surge o livro de Jappe. Em linguagem acessível mostra a importância da crítica do trabalho, do valor, da mercadoria e do fetichismo em Marx, principalmente no primeiro capitulo do “O Capital” , para compreensão da sociedade da mercadoria e da crise social na qual afundamos cada vez mais, como produto da crise da “valorização do valor”, ou seja, da sociedade capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz um apanhado crítico da teoria do valor retomada por Gyorgy Lukács em “História de consciência de classe” e Isaak Rubin, nos anos 30, até autores mais recentes como Robert Kurz na Alemanha, Moishe Postone nos Estados Unidos e Jean-Marie Vicente na França, que chegaram a conclusões semelhantes sem nenhuma relação um com o outro, em estudos isolados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostra que o trabalho, enquanto atividade humana que produz valor, é imanente à sociedade capitalista e que a diferenciação entre trabalho concreto e trabalho abstrato, o trabalho concreto como o “pólo positivo que na sociedade capitalista é violado pelo trabalho abstrato” apaga-se, pois o primeiro só existe enquanto base do segundo. Portanto, a superação da sociedade capitalista pressupõe o fim do trabalho assalariado, considerando que no processo incessante de valorização do valor, trabalho e capital são faces de uma mesma moeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama atenção a clareza com que é escrito o capítulo “A crise da sociedade mercantil”, que trata de questões muitas vezes pouco valorizada pela esquerda, mas fundamentais para o entendimento do capitalismo nos tempos atuais como o trabalho improdutivo e o domínio do capital fictício sobre a produção real, como forma de dribla a crise do valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a revolução da micro-eletrônica, o capitalismo não conseguindo definitivamente compensar o decaimento do valor com a ampliação do trabalho produtivo, todas as fichas são apostadas no chamado setor terciário, cuja expansão agravara mais ainda a crise do valor com o aumento do trabalho improdutivo. Os problemas não tardaram. Como resposta, vieram as reformas neoliberais, privatizando as atividades de seguridade social e de infraestrutura, antes tidas como de responsabilidade do estado, e cortando fundo o que cheirava a supérfluo nas empresas privadas, incluído aí benefícios como assistência médica, fundos de aposentadorias e outros resquícios das conquistas trabalhistas no fordismo. Os “encargos secundários” que não poderam ser varridos pela fúria neoliberal são terceirizados e, a partir daí, incrementa-se a mais-valia absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da ineficácia das medidas, a crise de um sistema em colapso é adiada com ajuda das bolhas financeiras que se manifestam no endividamento pessoal, das empresas e do estado e na supervalorização das ações, dos imóveis, das commodities e outros ativos. A especulação financeira de toda ordem tem criando um volume absurdo de dinheiro totalmente descolado da produção real, que mais tarde ou mais cedo terá que prestar contas através da inflação ou da deflação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz da crítica do valor analisa os escritos de alguns autores em moda como André Gorz e, principalmente, a “versão pós-moderna melhorada do operaismo italiano dos anos setenta” de Antônio Negri e Michael Hardt em ácida passagem intitulada “A última mascarada do marxismo tradicional”. Em diálogo tenso mas amistoso, busca visualizar caminhos ao impasse em que se encontra o movimento social que ainda se move dentro do leque de opções determinado pela sociedade capitalista, enquanto agrava-se a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma advertência: apesar das evidências de que o capitalismo pode ter chegado ao limite com revolução tecnológica da micro-eletrônica que faz ruir o valor, ao mesmo tempo em que cria possibilidade do alvorecer de uma sociedade não assentada no trabalho abstrato e no fetichismo, não fica fora dos horizontes a prevalência de um capitalismo cada vez mais destrutivo, afundado na barbárie vinda de todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Jappe pode ser encontrado na Livraria Cultura ou na Editora Sem Fronteira, Fortaleza, telefone (85) 3081-2956, e-mail: &lt;a href="mailto:criticaradical@bol.com.br"&gt;criticaradical@bol.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08.10.2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-116035862552095952?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/116035862552095952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=116035862552095952' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/116035862552095952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/116035862552095952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/10/sobre-o-livro-de-anselm-jappe.html' title='Sobre o livro de Anselm Jappe'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115725356900519430</id><published>2006-09-03T00:15:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T22:11:59.683-03:00</updated><title type='text'>Os Presidentes e a crise da Volkswagen</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas notícias nos jornais diários das últimas semanas chamaram atenção: a primeira, a ameaça da Volkswagen de fechar a fábrica de São Bernardo, berço do “sindicalismo moderno” e da militância do Presidente sindicalista. A outra, refere-se ao exponencial crescimento do emprego terceirizado em 127% em dez anos, de 1995 até 2005, segundo pesquisa do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Os fatos que parecem isolados, são, na verdade, manifestações de um mesmo fenômeno: queda da rentabilidade do capital industrial como expressão da crise do valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Volks simbolizava o Brasil moderno que queria ingressa num salto no mercado mundial, não mais através do café e do açúcar exportado, mas da política de portas abertas ao capital transnacional, cujo ícone do período foi o alegre desfile do sorridente Presidente Juscelino em um fusquinha aberto. Com a indústria automobilística surge aí um novo momento da “modernização recuperadora” (Kurz), iniciada por Getúlio Vargas com a instalação da indústria de base e a campanha do “Petróleo é nosso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Volkswagen e outras montadoras, ao se instalarem em São Bernardo do Campo, davam uma contribuição “pioneira” na geração de um novo pólo industrial. Com ele e nos intramuros das multinacionais, nasce o “sindicalismo de resultados”, cujo maior orgulho é ter forjado o operário-Presidente. Num primeiro momento, e, ainda, no apogeu do emprego farto na indústria, Presidente do maior e mais poderoso sindicato da América Latina. Agora, na crise do trabalho e no declínio do sindicalismo, Presidente do maior país do Continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado a dura coincidência, resta-nos uma pergunta: estaria a Volkswagen chantageando o governo em busca de empréstimos e outras vantagens como sugere setores do governo e a parte da imprensa? Quem conhece a empresa de São Bernardo sabe que pelo menos duas linhas de produção não são mais rentáveis: a do Gol e da Kombi. Há uma diferença enorme entre essas e a linha de produção do Fox, que apesar de seu grau de automação começa ficar para trás quando comparada com outras montadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acirrada competição internacional exige ajustes dramáticos, ou, até quem sabe, o encerramento das atividades. A nível mundial há uma sobrecapacidade da indústria automobilística, que resiste ao tampo com a introdução de novas tecnologias de produção dispensadoras de força de trabalho. Por outro lado, na China e no Leste Europeu há mão-de-obra sobrando, ávida para ser empregada a qualquer preço, ameaçando os trabalhadores bem estabelecidos nas indústrias do Ocidente. A saída que agora se busca é a destruição dos investimentos não rentáveis, transferência da produção com dispensa em massa e a redução salarial, mesmo que isso signifique a desindustrialização de países inteiros. No Brasil , a baixa formação de capital fixo é um sintoma dessa realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o aumento da produtividade e a expulsão do trabalho da produção, o capitalismo está “a serrar o galho em que se encontra sentado” (Anselm Jappe), e busca compensar a queda da rentabilidade com artifícios financeiros e fusões. Hoje toda empresa que se preza tem seu banco que lhe garante uma sobrevida contábil. As fusões, que vêm acontecendo com enorme ferocidade, na mesma proporção que liquidam empresas e jogam milhares nas ruas, aumenta artificialmente os preços dos papéis das empresas canibais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientes do risco de não fecharem a conta, mesmo tomando todas essas medidas e produzindo a todo vapor capital fictício, ante as ameaças de transferência da produção para outros países, buscam-se outros meios para reduzir custos, agora em cima dos que não conseguem dispensar. É quando entra a terceirização, que é a forma que o capitalismo em crise encontrou para reintroduzir a mais valia absoluta, esticando a carga horária e achatando os salários. Um destaque especial para esse processo apelidado de “precarização do emprego”, cabe aos chamados PJs (pessoa jurídica). Esse empresário-empregado, cuja característica é a introjeção de práticas sadomasoquistas de autoexploração é o grupo que mais cresce entre os terceirizados no País. Essa excrescência do mundo do trabalho em crise, tende a explodir com o artigo 129 da “MP do Bem”, aprovada pelo Senado e  sancionada pelo Presidente Sindicalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02.09.2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115725356900519430?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115725356900519430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115725356900519430' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115725356900519430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115725356900519430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/09/os-presidentes-e-crise-da-volkswagen.html' title='Os Presidentes e a crise da Volkswagen'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115369429180108681</id><published>2006-07-23T19:18:00.000-03:00</published><updated>2006-07-23T20:01:38.316-03:00</updated><title type='text'>O porquê dos juros altos e o discurso da esquerda</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ingenuidade imaginar que só os banqueiros são beneficiados com os juros altos. Todo setor produtivo como também o comércio e serviços, se beneficiam ao vender a crédito de duas maneiras: 1. aumentando as vendas, 2. aumentando seus lucros cobrando juros exorbitantes. Hoje as empresas ou possuem seus próprios bancos ou financeiras ou trabalham em parceria com o setor financeiro, beneficiando-se do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspeito que esses mecanismos são utilizados para compensar a baixa rentabilidade oferecida pela economia real. É uma forma disfarçada de manter os preços altos, não deixa de não ser uma forma de manter inflação para uma camada da população que só pode adquirir bens à prestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os juros altos, ganha os bancos, ganha o comércio e a indústria e a parcela privilegiada da população que pode comprar à vista, com descontos, e ainda investir suas sobras na ciranda financeira. Em resumo: os juros altos são uma forma de transferir renda dos menos privilegiados para os mais privilegiados, mecanismo nada novo em nosso capitalismo tupiniquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso exige que o Estado sinalize para o mercado que os juros vão se manter em determinados patamares. Por outro lado, se os juros caem por ação do Banco Central e ameaça os rendimentos dos privilegiados, “a mão invisível” do mercado reage aumentando a inflação como forma de manter os rendimentos dos agentes econômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grita de setores do empresariado, geralmente os mais endividados ou os que estão fora da economia de escala, diz respeito aos seus empréstimos e não o que repassam para os consumidores na forma de juros altos. Ninguém abre mão de seus lucros porque o vizinho está fechando as portas ou o outro está a morrer de fome. Não há discurso moral que reverta essa lógica irracional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das camadas da população que antes não tinham como se salvar da inflação e agora dos juros altos, a conta é paga também pelo Estado que para isso penaliza as camadas não privilegiadas com seus impostos desiguais. Os desfavorecidos são achacados duas vezes: pelos altos juros do mercado e pelos impostos do governo. Eis aí uma hipótese para ajudar a explicar a enorme concentração de renda nesse país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que muitos imaginam, os juros altos talvez seja a bolha que movimenta a ilha de prosperidade cercada pelo mar de miséria que ameaça inunda-la. Apesar dos discursos contrários, pouco pode fazer os agentes econômicos à não ser tirar proveito do que lhe é oferecido nessas circunstâncias, agem como “sujeito automático” na busca do lucro. Não tem ou não precisam ter clara consciência do fenômeno que eles mesmos produzem, mas que lhes é estranho, ao defender seus interesses. Desvendar os mistérios da economia não é seu dever. Se assim não fosse teriam a economia sobre as rédeas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O discurso da esquerda radical, contra a especulação financeira que esfola o capital produtivo e o trabalho, é no mínimo ingênuo. Aí tem seu ponto de encontro com a direita autoritária de tinturas nacionalista. Tal discurso aparentemente justo, alimenta o populismo de toda espécie, nada muda e geralmente conduz ao sectarismo sem saída. Nesse momento, só a crítica categorial aos fundamentos da sociedade capitalista é realista. &lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;23.07.2006 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115369429180108681?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115369429180108681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115369429180108681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115369429180108681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115369429180108681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/07/o-porqu-dos-juros-altos-e-o-discurso.html' title='O porquê dos juros altos e o discurso da esquerda'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115292544858031554</id><published>2006-07-14T21:56:00.000-03:00</published><updated>2007-07-27T13:35:19.687-03:00</updated><title type='text'>O FASCISMO E O MUNDO CONTEMPORÂNEO</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho bastante pertinente a discussão sobre o fascismo desencadeado pelo referendo das armas e a análise dos discursos que trazem em seu conteúdo elementos do mesmo, num momento em que manifestações autoritárias são mascaradas pelos instrumentos da democracia. Essa é uma questão que não se esgota fácil e muitas vezes deixada de lado pelas correntes políticas que se dizem de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dificuldade de entender o fenômeno sem uma crítica radical a sociedade burguesa. No entanto, a questão parece não se esgotar aí. Se assim fosse, não existiriam resistências ao discurso fascista ou a condutas caracterizadas como tal. Aí eu me pergunto: o que definimos como fascismo nos tempos atuais que não sejam os xingamentos? Será que o fascismo não é um fenômeno mais amplo do que normalmente caracterizamos em nossa crítica? Uma coisa é certa, a sociedade burguesa em crise tem se tornado cada vez mais intolerante. É intolerante com os pobres que em sua marginalidade são confundidos com bandidos; extremamente intolerante com qualquer tipo de situação classificada como “delito” pelas normas jurídicas e, se flagrado, o indivíduo é jogado na prisão, trem para o inferno sem passagem de retorno; intolerante com os jovens que ao não se enquadrarem nos padrões tidos como “normais”, são acusados de delinqüente e trancafiados nas Febens da vida que tão bem lhes ensinam os caminhos da violência; se hoje um jovem fizer o que fazíamos em nossa juventude está perdido; intolerante com os desempregados que vistos pelo olho assustado dos que estão provisoriamente empregados são classificados como vagabundos. (Moro num prédio de classe média, onde cada vez mais jovens se formam e ficam em casa por falta de emprego. É notória a censura a que são submetidos pelos moradores e até mesmo pelos familiares. Nas conversas estão sempre tentando se justificar como se carregassem a culpa do maior dos pecados). Intolerante com os idosos que por não serem mais produtivos são levados sem piedade para morrer (ou serem mortos?) nos albergues e asilos; intolerante com a mulher vítima de todo tipo de violência; com os enfermos que em sua fragilidade deixam seus corpos serem violados sem nenhuma reação por uma medicina mercantilizada. Em fim, uma intolerância disseminada, principalmente com aqueles que não servem à sociedade do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, a intolerância gerada nos grupos sociais é normatizada pelo Estado em nome da segurança e da defesa do cidadão, o que é grave. Quando na ditadura a intolerância era do Estado, exercida contra os direitos privados, gerava resistências. Hoje, os indivíduos amedrontados, abrem mão das liberdades em troca de uma suposta segurança. A esmagadora vitória do “não” no referendo, já vem sendo interpretada pelos arautos da segurança, como um clamor para que o Estado prenda mais, mate mais... Não é à frente do “não”, que embalada pela vitória, já se fala em um outro plebiscito, agora para aprovar a pena de morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intolerância, uma manifestação do medo e do autoritarismo que grassa a sociedade, apesar de ser um dos componentes do fascismo, por si só não o define, penso eu. O nazi/fascismo surgiu numa Europa dilacerada, assustada com as revoluções “socialistas” e com o movimento operário do pós-guerra, numa Alemanha humilhada, com dívidas de guerra e milhares de desempregados, muitos deles soldados desmobilizados das frentes de batalha.Tinha seus símbolos, suas bandeiras, seus modelos ideais de uma nação de “raça pura” que em nome do nacionalismo, componente importante na trama delirante, tentava chacoalhar a população derrotada, transformando-a em massa para seus objetivos. Era também uma forma de mobilização para a superexploração em nome do dever com a nação. O trabalho, ou melhor, o sacrifício no trabalho, apresentado como nobre, digno de uma raça sem mistura, tinha um papel central no discurso nazi/fascista, estava aí um dos seus pontos de encontro com o stalinismo. Não fazia diferença se o trabalho era na fábrica ou no front, se si perdia vidas com corpos perfurados à balas ou levado ao exaustão nas fábricas militarizadas. Morrer de uma ou outra forma era “passar da Alemanha temporal à Alemanha eterna”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compulsão de superar tudo e a todos, interna e externamente, era um dever do cidadão ariano. O outro, um obstáculo, tinha que ser eliminado. Daí a guerra, o anti-semitismo, o extermínio dos judeus e de outros incapazes que “sabotavam com seus atos impuros o potencial do povo alemão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há em comum entre essa competição extrema, que leva a destruição dos competidores e o capitalismo atual? Na Alemanha nazista os fortes mereciam vencer, aos fracos o descarte. Quais as diferenças e quais os pontos em comum entre a sociedade atual, que na sua insana concorrência exclui sem piedade os não ajustados ao mercado, e a Alemanha nazista que cultuava a morte, vista como desfecho natural para os perdedores, os mentalmente inferiores ou para aqueles que obstaculizavam o ressurgimento da nação alemã formada por um povo puro e vencedor? A morte para os fortes, aqueles que tombam destemidos por esse paranóico ideal, tinha um significado diferente, era a glória. Para esses, as homenagens póstumas, as medalhas do terceiro Reich, a eternidade; para àqueles uma morte que não deixasse vestígios das suas impurezas sobre o sagrado território, os fornos crematórios. A realização e ao mesmo tempo a destruição de obras grandiosas, não importa o sacrifício humano, presentes nos cálculos de Hitler, não são parte da política do capitalismo atual das grandes corporações feita sem disparar um tiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As condições sociais atuais, a violência dos grupos mafiosos e a violência institucional, o rancor de uma classe média empobrecida, o medo que se espalha, reforçado pela forma como os meios de comunicação manipulam as informações sobre a violência; o poder desmedido e sem controle das grandes corporações que agem automaticamente em busca de sempre maximizar os lucros, com custos altíssimos para natureza e o homem; um Estado corrompido e preso aos ditames da economia globalizada, tudo isso são “meios de cultura” apropriados para barbárie de toda espécie que brota no cotidiano sem a resistência necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27.10.2005&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115292544858031554?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115292544858031554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115292544858031554' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115292544858031554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115292544858031554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/07/o-fascismo-e-o-mundo-contemporneo.html' title='O FASCISMO E O MUNDO CONTEMPORÂNEO'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115266938658796295</id><published>2006-07-11T22:49:00.000-03:00</published><updated>2007-04-02T11:38:23.841-03:00</updated><title type='text'>Um prego no caixão das leis trabalhistas com direito a réquiem tocado por sindicalistas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li nesses dias, que chorões sindicalistas, reclamavam da “maldade” contra os trabalhadores que foi a aprovação no congresso da “MP do Bem”, agora sancionada por outro sindicalista Presidente da República. É o choro depois do leite derramado. Coisa para inglês vê como se diz na gíria. O que não se diz é que o artigo 129, do qual reclamavam de araque, já vinha sendo praticado pelo mercado, sem nenhum obstáculo. O processo de terceirização, que há muito vem expulsando das relações trabalhistas a CLT, já não encontrava resistência nos tribunais do trabalho e nos sindicatos, mesmo quando burla a lei tentando mascarar com artifícios o vínculo trabalhista. Antes eram criadas as cooperativas de trabalho, na maioria das vezes pelo próprio empregador, para fugir da legislação. Agora, nem isso necessita: com a “MP do Bem” (brincam até com o nome), promovem o empregado a patrão de si mesmo, dispensa-se os intermediários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta que já vinha sendo arrombada há tempo, abre-se de vez para o capitalismo do vale tudo. Agora todos já podem trabalhar 15-20 horas por dia, produzir sua mais valia absoluta e até se auto-imolar em oferenda ao deus trabalho sem que os tribunais encham o saco. Já não há mais “entulhos” como diz os juristas da modernidade, o caminho foi limpo, todos estão livres para correr alegremente em busca do altar dos sacrifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A extensão dessa medida que aparentemente é dirigida à mão-de-obra especializada e cara será sentida muito mais profundamente do que se imagina. Em poucos anos vamos saber quantos perderam o pouco de direito que lhes davam a condição de ter “carteira assinada”. Os sindicatos que no esvaziamento de suas funções não sabem mais o que fazer para agradar, a não ser distribuir brindes imitando mal os mais lamentáveis espetáculos, aceleram de ladeira abaixo sua queda e se confunde cada vez mais com os interesses do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A renda média do trabalhador em São Paulo despencou 31% em dez anos, entre 95 e 2005, segundo pesquisa do Dieese. Essa situação, que tende a se agravar, não deve ser diferente para resto do país onde os salários são mais baixos. Mesmo com crescimento econômico o desemprego persiste, e todas as pesquisas têm mostrado que a maioria dos empregos criados são de baixos salários e gerados na área de serviços, o que mostra a precarização e a incapacidade da economia de absorver satisfatoriamente força de trabalho disponível com a expansão dos mercados. Trocando em miúdos: o aumento da produtividade, com a utilização das novas tecnologias, movida pela concorrência entre as empresas, têm substituído o trabalho humano por máquinas, não permitindo que a economia, mesmo em alta, crie empregos suficientes capazes de absorver a força de trabalho disponível, tornando-a, em grande medida, supérflua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o grande paradoxo de nosso século que os governos, os sindicatos, políticos e as instituições de um modo geral preferem “resolver” com um discurso demagógico e mentiroso da geração de novos postos de trabalho. O problema é sabido, mas sua discussão é negada pelo que pode engendrar. Busca-se saídas mais fáceis para garantir a acumulação com custos sociais altíssimos que só agravam a crise. A MP do Bem faz parte dessa realidade e novas medidas de desregulamentação, tidas como realistas, tendem aparecer novamente, deixando sem peias o mercado para o movimento do capital que em seus estertores sobrevive à custa de bolhas. Mas quando lhe faltar o ar que artificialmente respira, injetado muitas vezes com ajuda daqueles que o condena, espero que requiscat in pace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21.05.2005 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115266938658796295?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115266938658796295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115266938658796295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115266938658796295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115266938658796295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/07/um-prego-no-caixo-das-leis.html' title='Um prego no caixão das leis trabalhistas com direito a réquiem tocado por sindicalistas'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115248688670641987</id><published>2006-07-09T20:13:00.001-03:00</published><updated>2007-08-03T22:24:13.069-03:00</updated><title type='text'>O CIRCUITO ASIÁTICO DA ECONOMIA MUNDIAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como a economia mundial se sustenta em tempos de crise da valorização do capital&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande imprensa tem noticiado com freqüência os alertas feitos a China pelas instituições financeiras mundiais para que deixe o yuan (moeda chinesa) flutuar por encontrar-se artificialmente subvalorizado, como medida para reduzir o déficit em conta corrente americano, financiado principalmente, pelos superávits dos países asiáticos. Ora, ao mesmo tempo em que pedem a China mais equilíbrio de sua moeda em relação ao dólar, a economia americana necessita desesperadamente do dinheiro gerado nos superávits chinês. Essa relação de dependência entre as duas economias é que costumam chamar de circuito asiático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como funciona? Os países do leste asiático, principalmente a China, produzem mercadorias, com preços bastante competitivos, que são absorvidas por ávidos consumidores americanos. Isso tem gerado um enorme superávit nesses países em relação a maior economia do mundo, dinheiro que retorna barato ao mercado americano na forma de investimentos em papéis com garantias do tesouro. Esse fluxo de mercadorias e capitais é fundamental para o funcionamento da economia dos EUA e o crescimento da economia chinesa, com reflexo no resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a conseqüência disso para indústria? A grande maioria dos produtos exportados pela China sai das empresas americanas aí instaladas, que são beneficiadas pelos baixos salários pagos (em média menos de 1/10 do valor recebido pelo trabalhador americano, quando comparados todos salários da cadeia produtiva). A lógica do capital é da valorização do valor, se no país onde dançam os dragões essa façanha é possível vamos à China. Isso gera um fenômeno um tanto estranho para alguns: nos dois paises, apesar do crescimento econômico, cai o emprego na indústria pelo aumento da produtividade, e ainda, nos EUA, pela fuga de capitais da produção em busca de uma maior rentabilidade, na China pelo impacto tecnológico em uma economia de uso extensivo de força de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto ao fluxo de capitais? O dinheiro que retorna ao mercado americano não encontra na produção sua melhor aplicação por ser pouco rentável, a não ser na aquisição estratégica de empresas. Ao aumentar a liquidez, pressiona os juros a longo prazo para baixo, alimentando a especulação no mercado financeiro, nas bolsas e no mercado imobiliário, fazendo expandir com isso as bolhas que por sua vez sustentam artificialmente o consumo, beneficiando as importações, principalmente do leste asiático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o superávit chinês e de outros países não fossem tão importante para expansão do capital fictício, que movimenta a economia mundial a partir dos grandes centros, garantindo o que tem sido chamado no capitalismo-cassino de “efeito riqueza”, em outras palavras, capital-dinheiro destituído de substância, não haveria tanta defesa desse desequilíbrio por economistas de prestígio no sistema. Divergências à parte, todos estão de acordo que esse ainda é o caminho para manter o consumo aquecido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saídas dessa encruzilhada, sem apostar em novas bolhas, são dolorosas e passariam necessariamente pela recessão, com a redução do consumo mundial que atingiria em cheio a China e outros países, pois veriam fechados os sorvedouros de seus produtos. A conseqüência da redução dos superávits seria a diminuição do fluxo do dinheiro asiático para o mercado americano, que agravaria mais ainda a recessão e poderia levar a um desequilíbrio de proporções inéditas no orçamento deficitário do governo dos EUA, pela queda da arrecadação e pela redução da entrada de recursos externos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa convergência de interesses, o governo Bush jogou bilhões de dólares no mercado, com os cortes de impostos e juros baixos, que tem sido torrado num consumo perdulário e em investimentos não produtivos. O rombo de quase quinhentos bilhões de dólares no orçamento, agravado com as despesas de guerra, e valor semelhante em conta corrente, para serem financiados necessitam dos recursos dos investidores estrangeiros. Qualquer medida que leve a redução dos superávits de parte dos países desse circuito, teria repercussão imediata na entrada de capitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as muitas saídas pensadas para reduzir os déficits está o aumento de impostos e dos juros numa velocidade maior, que ao enxugar o dinheiro circulante, atingiria negativamente o consumo e sem dúvida faria economia cair em recessão, com as implicações já citadas. A combinação de todas medidas teria efeitos semelhantes. Apesar dos esperneio, a posição dos gerentes da crise e de alguns analistas é que a margem de manobra é apertada, um reconhecimento que pouco pode ser feito a não ser administrar a crise e apostar no surgimento de novas bolhas ou rezar para que as existentes sejam infinitas, posição que se ajusta muito bem ao raciocínio dos operadores dos mercados de papéis, distantes da economia real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O circuito asiático de fluxos de mercadorias e capitais para os EUA é parte da mega simulação encontrada para alimentar a criação de capital fictício e manter alto o consumo sustentado por bolhas. Resta saber se o provável estouro da bolha do mercado imobiliário, que teve origem nos EUA ainda no final dos anos 90 e se expandiu para o resto do mundo, vai permitir o surgimento de outras com o sopro milagroso capital financeiro. Acreditam alguns críticos que após o estouro da bolha nas bolsas em 2001, não totalmente esvaziada, e o possível estouro da bolha imobiliária, o campo se estreita para o crescimento de outras. Outros, porém, acham que o capitalismo está sendo impulsionado por fenômenos que apontam para um novo paradigma, também ouvimos essa conversa antes do desastre das bolsas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expansão desse fenômeno parece ser a tendência, acompanhado de um certo “efeito sanfona” na economia de bolhas, ou seja, quando uma esvazia surge outra de maior amplitude em um tempo mais curto, gerando demandas, mas prometendo no seu ocaso um estrago maior do que sua predecessora. O que alguns analistas não conseguem enxergar, por se ocuparem com mundo da aparência, é que, o que chega a superfície são manifestações da crise da valorização do capital, da “alma que move a produção capitalista” (Marx).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;04.07.2005&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115248688670641987?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115248688670641987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115248688670641987' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115248688670641987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115248688670641987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/07/o-circuito-asitico-da-economia-mundial_09.html' title='O CIRCUITO ASIÁTICO DA ECONOMIA MUNDIAL'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115102151792196180</id><published>2006-06-22T21:08:00.001-03:00</published><updated>2010-11-27T15:32:37.859-02:00</updated><title type='text'>Um Zumbi assombra o mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo volta a sorrir. A economia dá sinais de crescimento consistente. O emprego, após três anos em baixa, começa reagir na locomotiva do mundo. Os analistas econômicos andam ocupados, explicando para mídia, que a recessão acabou. Mas alguma coisa não bate com a alegre aparição desses simpáticos senhores na tele de notícias. As bolsas de valores, que deveriam acompanhar esse movimento ascendente da economia mundial, sinalizam um movimento em sentido contrário, principalmente no terceiro mundo. O risco país dispara e na cor rosada das gordas bochechas dos analistas, já dá para ver alguma palidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vista não deixa de ser estranho em plena retomada econômica o “humor do mercado”. Mercado aonde não se busca mais produtos para satisfazer necessidades, mas acumulam-se e vendem-se papéis de variados formatos e valores. Os sinais, cada vez mais fortes, de que os juros nos EEUU vão subir abala a credibilidade dos retardatários. O capital, que vinha abundantemente se oferecendo ao mundo dos pobres, volta rapidamente ao seu porto seguro de suposto risco zero. A bolha financeira, expandida ao máximo, ameaça um brusco movimento de contração em direção ao centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos analisar mais de perto o que vem acontecendo. Todos devem lembrar os estouro da bolha, há três anos atrás, que atingiu em cheio as bolsas da Europa e principalmente dos Estados Unidos, levando consigo a chamada “new economy” do ponto.com que se dizia dotada de novos paradigmas de crescimento sem crise. Declarando-se preocupado com a recessão, as primeiras medidas do governo Bush foi distribuir fartamente dólares, através de cortes generosos de impostos, beneficiando principalmente os mais ricos. Por outro lado reduziu os juros à quase zero e pôs em movimento o complexo industrial-militar para produzir bombas e outros artefatos, ao declarar guerra ao Iraque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado disso foi que parte do capital financeiro, acomodado aos papéis do governo americano, ao ser mal remunerado pelos baixos juros resolve dar uma volta ao mundo. É o chamado excesso de liquidez que aporta nas bolsas do terceiro mundo e as fazem subir de forma avassaladora, sem que a economia desse qualquer sinal de geração de riqueza. Um dos exemplos é o Brasil: apesar do crescimento negativo, a bolsa subiu 97% em 2003. Os títulos do governo, antes desvalorizados, também tiveram o seu momento de glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que o capital se movimente mais à vontade, alguns indicadores foram criados pelos fundos de investimentos como pista para os investidores. Um deles é o chamado risco-país. Quando desce é a hora do assalto. Quando sobe é melhor sair de baixo. O momento é de subida do risco-país no terceiro mundo que ao se antecipar ao anunciado aumento dos juros pelo Fed, sinaliza para que deixem o barco. Mas será que todos conseguem se salvar do naufrágio? Nesse jogo se há ganhadores há também os perdedores. Os últimos geralmente são o capital nativo e o médio e pequeno que não dispondo dos mesmos recursos dos mega-investidores chegam atrasados nos botes salva-vidas. Esses capitais quando saem, geralmente deixam no rastro, um chão árido e um gosto amargo na boca dos perdedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aumento dos juros pelo Fed é uma certeza, a única dúvida quando ocorrerá. Os déficits comerciais e orçamentários dos EEUU devem ultrapassar um trilhão de dólares este ano de 2004. O governo americano precisa desesperadamente de recursos financeiros para fechar suas contas e a melhor forma para tê-los de volta é remunerá-los melhor. Porém, era de se esperar que as bolsas dos assim chamados países desenvolvidos, com o aquecimento da economia mundial, mantivesse seu vigor. Não é o que estamos vendo. Parece que o estouro da bolha, que teve início no segundo semestre de 2000, foi interrompida no início de 2003, com as medidas tomadas pelo governo americano que despejou no mercado uma enorme quantidade de dinheiro. Esse capital, não tendo como se reproduzir, parte vai para o consumo, gerando no mercado imobiliário mais uma bolha e outra vai para especulação nas bolsas já que os papéis americanos, com os juros baixos, não são atrativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O indicativo de que a bolha financeira retomou sua expansão nas bolsas americanas é que a relação entre preços e lucros (relação P/L) das ações negociadas atualmente está bem acima da média histórica, situação muito semelhante aos primeiros meses do ano 2000 quando o capital fictício atingiu o topo e logo em seguida as bolsas começaram a despencar. O aumento dos juros e a corrida do capital para se abrigar nos papéis americano, depois de se expandir artificialmente em outros mercados, pode ser o gatilho para um novo estouro das bolhas nos países “desenvolvidos” e em “desenvolvimento”, o que pode mergulhar o mundo numa crise sem precedente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o crescimento da economia americana? Cabe aqui analisar se esse crescimento é sustentável, como defende os arautos do capital. Como já foi dito: a farta distribuição de dólares com os cortes nos impostos e juros subsidiados soprando as bolhas, algum impacto causaria no consumo. O movimento da colossal máquina militar americana com a guerra no Afeganistão e no Iraque tem intensificado as atividades da indústria bélica como há muito não se via. Parte significativa do crescimento do PIB como também a geração de empregos deveu-se ao esforço de guerra. Se por um lado isso mobiliza a economia é bom lembrar que armas, bombas, equipamentos militares de um modo geral e homens para manuseá-los, destruí-los e serem destruídos, se na indústria bélica aparece como produção para o governo são contabilizados como custos. E custos que aumenta ainda mais o déficit orçamentário que por sua vez exige recursos de algum lugar para cobrir o rombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desequilíbrio nas contas americanas, sem solução a vista mesmo com a redução do valor do dólar em relação às moedas européias e japonesas, pode trazer inflação, pressionando mais ainda os juros. O câmbio flutuante, ao beneficiar os produtos americanos no mercado mundial, tem acirrado a concorrência e impulsionado a produtividade com incorporação de novas tecnologias e a destruição de postos de trabalho. Na esperança de que a grande locomotiva não pare e continue puxando o resto do mundo, muitos países são obrigados pagarem às contas do déficit americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a repercussão no Brasil, com contas a pagar em dólar, que vai dos royalties aos serviços da dívida externa e uma boa parte da dívida interna indexada à moeda norte-americana, crucial para garantir a entrada de novos capitais? Apesar da melhora da situação da balança comercial, que passou a ser superavitária, a dependência do Brasil desses capitais é enorme. Com a bolsa em baixa e os investimentos produtivos vacilantes, a única forma de garantir o fluxo de capital de curto prazo é manter os juros nas alturas. O investidor externo, de olho no risco-país, exigem juros proporcionais. Portanto, a crise na bolsa, pode interromper o tímido declínio que vinha sendo observado nos patamares astronômicos dos juros, com repercussões na combalida atividade econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso de setores da esquerda de não pagamento da dívida externa, apesar de correto, erra no seu objetivo ao acreditar que o dinheiro destinado à amortização e aos juros poderia ser investido internamente, garantindo crescimento econômico e melhoras sociais. Uma reivindicação como essa só poderia ter alguma envergadura se envolvesse todos os países endividados. Medidas isoladas ou meias medidas, despertaria a fúria do capital global e faria o país descer pelo ralo. Segundo, o não pagamento da dívida não seria a garantia de um surto de crescimento econômico e criação de empregos. Poderia sobrar alguns trocados para o execrável fome zero. Mas, o mais provável seria um aprofundamento da crise do capitalismo, exigindo novas saídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o mundo é totalmente dependente do capital internacionalizado para qualquer investimento. O chamado capital nacional é uma ficção. O problema é que o capital não tem mais como se reproduzir na economia “real”. Seu destino é girar em falso, sem rumo como um zumbi, produzindo bolhas financeiras aqui e acolá, simulando acumulação. É a forma que encontrou de se manter morto-vivo na sociedade do trabalho em crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08.05.2004&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115102151792196180?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115102151792196180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115102151792196180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115102151792196180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115102151792196180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/um-zumbi-assombra-o-mundo.html' title='Um Zumbi assombra o mundo'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115050765446556000</id><published>2006-06-16T22:18:00.000-03:00</published><updated>2006-06-16T22:27:34.486-03:00</updated><title type='text'>Furedi e a rebelião dos jovens na França</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem não leu o artigo, "Todos devíamos aprender com a França", de Frank Furedi, publicado na Folha de 13.11.05, deveria fazê-lo. Apesar de um certo saudosismo gaullista e clamar por novas idéias na política, ao mesmo tempo em que reconhece a falência da mesma, Frank Furedi levanta questões que se para alguns não é novidade, tem um peso diferente na mídia quando escrito por um analista "insuspeito". Sem querer polemizar com aquilo que o surpreende, Furedi começa mostrando a falência da política de assimilação na França e do multiculturalismo ao analisar a experiência inglesa. Aponta a possibilidade de levantes semelhantes aos dos subúrbios franceses em outros países europeus, onde as tensões se acumulam nos bairros periféricos, cada vez mais distanciados das áreas de "excelência" do primeiro mundo e mais próximo das favelas do terceiro. A apartheid social se alarga nos países ricos e pobres, a repressão aumenta enchendo as prisões, e a tão em moda política da inclusão se mostra vazia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de reconhecer o esgotamento das elites e dos partidos políticos, Furedi parece desejar um poder com metas claras dirigido por essas elites que critica. Estranha a falta de objetividade da política, mas esquece que a não objetividade como a falta de metas é o reflexo de uma crise mais profunda, que já não deixa margens para iniciativas capazes de supera-la nos limites dados pela atual sociedade. Eis a razão da exaustão da política partidária e do Estado na França e no resto do mundo. Reconhece acertadamente que a "marginalização do movimento sindical tem seu paralelo no declínio da coerência no interior da elite francesa", afirmação que pode ser generalizada para as elites e movimento sindical dos demais países. Fica, no entanto, no meio do caminho e prisioneiro das políticas passadas; não consegue aprofundar crítica à sociedade em crise. Acho que esse mal acomete a maioria de nossa esquerda, principalmente aqueles que vêem na militância partidária e na chegada ao governo, a via possível das mudanças. Sem referências, tentam se agarrar à política de classes, que hoje "existe apenas em forma populista e caricaturada", como muito bem reconhece Furedi. Porém, isso não é o fim da história como muitos aclamam, é preciso descobrir novas categorias que supere o conceito marxista de classe do antigo movimento operário. Talvez, o que vem se passando nas ruas das grandes cidades, principalmente nos bairros pobres, cada vez mais descolados da produção de mercadorias, seja a expressão de algo novo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sociedade burguesa hoje se depara com o crescimento crônico do que poderíamos ainda chamar de exército industrial de reserva, fenômeno que antes se exacerbava nas crises, mas que voltava ao tolerável nos momentos de bonança. Furedi, como tantos outros, parece não enxerga que com as novas tecnologias dispensadoras da força de trabalho, a tendência é o crescimento sem limite deste exército. Muitos nem se quer conseguem ser socializados para produção capitalista, são recrutados sem essa premissa. O capitalismo hoje, na produção da miséria, já não gera mais proletários, mas o seus eternos reservas, cujas fileiras que dão volta ao mundo são formadas não só de imigrantes como quer dá entender a grande imprensa tentando restringir a crise. Daí o deslocamento do campo de batalha das fábricas para as ruas. Os "arruaceiros" de hoje nada tem a vê com os "arruaceiros" de ontem, estes bem comportados senhores preocupados em não serem mandado para reserva nos próximos cortes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da jovem rebelião tem-se exigido objetivos claros, propositalmente esquecem o seu lado certeiro que é, na luta de rua, a solidariedade e a crítica radical à mercadoria e suas formas hierárquicas, mesmo que num primeiro momento não se expresse conscientemente. Isso, porém, não é a garantia de que movimentos como este não seja absorvido pelo sistema que sabe muito bem exorcizar os seus fetiches nas horas de aperto. Como a sublevação dos pobres da periferia ainda carrega um certo desespero daqueles que no mercado não consegue trocar a força de trabalho por outras mercadorias necessárias à subsistência, pode se tornar presa fácil das manipulações dos administradores da crise.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na sociedade produtora de mercadorias em que a acumulação deu lugar à simulação, onde as bolhas crescem e estouram em velocidade estonteante, a política não podia ser diferente: prisioneira dessa realidade, degringola e perde a identidade não por falta de missão, mas por sofrer os abalos da economia mundial que não se deixa governar e não respeita fronteiras em sua ação destruidora. As instituições nacionais já não respondem a esse novo momento do capitalismo global. Como reflexo dessa realidade e para esconder fragilidade em que se sustentam, a política e o poder local tende a ser cada vez mais espetacular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;23.11.2005&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115050765446556000?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115050765446556000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115050765446556000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115050765446556000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115050765446556000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/furedi-e-rebelio-dos-jovens-na-frana.html' title='Furedi e a rebelião dos jovens na França'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115033858302442677</id><published>2006-06-14T23:21:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T23:42:47.533-03:00</updated><title type='text'>A economia e seus paradoxos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                                          &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O paradoxo de uma economia que cresce gerando miséria&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                                                                                                                                                        &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A economia de países “subdesenvolvidos”, onde muitos produtos industrializados ainda não fazem parte dos meios de subsistência dos trabalhadores, tende a satisfaze-los com baixos salários. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;À medida que a industrialização avança, novos produtos de consumo de massa lançados no mercado incorporam-se aos meios de subsistência forçando aumentos salariais. É claro que as variações para cima ou para baixo dos salários necessários para aquisição de mercadorias para manutenção dos trabalhadores e suas famílias, depende ainda do exército industrial de reserva, do grau de organização desses e da repressão patronal e policial a que estão sujeitos. Mas para o bem do capital, apesar do mórbido desejo, o trabalhador não pode morrer de fome, pois não haveria produção de mais-valia e o próprio capital para se realizar necessita vê as mercadorias consumidas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa variação no tempo e no espaço de como se compõe os meios de subsistência dos trabalhadores tende a explicar as enormes disparidades salariais entre países e entre regiões de um mesmo país. Não estamos falando de diferenças individuais determinadas pelo trabalho qualificado. As formas como são satisfeitas as necessidades da população nas várias regiões pode ser uma das explicações para mobilidade do capital industrial: na busca incessante da valorização do valor, procura estabelecer-se, sempre provisoriamente, nos países onde os meios de subsistência necessários sejam mínimos e, se possível, onde o disciplinamento do trabalho humano abstrato tenha sido completado. Não é à toa a preferência pelos países antes ditos socialistas, onde as normas do trabalho assimiladas a manu militari, por mais brutais que sejam, são aceitas passivamente. Pouco conta o mercado interno dos países onde se instalam esse capital industrial itinerante - e o peso dos recursos naturais é relativo -, mais sim o rico mercado dos países “desenvolvidos” que é de fato o destino de seus produtos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O barateamento das mercadorias aí produzidas, numa combinação de mais-valia relativa e absoluta, tende baixar o preço da “cesta básica” dos países do centro, consumidores desses produtos, permitindo um movimento aparentemente paradoxal de redução da massa salarial sem num primeiro momento reduzir o consumo. Por outro lado, observa-se nos países “subdesenvolvidos” que recebem investimentos estrangeiros na produção, que apesar dos indicadores positivos da economia, a estagnação ou até mesmo a redução do consumo de produtos tidos como essenciais é uma realidade. Recentemente foi publicada no Brasil, uma pesquisa que mostra que o consumo de gás de cozinha em 2005 retrocedeu aos níveis de 1997. Mesmo considerando outras variáveis é um consistente indicador da regressão das condições sócio-econômica da população apesar do tão festejado crescimento do PIB. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um outro fenômeno é observado nos países ricos: apesar de inundados por mercadorias baratas vindas da periferia do capitalismo, a cada ano mais gente cai abaixo da linha de pobreza. Dados recentes do governo dos EUA expõe uma situação há muito escondida: paralelamente ao crescimento exuberante da economia, o número de americano que tem decaído abaixo dessa linha vem aumentando. A última pesquisa publicada falava em um milhão e trezentos mil só esse ano. O furacão Katrina mostrou que o sonho americano não é para todos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A economia americana, que puxa as demais, move-se às custas de uma enorme bolha imobiliária e financeira que aumenta artificialmente o consumo das camadas privilegiadas, compensando a ausência daqueles que se descolaram do mercado cuspidos pela automação da produção. Fenômeno antes tido como marginal no capitalismo, a geração de capital fictício é defendida como fundamental para manter o crescimento econômico. A ajuda dada pelos bancos centrais desses países na formação das bolhas evidencia bem isso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que não se tem considerado é que a história mostra que as bolhas, como fraude da acumulação do capital, não inflam ao infinito. Ao chegarem ao limite de sua elasticidade explodem causando danos irreversíveis, proporcionais ao seu tamanho. De uma certa formas a tese das bolhas necessárias é um reconhecimento invertido da crise da valorização do valor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;30.09.2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115033858302442677?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115033858302442677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115033858302442677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115033858302442677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115033858302442677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/economia-e-seus-paradoxos.html' title='A economia e seus paradoxos'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115025003985596153</id><published>2006-06-13T21:57:00.003-03:00</published><updated>2011-07-10T09:25:23.235-03:00</updated><title type='text'>Da doce ilusão à consentida mentira</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Edgar Morin, em seu livro "Para Sair do Século XX", faz uma interessante análise do componente alucinatório da percepção. Mostrar que apesar de no pensamento mágico ser resultado de um fator "irracional", ele é determinado, na maioria das vezes, por um princípio de racionalidade. Experimentos recentes nas áreas de neurologia e psicologia evidenciam que nossa percepção das coisas e dos fenômenos não está relacionada só com o que o é captado pela retina, mais, também, com o que está acumulado, guardado no subconsciente ou mesmo no inconsciente, fruto de experiências e percepções passadas. Ou seja, o que devolvemos como sendo a visão de um objeto ou situação, não é determinado só pelo que vemos, mas por todo um complexo intrínseco ao funcionamento de nossa memória, de nosso cérebro. Não é à toa que resistimos ao novo, quando se choca com conceitos internalizados que estruturam nossa visão de mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recentemente, conversando com um militante do PT, abalado com os escândalos no Governo Federal, dizia que tudo era montado para desestabilizar o governo e o Partido frente às eleições municipais. É evidente que em situações como essas os partidos de oposição tendem a tirar proveito. Mas o que meu amigo não entendia em sua preleção moralista e negadora dos fatos é que tais escândalos fazem parte do poder e dos caminhos para alcançá-lo. Quem aceita sentar no trono, acata essa lógica antes de chegar lá, por mais radical que seja os discursos de campanha. Quais partidos políticos chegariam ao governo sem se submeter a tais falcatruas? Simplesmente não chegariam. Essa visão ingênua não é diferente do cômodo discurso de alguns intelectuais, que enclaustrados em suas cátedras, olham "surpresos" os rumos das políticas do governo. Acham que o PT resistindo (raciocínio que não se aplica a atual conjuntura), mudaria o curso do rio caudaloso, que só corre numa direção, e não seria tragado pelo redemoinho do poder estabelecido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A visão alheia de meu amigo, a mesma da chamada base do partido, é reforçada pela direção (que tinha tudo muito claro ou não chegaria ao poder), com uma blindagem ideológica. Isso nos remete a discussão das instituições na sociedade capitalista. Nos interessa aqui, enquanto instituições da ordem social existente (pois não existe outra), os partidos políticos que se organizam e funcionam nos moldes empresariais. Na tão decantada democracia interna dos partidos de esquerda, forma inerente ao capitalismo, a alienação é reforçada pelo chamado centralismo democrático. Todas as discussões são afuniladas e manobradas para reforçar o poder institucional que flutua com autonomia, descolado e hostil à militância, apesar de legitimado por esta. Quem de fato representa a instituição "partido" é a direção. A energia do trabalho da chamada base é apropriada e direcionada no sentido que lhe convém. Aqueles que se rebelam são excluídos de forma impessoal pela democracia partidária, como são excluídos os que não servem ao mercado, pois, com sua rebeldia, não contribuem para o "acúmulo de forças" que beneficia cúpula. Como essas organizações não possuem a materialidade da mercadoria, o fetiche se expressa, na sua forma extrema e mítica ao mesmo tempo, nos corpos endeusados dos chefes supremos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O termo "acumulação de forças" usado com tanta convicção pela esquerda na luta política é uma forma diferente de dizer "trabalho acumulado", ou seja, capital. O trabalho abstrato, é, também, o responsável pela construção e consolidação das instituições que dão sustentação ideológica à sociedade do trabalho. Na crise do valor, essas instituições, em particular os partidos políticos, como a economia de bolhas financeiras, vivem da simulação. Quando governo, nada podem fazer, a não ser administrar a crise. E aí equivocam-se à esquerda do PT e outros grupos aliados que com um discurso aparentemente diferente, propõem mudanças nas políticas econômicas e sociais. No momento em que o trabalho em crise não conta mais na acumulação de capital, insistem na idéia de uma política desenvolvimentista, criadora de trabalho produtivo, cujos primeiros estertores já eram ouvidos na segunda metade dos anos 70. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para "vencer" essas dificuldades, os partidos no poder, como autodefesa, tendem a se burocratizar, a se fechar e a centralizar mais ainda as decisões, relegando a militância, muitas vezes calada com cargos no aparato estatal. A alucinação dos tempos em que se acreditava religiosamente na emancipação por essas vias, cede lugar à mentira que passa ser uma necessidade à sobrevivência política. Na encenação, a realização da mentira, não importa quem suba ao palco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;31.03.2004&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115025003985596153?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115025003985596153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115025003985596153' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115025003985596153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115025003985596153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/da-doce-iluso-consentida-m_115025003985596153.html' title='Da doce ilusão à consentida mentira'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115024646807360148</id><published>2006-06-13T21:45:00.000-03:00</published><updated>2006-06-13T21:54:28.076-03:00</updated><title type='text'>UMA BREVE HISTÓRIA DA EXPULSÃO DO HOMEM DO CAMPO PELO CAPITAL</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A monocultura dirigida para a exportação é um fenômeno antigo em nossa história. Mas a modernização da produção, com o estabelecimento de novas relações no campo e a introdução de tecnologias dispensadoras do trabalho, intensifica-se a partir dos anos sessenta. A estrutura paternalista da antiga propriedade rural, onde residia um grande número de famílias, morando ali há décadas, começa a desagregar-se neste período. No Nordeste, onde vivenciei esta realidade, o impulso das modernas usinas de açúcar vai gradativamente transformando os velhos engenhos produtores de rapadura, açúcar mascavo e pinga em fornecedores de cana-de-açúcar. Esses engenhos, geralmente seculares, antes das usinas e das modernas máquinas agrícolas, dependiam para o seu funcionamento de um grande número de moradores, que ali formavam verdadeiras comunidades. Dispunham de um pedaço de terra para o seu roçado e pagavam por isso, com dois ou três dias de serviço ao dono da terra. Trabalhavam como "parceiros".&lt;br /&gt;                                                                                                                                             &lt;br /&gt;As usinas que surgiram no início do século passado, a partir dos poucos engenhos modernizados, como ainda não possuíam grandes extensões de terras, negociavam em condições vantajosas o fornecimento de cana-de-açúcar com os proprietários desses antigos estabelecimentos. Fechar o engenho pouco produtivo, para ser fornecedor das usinas, era considerado "um bom negócio". E de fato, foi o que aconteceu: pouco a pouco foram ficando de "fogo morto". As parcerias começaram a se desfazer e o trabalho assalariado, antes limitado a algumas funções específicas, surge com força total. Com as roças invadidas pela cana, aos moradores só restavam duas alternativas para não morrerem de fome: ou vão embora puxando a cachorrinha, como assim gostavam de dizer seus detratores, ou se vendiam como assalariados mal remunerados. Esse processo, que se intensifica nos anos cinqüenta, envolvendo outras propriedades e não só os velhos bangüês, tem grande impulso nas décadas de sessenta e setenta. Acompanhando essas mudanças, consolidam-se os chamados barracões, comércio de produtos básicos, gerenciado por alguém da família dos engenhos ou de outras fazendas produtoras de cana-de-açúcar.&lt;br /&gt;                                                                                                                                            &lt;br /&gt;Com a crise do petróleo dos anos setenta e o surgimento do proálcool com grandes incentivos governamentais, plantar cana era rentável mesmo em terras pouco produtivas. Nos anos sessenta é introduzido uma variedade de cana para o plantio em tabuleiros, regiões planas e altas, situadas nos limites da mata atlântica, com pouca água mas apropriada à mecanização. Terras antes pouco valorizadas, eram ocupadas por pequenos agricultores que praticavam a agricultura familiar de subsistência. Produziam para o consumo e o que sobrava era vendido em feiras livres ou trocado por outros produtos. No final dos anos sessenta e na década de setenta, com a possibilidade de essas terras serem utilizadas para o cultivo de cana, começam a ser compradas pelas usinas e grandes proprietários a preço de quase nada. Muito ajudou, nesse processo, a propaganda enganosa que o governo fazia das cadernetas de poupança e os financiamentos a juros negativos bancados para beneficiar os grandes proprietários. Os pequenos agricultores, onde muito pouco circulava dinheiro, achavam estar vendendo suas propriedades por uma fortuna. Depois de realizada a transação, geralmente compravam uma casa na cidade; o dinheiro que restava punham na poupança acreditando na multiplicação dos pães. No entanto, a inflação e as necessidades pessoais em poucos anos acabavam com o sonho de uma vida na sombra e água fresca, como queriam crer. Agora, só restando para aquisição dos produtos vitais à sua sobrevivência a força-de-trabalho, iam ao mercado oferecê-la àqueles que lhes usurparam as terras. Viravam assalariados ou eram obrigados a venderem as casas, pôr os bagulhos que restavam nas costas e seguir em frente para uma cidade maior onde já se encontrava um parente ou um conhecido.&lt;br /&gt;                                                                                                                                              &lt;br /&gt;E os nossos moradores das grandes propriedades? Bom, esses escravizados pelo trabalho e pelo barracão tinham dificuldade em se movimentar. Nos pagamentos aos trabalhadores nas usinas e fazendas produtoras de cana-de-açúcar, sempre presente estava o dono do barracão, que de prontidão arrancava uma boa parte ou o salário inteiro do infeliz. Deixá-los devedores e sem salários era uma fórmula eficaz que garantia novas compras no barracão e sua permanência escrava na fazenda de cana. Porém, um elemento novo perturbou a ordem das coisas. Depois de 64 os direitos trabalhistas e previdenciários foram estendidos ao campo. Querendo a simpatia dessa massa desprovida, os militares golpistas até exigiam o cumprimento desses direitos. A justiça do trabalho passou a ser um instrumento de pressão para a aplicação da legislação. Apesar da extrema violência no campo, algumas ações trabalhistas ganhas por antigos moradores assombram usineiros e fazendeiros. Histórias sobre venda de parte das terras para pagar essas ações se disseminam mais rápido do que o pó dos canaviais em chamas. "Tudo menos perder patrimônio tão arduamente acumulado para essa gente! Já invadimos suas roças agora vamos destruir suas casas!", decidem. E assim fizeram. Começaram a expulsar os moradores e derrubar as casas. Braços para lavoura?, foram buscar nas cidades e pequenos povoados. Surge daí os agenciadores de mão-de-obra, que compram e vendem trabalho, os famosos gatos.&lt;br /&gt;                                                                                                                                                  &lt;br /&gt;Esses fatos, a expropriação pelo capital da pequena propriedade e sua concentração nas mãos de poucos, e a expulsão de antigos moradores das grandes propriedades, empurraram mais gente do campo para a cidade no Nordeste do que qualquer fenômeno natural como a seca ou mesmo a atração exercida pelos pólos dinâmicos da economia. Processo agravado com a intensificação do uso de novas tecnologias no campo dispensadoras do trabalho. A contribuição da inflação em alta, ao ser a terra utilizada como ativos pelos detentores do capital, uns na tentativa de preservar a riqueza acumulada, outros para especular e ganhar fortunas, não pode ser desprezada. A fome de álcool dos automóveis ampliou o desastre humano e ecológico, ao aumentar o número de destilarias. A monocultura da cana, que se estende das terras baixas e férteis aos tabuleiros secos e arenosos corrigidos com toneladas de adubo, avança e destrói rapidamente o que restava de mata atlântica. Com suas máquinas modernas e sem a inconveniência do trabalhador fixado à terra, estavam livres para pilhar o planeta. Mas, mais recentemente, o fracasso do proálcool, as oscilações do mercado externo do açúcar e o fim de alguns subsídios aos usineiros que não conseguiam competir com a produtividade das usinas paulistas levaram à falência dezenas de usinas e destilarias nordestinas, num novo capítulo dessa história de concentração de riquezas e movimentação de pessoas. Hoje, nas paisagens áridas da natureza inexoravelmente destruída ecoa o lamento dos perdedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05.03.2003&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115024646807360148?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115024646807360148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115024646807360148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115024646807360148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115024646807360148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/uma-breve-histria-da-expulso-do-homem_13.html' title='UMA BREVE HISTÓRIA DA EXPULSÃO DO HOMEM DO CAMPO PELO CAPITAL'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115016387065587663</id><published>2006-06-12T22:55:00.000-03:00</published><updated>2006-06-12T22:57:50.670-03:00</updated><title type='text'>A louca corrida do morto insepulto Nosferatu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era previsível. Bastou uma pequena mudança no último comunicado do Fed - foi retirada a informação de que a taxa de juro deve permanecer estável por um período considerável - para deixar os mercados dos chamados países emergentes em pânico. A bolsa caiu no mundo todo. No Brasil, quinta-feira dia 29, caiu mais de 6%, o risco Brasil subiu 9% e o dólar fechou em alta. Parece que Nosferatu prepara-se para alçar vôo. A piscadela da maior economia do mundo já o deixou assanhado, apesar do esforço dos enganadores de plantão de que tudo está muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante como esse imenso volume de capital financeiro, que não consegue mais se reproduzir com trabalho vivo, circula no mundo sem rumo. Ontem nos países centrais, hoje nos emergentes, depois em qualquer outro lugar que lhe possa oferecer alguma vantagem mesmo que ilusória. Formam-se e explodem bolhas financeiras como se fosse balão de festa. Parece que o tempo das bolhas  encurta-se  perigosamente. Mal saímos de uma nos países desenvolvidos, formou-se outra nos emergentes com o que restou desse capital, e já se anuncia o fim da farra. Cada estouro, deixa um rastro de destruição e miséria que só tende aumentar. O ímpeto destrutivo do capital nunca se mostrou tão exacerbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa louca corrida do morto Nosferatu em busca de sangue fresco para se reconstituir, quem primeiro paga a conta são os mais fracos: no mundo, os países emergentes são sempre a bola da vez. A fixação obsessiva dos governantes em criar emprego para alimentar o monstro revela seus resultados no expressivo número de carrocinhas de tração humana, circulando nas cidades, em busca de lixo cujo preço do quilo nas usinas de reciclagem despencou em 50%; é a concorrência saudável, dirão os guardiões do mercado. Mas isso não satisfaz o apetite refinado de Nosferatu. Assim, prefere continuar errante.  Estourando aqui, crescendo acolá com milhões de operações fictícias entre elas os juros das dívidas dos Estados que crescem exponencialmente, gerando no seu imaginário doentio, riqueza sem substância. Um dia, a explosão final desse corpo inflado, há de exalar pelos corredores do poder o cheiro putrefato das suas indigestões.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01.02.2004     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115016387065587663?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115016387065587663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115016387065587663' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115016387065587663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115016387065587663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/louca-corrida-do-morto-insepulto.html' title='A louca corrida do morto insepulto Nosferatu'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-115016300926691022</id><published>2006-06-12T22:39:00.005-03:00</published><updated>2011-03-29T23:30:13.579-03:00</updated><title type='text'>Breves reflexões sobre teoria e práxis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dificuldades teóricas estão por toda parte.Uma delas é sobre a relação dolorida entre teoria e práxis. Entendo que na sociedade em que vivemos é muito difícil a “articulação” desses campos. Sempre vamos ter os teóricos puros e aqueles que, em sua prática social, irão aceitar ou descartar essa ou aquela teoria. Acho, porém, que o teórico puro, apesar do distanciamento necessário, devem estar munidos dos melhores instrumentos capazes ampliar a visão que se tem da realidade, podendo detectar o ainda invisível para os movimentos sociais, muitas vezes movidos só pelo senso comum. É muito difícil para quem estar diretamente envolvido nos movimentos, mesmo detendo alguma clareza teórica, destrinchar suas possibilidades: quando “massa” perdemos a nossa individualidade. É como se constituíssemos um superego coletivo que não sendo a somas dos eus presentes, arrasta o movimento social em determinadas direções. Não estou falando de uma simples assembléia ou coisa semelhantes, mas em movimentos que são capazes de mudar a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é o sentido dessa mudança, e aí entra os teóricos. A história coloca para os movimentos sociais, acredito, um leque de opções diferente em cada momento. Podem ser empurrados para caminhos diversos, inclusive contrário as suas palavras de ordem e objetivos iniciais. Estes possíveis caminhos produzem o debate teórico. Já se dizia que não existe revolução sem teoria revolucionária. Em outras palavras, o movimento social deve ser municiado de alguma forma por teorias que não se geram espontaneamente em seu seio, mas são por ele alimentadas. Se acatarmos a relevância do teórico puro, temos que concordar com essa premissa. Isso pode nos causar um certo arrepio, porém, é bom lembrar, que elaborações teóricas que se prezem como teoria crítica é fruto do desbravamento do seu objeto de estudo e da ação deste sobre seu observador. O teórico puro, portanto, apesar do distanciamento necessário ao focar suas lentes de aumento no movimento social e de estar atento ao significado das teorias que deseja criticar ao observar fatos novos, não é um observador isento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mediando a relação entre a teoria na sua forma mais acabada e o movimento social, estão os militantes que ao se apropriarem dessa teoria vão estar numa relação tensa com as pulsões do movimento. Em certos momentos a teoria facilita sua ação, em outros é descartada pela dinâmica do movimento como um casaco puído que já não esquenta mais. É nesse processo contraditório, não linear e rico, mas lento para nossa existência, que o movimento social, em um certo ponto, toma consciência, concentra todas as suas possibilidades e faz a história acontecer. O movimento social, suas lideranças bem como os indivíduos que nele envolvidos buscam nas ações a “veracidade” dos conceitos teóricos, estão sempre colocando novas questões nem sempre respondidas pelas teorias: a realidade estará a exigir sua negação. A teoria quando congelada é ideologia,&amp;nbsp;representação grotesca do real. Assim era marxismo oficial dos países antes chamados socialistas e os dogmas que orientam a ação de alguns grupos atuais. O movimento social, cuja pureza é uma abstração ingênua, não está imune a tais riscos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;28.01.2004&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-115016300926691022?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/115016300926691022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=115016300926691022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115016300926691022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/115016300926691022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/breves-reflexes-sobre-teoria-e-prxis.html' title='Breves reflexões sobre teoria e práxis'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114998025974409201</id><published>2006-06-10T19:52:00.000-03:00</published><updated>2006-06-10T19:57:39.746-03:00</updated><title type='text'>O VENERADO DEUS-TRABALHO</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de São Paulo de 18 de janeiro passado traz uma matéria interessante sobre a modernização tecnológica da economia Brasileira entre 1990 e 2001. Foram eliminados 10,76 milhões de emprego segundo pesquisa realizada pela UFRJ. O coordenador do estudo, David Kupfer diz que o "desafio do país é continuar com o seu processo de modernização, necessário para competir aqui e lá fora, e criar vagas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra matéria, em edição anterior, mostra a decepção dos analistas econômico pela pífia criação de novos empregos, 1.500 vagas, nos EEUU nos mês de dezembro, apesar da taxa de crescimento anualizado no último trimestre de 2003 está acima de 8%. Esperava-se a criação de 150 a 200 mil novas vagas com o crescimento econômico. E o pior: apesar do crescimento, a indústria nesse mês fechou 60 mil vagas. Voltou-se a falar na imprensa americana em crescimento econômico sem criação de empregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da distância, as duas matérias se completam. A matéria sobre a economia americana mostra que a cada crise, acirra-se a concorrência e investe-se pesado em tecnologias dispensadoras de trabalho. Num primeiro momento, o impacto é tamanho na produtividade que surpreende políticos e especialistas no que diz respeito à criação de novos empregos. As outras economias, obedecendo à força cega da concorrência, mais tarde ou mais cedo reagem de forma semelhante se não quiser sucumbir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual é o resultado dessas mudanças, na maior economia do mundo, junto aos países emergentes, inclusive o Brasil? Provavelmente uma onda de produtos mais barato vai inundar o planeta e, muitas das indústrias, pelo atraso tecnológico, não suportarão a concorrência e vergarão. São as importações que eliminam empregos. Outras, mais bem posicionadas no mercado, investirão pesado em tecnologia fechando postos de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando a demagogia nacionalista, os dados da Folha mostram que a grande destruidora de vagas para o trabalho vivo são as mudanças tecnológicas e não a abertura às importações: 10.763.212 empregos eliminados pela primeira contra 1.548.532 empregos pela segunda. Em países como o nosso, por ter "fechado" sua economia durante algum tempo, o impacto da modernização tem sido bem mais dramático. Os 20% de desempregados na Grande São Paulo mostra isso com muita clareza. A indústria automobilística é quem mais evidenciou este fenômeno, quando sobre a pressão do mercado, foi obrigada a deixar de lado as carroças para fabricar carros mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande paradoxo do capitalismo em sua fase atual é que esse enorme e crescente potencial produtivo tanto gera riqueza em proporções jamais visto, quanto uma onda gigantesca de um mar de miséria de destituídos que se esparrama por todo planeta. Apesar da exclusão ser intrínseca a lógica da sociedade produtora de mercadoria, inclusive nas instituições que dizem lutar pela eqüidade, criou-se na esquerda a ilusão redistributiva. É comum ouvir da boca dos mais esquerdistas o discurso da "democratização do capital" (o que é isso?), redistribuição de renda e outras lorotas impossíveis nos dias atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à fala do Sr. David Kupfer citada acima, gostaria de fazer uma breve observação: quando ele coloca como desafio das políticas de governo a geração de emprego, expressa a posição comum dos políticos: quanto mais se agrava a crise do trabalho mais aumentam aos milhões suas cotas ilusórias de novos empregos para depois das eleições. Nesse nosso abençoado Brasil todas as velas têm sido acesas ao venerado Deus-trabalho, esperando-se que se opere um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21.01.2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114998025974409201?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114998025974409201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114998025974409201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114998025974409201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114998025974409201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/o-venerado-deus-trabalho_10.html' title='O VENERADO DEUS-TRABALHO'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114990131127424711</id><published>2006-06-09T21:58:00.000-03:00</published><updated>2006-06-09T22:01:51.280-03:00</updated><title type='text'>Ainda sobre o Nosferatu</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que soou o alarme: o vice-presidente do Citigroup, William Rhodes, diz que a euforia atual dos investidores com os “emergentes” lembra os meses que antecederam a crise asiática, que começou em 1997 e se alastrou para países como a Rússia e o Brasil. “Há um risco hoje de que os mercados talvez estejam indo longe de mais em relação aos fundamentos econômicos (dos emergentes, claro)”, diz Rhodes (Folha de São Paulo, 16 de janeiro de 2004).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apelo para que o Nosferatu volte ao ninho, veio mais sedo apesar do otimismo dos analistas de plantão. Não houve se quer a necessidade de um aumento dos juros ou uma pequena melhoria no rendimento dos papéis do governo americano. A campanha para o retorno de seu corpo virtual, desmembrado mais crescido, já começou e com peso. É como se dissessem: “volte agora enquanto a exuberância de seu ser não foi ainda vazada pela estaca do real. Deixe que eles, os filhos dos ‘emergentes’, paguem a conta de sua destruição. Mais tarde podem querer dividir conosco o prejuízo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acho que a irracionalidade de seus desejos, mesmo correndo risco, ainda espera que se complete a tremenda transferência de capital da chamada poupança nacional para os fundos de ações (sair agora quando o capital nativo começa a chegar?). Aí se fecha o ciclo e um Nosferatu balofo, bate as asas e segue  impávido com algumas escoriações para o estouro final. Quanto tempo? Anos? Talvez. Ou  meses?... E aqueles que contavam com o capital fictício para dá um empurrãozinho no “espetáculo de crescimento” podem se decepcionar, apesar da inexistência de outras opções no mundo da pós-modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18.01.2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114990131127424711?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114990131127424711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114990131127424711' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114990131127424711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114990131127424711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/ainda-sobre-o-nosferatu.html' title='Ainda sobre o Nosferatu'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114929384259873533</id><published>2006-06-02T21:01:00.000-03:00</published><updated>2006-06-02T21:17:22.606-03:00</updated><title type='text'>Nosferatu dos novos tempos</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É meus amigos, parece que estão acreditando no milagre da multiplicação dos pães! Num mundo em crise o capital financeiro faz milagres. Agora é a nossa vez, os periféricos, as bolsas em alta fazem a alegria dos investidores. Vejam só, o Brasil que há anos não consegue acumular  nem pra pagar a cachaça da turma, a economia cresceu 0,10% em 2003 segundo os analistas, puxa a euforia das bolsas do mundo com alta de 97,3%! Donde vem tanta riqueza? Do nada. Pura ficção de um capital enlouquecido que não consegue mais acumular: dinheiro gerando dinheiro sem substância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de 2003 foi à vez dos grandes investidores estrangeiros marcarem presença nas bolsas dos paises em “desenvolvimento”. Juros baixos nos países de origem, papéis americanos e de outras grandes economias com baixa rentabilidade. Vamos para o terceiro mundo! O sinal foi à queda do risco-país. No Brasil, de 2.436 pontos em 27 de setembro de 2002 foi para 428 no dia 05 de janeiro de 2003. Que maravilha! Tornamo-nos confiáveis como diz a grande imprensa, porém é bom acrescentar: graças às manobras especulativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo riso do poder esse é o nosso ano. Produção? Emprego? Não tem importância, ponha as suas economias na sacola e joguem na bolsa. Vai crescer e frutificar. Só tem um risco: o bicho pode comer por dentro o miolo, deixando a casca para enganar e um caroço sem valor duro de roer. Depois sai voando por aí atrás de novas seivas. É insaciável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Nosferatu dos novos tempos já não se alimenta do trabalho vivo, que vem escasseando desde as últimas décadas do século passado. No seu delírio famélico prefere o sangue virgem da sua imaginação insânia, ou seja, o nada. Um dia, seu corpo putrefato, sob o efeito da estaca do real, expele gases maus cheirosos e murcha. Seus adoradores se desesperam frente ao que restou de um ser tão perfeito que parecia garantir a felicidade eterna. Imperceptível, sua alma doentia desloca-se numa velocidade estonteante. Mirando novos horizontes em busca de recompor seu corpo destruído, deixa para trás as ruínas de sua passagem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07.01.2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114929384259873533?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114929384259873533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114929384259873533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114929384259873533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114929384259873533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/nosferatu-dos-novos-tempos.html' title='Nosferatu dos novos tempos'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114921157698711412</id><published>2006-06-01T22:21:00.000-03:00</published><updated>2006-06-01T22:26:16.996-03:00</updated><title type='text'>De um infeliz ano velho</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Termina mais um ano. Como diz os analistas, foi o ano do governo arrumar a casa. E como diz o governo, com as reformas e as medidas econômicas, criamos as bases para  o crescimento espetacular. De fato terminamos o ano com o desmanche do sistema previdenciário, com o desmonte das Universidades Públicas, ou o que ainda restava de público no ensino e com os Hospitais Públicos decidindo quem tem o direito de viver ou morrer. Mas todas essas medidas, que resultaram no encolhimento do estado, meus caros amigos, nada tem a ver com o que vocês costumam chamar de neoliberalismo. São medidas necessárias para acabar com o déficit público, pagar nossas dívidas interna e externa e liberar recursos para o mercado. Ah! É nele que está a nossa grande esperança! Será ele o grande responsável pelo espetáculo de crescimento, tão ansiosamente esperado...Vejam, estamos no fim do ano e a indústria já dá sinais de seu vigor, com o aumento das exportações criou 1.500 vagas, sim senhor, mil e quinhentas vagas para mais de dois milhões de desempregados nesta abençoada e Grande São Paulo. É a primeira cena do espetáculo, outras virão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconhecemos que nossas exportações já bateram no topo nos mercados tradicionais. Não se incomode com isso, tem os emergentes, a China, a Índia, a grande Líbia do Coronel Kaddafi e a acolhedora Cuba do Comandante-em-Chefe Fidel Castro. Talvez para esses dois possamos aumentar as nossas exportações de sisal, ótimo para confecção de corda para enforcados. Com o aumento dos dissidentes abre-se um grande mercado para esse nobre produto em vários países amigos e já vai com cheiro de carne humana dos pedaços decepados dos membros superiores dos trabalhadores. Sai mais barato do que o uso de balas, com certeza. Na ponta de uma corda bem trançada pode passar vários pescoços. Só a China arranjou uma forma inteligente de resolver os custo das balas: manda a fatura para os familiares do morto. Mesmo assim, a forte e boa corda de sisal poderia ser mais barato se dividido os custos entre várias famílias. Quem sabe se os EEUU não vão querer algumas toneladas para o Iraque e Afeganistão? Tem muita gente por lá dando trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gritam pela grande imprensa os analistas de plantão que o mercado interno puxa o nosso crescimento o ano que vem. Os juros estão caindo, a indústria pronta para investir, crédito barato, as reformas concluídas e o consumidor doido pra consumir. “Mas, espera! Os rendimentos dos trabalhadores não vêm caindo dramaticamente?” É, é o que diz o IBGE: a participação da renda dos trabalhadores no PIB vem caindo ao longo dos anos, despencou mais de 15% de maio de 2002 ao mesmo mês em 2003 e continua caindo, ainda por cima tem o persistente e teimoso desemprego... “A indústria em crescimento não absorve essa mão de obra?” Não tanto quanto querem, na verdade muito pouco apesar do alarido da imprensa. No pega pra capar da concorrência num mercado globalizado, nossos preços vão ser comparados com os de fora. Se nossa indústria for competitiva vai garantir os seus produtos no mercado, para isso deve aumentar a produtividade, com mais máquinas e menos trabalhadores, trabalhando muito e recebendo pouco. Já se fala até em crescimento sem emprego, pra quem vender não sabemos. “Mas e os milhões de empregos prometidos pelo Presidente no espetáculo de crescimento?” Bom, para os chamados excluídos se não tem emprego, tem a fome zero. “E se não tiver comida para todos?” Ah, meu caro! Tem a polícia, essa eficiente instituição! Vem se modernizado, ganhando força, veja as prisões como estão cheias! Já mata mais do que a polícia da ditadura, com uma vantagem: ninguém reclama, nem anistia, nem direitos humanos, nem igrejas, nada, tudo calado. Nessa história, de vez em quando vai um cidadão, mas é contabilizado como bandido e todos ficam satisfeitos.        &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;MESMO ASSIM DESEJO A TODOS UM FELIZ ANO NOVO!...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;21.12.2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114921157698711412?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114921157698711412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114921157698711412' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114921157698711412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114921157698711412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/06/de-um-infeliz-ano-velho.html' title='De um infeliz ano velho'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114886869768317387</id><published>2006-05-28T23:08:00.000-03:00</published><updated>2006-05-28T23:11:37.690-03:00</updated><title type='text'>Instituições do medo</title><content type='html'>Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A televisão brasileira, como tudo em nossa sociedade, está cada vez mais igual. Na busca de audiência, pois só com grandes audiências podem ter seu quinhão garantido pelo mercado, o vale tudo passou ser a regra. Descobriu-se que fazer apreciação da violência, aterrorizar as pessoas divulgando a barbárie como sendo algo exterior à sociedade em que vivemos e apresentar as instituições policiais, pena de morte e outras formas extremas de repressão como solução, imobiliza os indivíduos na frente das telas num show sem limites. Aumentar o medo nas pessoas para facilitar o domínio é método empregado com sucesso no transcurso da história. O mede da crise global, que parece eterna e sem saída, precisa ser exorcizada a todo instante com elementos do cotidiano que mexam fundo no imaginário e transforme a imagem-mentira em última verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população por séculos, disciplinada a ferro, encontra-se aprisionada agora a “verdade” dos meios de comunicação que é a mentira-verdade produzida pelo poder. O Estado, como parte do poder e beneficiário deste espetáculo, em momento nenhum usará suas prerrogativas para mudar o caminho que vem trilhando esses meios, é só observar como a polícia colabora ativamente na produção de certos programas. Fazer diferente seria negar sua lógica e abrir mão de promover os órgãos que concentram as forças das armas e reprimem em defesa do estabelecido. São eles a razão do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise que se arrasta dissolve os limites éticos aceitáveis, mesmo para uma sociedade como a nossa, onde qualquer recurso é válido desde que garanta o deles. A mentira da mídia não é diferente da mentira daqueles que venderam farinha de trigo em cápsula como remédio para câncer, denunciados em show televisivo. São parte de um mesmo mundo com regras iguais: acumular a qualquer preço enquanto for possível, melhor ainda se na concorrência destruir o outro. E isso a imprensa faz com muita técnica. Sua capacidade de manipulação, seu poder de fogo nas sociedades democráticas faz dela cortejada dama pelos outros poderes. Hoje, mais velha e mais cruel, na defesa dos interesses vigentes invade as casas sem pedir licença, brigando, xingando, destruindo, prendendo, matando... paralisando pelo terror.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114886869768317387?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114886869768317387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114886869768317387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114886869768317387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114886869768317387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/05/instituies-do-medo.html' title='Instituições do medo'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114871941738477913</id><published>2006-05-27T05:40:00.000-03:00</published><updated>2006-05-27T05:43:37.396-03:00</updated><title type='text'>A Miragem do crescimento econômico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os analistas econômicos têm saudado nas últimas semanas o “vigor” da recuperação americana. Todos indicadores analisados por essas figuras são positivos, sendo exceção à criação de novos postos de trabalho. Como a economia americana é a grande locomotiva, presume-se que os vagões europeus e asiáticos começam a decolar, puxando o resto da economia mundial. Por outro lado, esses mesmos analistas, dizem que a Europa anda resmungando pelos cantos, contra a política americana de desvalorização do dólar para aumentar as exportações e reduzir a ociosidade da sua indústria. Dizem que a inversão de papéis dos EUA, de grande sorvedouro de mercadorias e capitais de todo mundo para país exportador, levará, fatalmente, a retração econômica da Europa e da Ásia, com conseqüências imprevisíveis para os demais Continentes. Para complicar ainda mais, fala-se que o imenso déficit externo dos EUA, só pode ser coberto com os fluxos de capitais advindo dos superávits das exportações européias e asiáticas, que de quebra ajuda a inflar a bolha de ações, imóveis e títulos, alimentando o efeito riqueza e o mercado interno americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse imbróglio podemos tirar algumas conclusões. Se a indústria americana de bens de consumo encontra-se ociosa e carente de novos investimentos apesar dos enormes subsídios governamentais, o aumento das exportações e o crescimento da industria armamentista em torno de 45% com a guerra do Iraque, aparentemente são os responsáveis pelo crescimento da economia americana nos últimos trimestres. Talvez, nesse momento, o consumo interno não tenha o papel que lhes querem atribuir alguns desses analistas, e um indicador importante para isso é que as taxas de emprego continuam de ladeira abaixo. Uma outra questão: o consumo americano, sustentado pelo capital fictício depende, em grande parte, dos fluxos de capitais europeus e principalmente asiáticos, utilizados nas compras de notas do tesouro e outros ativos. Ora, uma redução dos superávits dessas regiões em função do aumento das exportações e redução das importações pelo EUA, inibe os fluxos desses capitais e, conseqüentemente, os gastos dos consumidores, repercutindo negativamente na situação interna americana e na cobertura déficit comercial. Quando se mexe de um lado o desequilíbrio esparrama-se para os outros, rápido e perigosamente. Limitando uma fonte importante de combustível do consumo interno e de equilíbrio nas contas, a locomotiva americana pode parar bruscamente. Os vagões europeus e asiáticos, emperrados há um bom tempo, sentirão o tranco e correm o risco de sair dos trilhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na busca de um crescimento a qualquer preço e com a proximidade das eleições, o governo dos Estados Unidos tem pressionado fortemente Pequim e outros países, para que tomem medidas que possam valorizar suas moedas, reduzindo com isso, as exportações para o mercado americano. O obstáculo está no fato de que a quase totalidades das empresas exportadoras instaladas na China são americanas e japonesas que “terceirizaram” parte de sua produção pelo mundo afora como política de redução de custos, forçadas pela predadora concorrência global. Medidas como essas poderiam afetar os capitais que daí estão fluindo para ativos americanos, agravando mais ainda a situação interna e a administração do déficit comercial.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se em profundo endividamento das famílias e das empresas estadunidense. A circunstância em que se encontra o governo que para cobrir o déficit fiscal do setor público de mais 4%, resultante dos cortes de impostos beneficiando os ricos, da freada na economia e dos gastos para movimentar a colossal máquina de guerra, deve elevar o endividamento aos céus. Li recentemente um resumo do estudo de um economista norte-americano, que mostra que os preços das ações estão bem acima dos lucros e que relação histórica preço/lucro era de 14 para 1 para as 500 maiores empresas americanas. Em 2003 a média dessa relação atingiu 33 para 1, chegando a mais de 180 para 1 em algumas empresas mais audaciosas. Ou seja, a bolha financeira continua se expandindo tanto quanto o Universo, inflada pela crise do valor. O que até agora vazou do seu conteúdo etéreo com a queda das ações, foi uma simples brisa do capital fictício. Haverá choros e ranger de dentes quando em sua contração, os ventos ao escaparem da bolha atingirem a velocidade dos tufões, desmanchando tudo que na terra ou no mar encontrava-se aparentemente sólido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07.09.2003&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114871941738477913?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114871941738477913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114871941738477913' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114871941738477913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114871941738477913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/05/miragem-do-crescimento-econmico.html' title='A Miragem do crescimento econômico'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114860337438720291</id><published>2006-05-25T21:20:00.000-03:00</published><updated>2006-05-25T21:29:34.396-03:00</updated><title type='text'>Fome Zero: o reconhecimento da impossibilidade de se criar empregos como o apregoado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Interessante discussão essa de como devem ser distribuídos os sobejos da sociedade produtora de mercadorias com os excluídos. Uns defendem a prestação de contas com notas fiscais escritas talvez em folhas de bananeiras ou em papel de embrulho, o único disponível para limpar a bunda brasileira nesses fins de mundo. Não sendo assim a esmola vira cachaça, alegria dos pobres. Outros que a esmola deve ser dada à mãe, essa sim, cuida dos filhos! A pobreza da polêmica, alimentada pela imprensa, é maior que a miséria dessa gente. Mas serve para esconder uma outra realidade: a impossibilidade de se criar novos  empregos, principal promessa de campanha do atual governo. E quem acha que o setor de serviços dá conta do recado, que vai absorver os esconjurados pela indústria e suas novas tecnologias, veja o que traz a Folha de São Paulo em matéria sobre emprego em São Paulo publicada em  29.01.2003 na secção economia: “Serviços em baixa-Pela primeira vez desde 1985, quando foi iniciada a série histórica da evolução da taxa de desemprego do Dieese/Seade, o setor de serviços registra fechamento de postos de trabalho. Em 2002, foram eliminadas cerca de 8.000 vagas, o que rompe o ritmo de crescimento no setor, que no biênio 2000/2001 contratou 194 mil.”      &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Evita-se discutir essa realidade porque discuti-la é por em xeque a sociedade do trabalho. Mas já se ouve pela imprensa algumas vozes suplicantes, defendendo uma nova política industrial de incentivos á industria que utiliza mão-de-obra intensiva, ou seja, aquelas indústrias ditas nacionais que estão pedindo água por não serem mais competitivas no mercado globalizado. Afinado com essa postura está a nova direção do BNDS, que sonha transformar o banco em hospital das massas falidas. O melhor é transformá-lo numa grande UTI, pois vamos ter muitos pacientes em estado terminal. Mas como salvar estes pacientes? Ligando tubos de sucção à sociedade e transferindo recursos para o nosso moribundo paciente. Voltamos à política dos anos 70 que transformou o Estado num grande protetorado de apaniguados que enchiam os bolsos e deixavam para trás todo tipo de geringonça imprestável. Só que na luta feroz dos capitais, o que hoje é hegemônico não vai ceder fácil e, pela imprensa, mostram o seu poder de fogo. Seus “especialistas” começam a espalhar que emprestar dinheiro para indústria de ponta tudo bem, é empregar corretamente o dinheiro público e do trabalhador com retorno garantido. Agora, arrancar dinheiro da sociedade com mais impostos para queimar com grupos falidos, não senhor! E a tensão resultante de interesses díspares se acentua...      &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais recentemente, dia 12.02.2003, a Folha Cotidiano publicou resultado de uma pesquisa feita pelo Centro de Estudos da Metrópole e Prefeitura de São Paulo sobre a favelização no Município de São Paulo. A matéria diz que a Cidade ganha uma favela a cada oito dias e que 74 pessoas por dia são empurradas ao barraco prometido. Enquanto a população da Cidade cresceu 8% na última década a das favelas aumentou em 30% no mesmo período. E aí Ministro Grazino, os pau-de-araras modernos que vão ampliar o número de favelas e reagir com violência a violência a que foram submetidos já não saem do Nordeste, são paulistanos mesmos descartados pela sociedade como objetos sem valor para o mercado. Esse movimento dos postos de trabalho que se fecham em direção às favelas que se multiplicam só tende aumentar e deve ser semelhante nos demais centros urbanos. As declarações preconceituosas e racistas contra os nordestinos, mostram que esse Ministro não entende que a grande movimentação de contingentes humanos nas décadas passadas do campo para cidade e do nordeste para o sudeste era resultado de duas situações: da fome de trabalho da indústria  no pólo mais dinâmico do País e da expulsão do excedente humano do campo para cidade com a chegada da monocultura e do capital agro-industrial. A luta dos trabalhadores e a conseqüente extensão dos direitos sociais ao campo, aceleraram o processo de modernização da produção agrária. No Nordeste, ingrediente seca, com sua industria de latifúndios,  entra como um elemento a mais porém não determinante dessa tragédia. Se o objetivo dessa política de distribuir esmola é segurar o homem no campo está fada ao fracasso, pois não tem mais o que segurar. Mas o que de fato interessa ao espetáculo é ganhar tempo nos distraindo com nossa própria miséria.                      &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;RALL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05.03.2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114860337438720291?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114860337438720291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114860337438720291' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114860337438720291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114860337438720291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/05/fome-zero-o-reconhecimento-da.html' title='Fome Zero: o reconhecimento da impossibilidade de se criar empregos como o apregoado'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114852165868693546</id><published>2006-05-24T22:37:00.000-03:00</published><updated>2006-05-24T22:47:38.713-03:00</updated><title type='text'>A esquerda moderna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;                    &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“O mundo ideal é uma mentira inventada para&lt;br /&gt; despojar a realidade do seu valor, da sua&lt;br /&gt; significação, da sua veracidade.”&lt;br /&gt;Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            É burlesco ver como o PT defende as reformas ditas neoliberais. Não que elas não sejam necessárias para dar uma folga à sociedade do trabalho e a seus desesperados defensores. Até pode haver um certo crescimento econômico, mas criar novos postos de trabalho... ta longe. O mais estranho é que seus chefes alem de o tempo todo fazer mea-culpa por suas posições passadas dizem que quem mudou foi o Brasil. É claro, desde a primeira greve do ABC nos anos setenta ao momento atual, onde se pede paciência à população em desespero, muita coisa mudou. Mas fogem a percepção as raízes dessas mudanças. Daí o fascínio em ‘aprofundar’ o que está aí como saída para crise, pois a análise que se faz não permite talvez outras opções sem maiores riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E o Estado, a vaca sagrada da esquerda cada vez cada vez mais perdida? De suas tetas já não jorra tanto leite, mas aumenta em proporção geométrica os que imploram pela sua bondade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As empresas rejeitam pagar a conta, clamam contra os impostos que dizem pesados e por isso sonegam e são perdoadas. Bradam como solução uma reforma fiscal que as desonerem. Exigem ainda mudanças na CLT que precarize o emprego e, se possível, não garanta nenhum direito aos que teimam trabalhar. Para os abandonados pela disciplina do trabalho que rejeitam morrer de fome, os presídios estão abertos para lembrá-los dos seus deveres e educá-los na delinqüência. Quando soltos serão caçados, presos ou abatidos como animais ferozes, testando assim o poder disciplinar das instituições modernas. Da previdência nem se fala: lugares para bons velhinhos são os asilos. Talvez lá sobrevivam às torturas com os restos das aposentadorias, se não forem antes chamados pela Divina Providência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os analistas de plantões já falam na necessidade de um crescimento de no mínimo 4% para as economias gerarem novos postos de trabalho. Logo os cálculos serão refeitos para 6, 10... %, ou um crescimento econômico sem sinal de empregos. Aterrorizados com a economia paralisada e o emprego em queda livre, nas rodas secretas já se fala em redução da jornada de trabalho para, num passe de mágica, ajudar a criar os dez milhões de empregos prometidos. Mas, antes disso, veremos a rede de proteção social desmantelada pelos seus defensores, pois, como dizem os senhores do poder: o déficit da seguridade social é o grande entrave para um novo ciclo de acumulação.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;            O que eles e seus aliados não entendem é que um dos grandes paradoxos dos tempos atuais, o enorme potencial produtivo da revolução micro-eletrônica, vem gerando, ao contrário do apregoado, um mar de miséria que transborda no equador e invade revolto com suas águas turvas a beleza americana e a antes estável Europa, que não se resolve dentro da modernidade, com medidas "reformistas" e muito menos com o discurso antiimperialista, mofado pelo tempo e de cunho autoritário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir além da modernidade, romper com os grilhões que nos prendem e nos escraviza ao mundo fetichizado das relações mercantis e com as formas hierarquizadas e burocráticas das organizações privadas e estatais que vampirizam as energias criativas dos indivíduos e depois os descartam como um bagaço imprestável, exige mais do que o espetáculo do poder que pelo encantamento busca nos paralisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vazio do valor atinge em cheio as cabeças da esquerda que não sabe pensar em horizontes que transcendam os limites da sociedade do trabalho. No poder não podiam ser diferentes. Então, por que tantos surpresos senhores? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;12.06.2003&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114852165868693546?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114852165868693546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114852165868693546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114852165868693546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114852165868693546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/05/esquerda-moderna.html' title='A esquerda moderna'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28470385.post-114825122288312920</id><published>2006-05-21T19:13:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T14:47:05.404-03:00</updated><title type='text'>O DRAMA DO PT ENQUANTO GOVERNO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rall&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diga-me com que andas que te digo quem tu és. Esse velho provérbio é esclarecedor para o que vem acontecendo no quadro político atual. Realmente, o PT dificilmente chegaria ao poder sem as alianças atuais, não vamos ter ilusões. Mas essas mesmas alianças explicitam uma situação inusitada: o PT que antes aparentava ser o partido da contra-ordem burguesa, mostra que é de fato o único partido em condições de completar, sem sobre saltos, a modernização da sociedade brasileira. A questão é a seguinte: será que já não chegou atrasado para essa "tarefa histórica", como assim gostam de empolar a voz os políticos tolos. É interessante como foi composto esse governo. Os homens do Zé, digo os homens que pensam como o Zé, cuidam das partes do Estado que dependendo da mãozinha faz economia girar e gerar riqueza. Os homens do Lula, os comprometidos com o social, com as sobras vão cuidar dos miseráveis. Isso tem causado um entusiasmo sem precedente na imprensa brasileira e internacional que reflete o pensamento de setores esclarecidos das classes dominantes. O Lula do trabalho social talvez seja a salvação dos Zés do capital, pensam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas qual é de fato a principal proposta do Lula? Criar milhões de empregos, não deixar ninguém passar fome nesse abençoado país. Nada mais nobre. O problema é que as máquinas dos Zés, que antes se banqueteava com farto trabalho humano estão enfastiadas, vomitam cada vez mais mercadorias sugando pouco trabalho. Aliás, vinte por cento de desempregados da Grande São Paulo, muito tem a vê com as novas tecnologias incorporadas à produção e pouco com as reclamações da burocracia sindical. Uma economia fechada, que se dava ao luxo de fabricar carroças como automóveis, assim disse um famigerado Presidente, que tinha no Estado a grande alavanca da acumulação, submetida a concorrência internacional não podia ser outro o resultado. Aí começa a bater uma saudade doida dos anos setenta. Tudo bem, tinha cacete, prisão e chumbo grosso para os desavisados mas sobravam empregos. Os elogios já chegaram até Geisel , logo, logo é Médici o próximo a ser reconhecido. Uma questão que deveria ser discutida nesse espaço é o tradicional nacionalismo da esquerda brasileira e o esquerdismo dos militares nacionalista nos tempos atuais; as aparentes diferenças estão sumindo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando ao trabalho: se as indústrias já não precisam mais dos Lulas tem o campo com muita terra, vamos fazer a reforma agrária, dizem. Realmente, a movimentação do campo para a cidade dos meados dos anos cinqüenta até o final dos anos oitenta foi de uma violência sem precedente. Nesse período deslocou-se mais gente dos rincões do que na Europa em cento e cinqüenta anos. O capitalismo, principalmente nos anos setenta, invadiu o campo com suas monoculturas, apossou-se das melhores terras e liquidou com a agricultura de subsistência do pequeno agricultor, das parcerias, meeiros e outras formas de produção familiar. Agora, retornar ao campo depois dos paus-de-arara, das quedas dos andaimes e de ter inalado a poluição das grandes cidades, só se for na ponta da baioneta. A reforma agrária, por mais radical que seja, vai absorver alguns contingentes ligados ao campo e nada mais. E se a forma de produção for do tipo familiar, cuja tecnologia é o número de braços, está condenada ao fracasso. Já não se faz tantos filhos como antigamente! O mar de miséria que se perde de vista nos grandes centros urbanos vai continuar crescendo, ilhando os privilegiados. Navegando nele, a violência banal e todo tipo de máfia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobra como solução os programas sociais, a distribuição de migalhas para que os Zés de baixo não passem fome. É, mais para isso precisamos de crescimento econômico e reforma do Estado senão não sobra dinheiro para financiar a Fome Zero, dizem os Zés de cima. Mãos a obra. Vamos começar pela Previdência Social, reduzindo o valor das aposentadorias e pela reforma tributária, trabalhista etc., nenhuma empresa pode crescer com custos tão elevados. Aplausos gerais. Com o capitalismo capengando, o primeiro arrocho é nas finanças do Estado, que por sua vez busca a sua salvação desmantelando as redes de proteção social. É isso que temos assistido em todo mundo designado como neoliberalismo, nova palavra para velhos fenômenos. Mas então podemos taxar o capital financeiro! Onde ele estar? Essa é a questão. O Brasil continua para fechar suas contas necessitando dos bilhões de dólares que entram aqui para especular. Qualquer discussão no governo que aponte neste sentido, fica sem o capital de dentro e o de fora ne chega aqui. Ou seja, quebra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda tem um jeitinho: a casa da moeda. Se não temos dólares vamos imprimir reais, muitos reais! Pera lá, vocês tem memória curta? Querem cutucar o dragão da inflação para ele sair por aí cuspindo fogo, queimando o pouco que resta no bolso do povo e me obrigando a transferir meus cobres para Suíça? Indaga o bom burguês. Na verdade a crise é grave. Vem se arrastando desde os meados dos anos setenta e nem se quer pegamos carona na bolha dos anos noventa criada pela expansão do capital fictício no mundo e, principalmente, nos EEUU. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece ser cada vez mais difícil a solução da crise pela política convencional e intervenção do Estado. A doença que acomete os irmãos siameses capital/trabalho já não é uma pneumonia capaz de ser curada com os remédios amargos das equipes econômicas, mas um caso raro de doença grave onde o suplício do irmão mais fraco só aumenta a rejeição do mais forte, mesmo sabendo que não resistirá se o mais fraco morrer. Os vôos rasantes de Porto Alegre a Davos em busca de um remédio eclético e milagroso só agravam o estado dos pacientes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Publicado em&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;26.01.2003&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28470385-114825122288312920?l=rumoresdacrise.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/feeds/114825122288312920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28470385&amp;postID=114825122288312920' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114825122288312920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28470385/posts/default/114825122288312920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rumoresdacrise.blogspot.com/2006/05/o-drama-do-pt-enquanto-governo.html' title='O DRAMA DO PT ENQUANTO GOVERNO'/><author><name>Rall</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14057953600388619261</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
